Ancelotti já percebeu que o Brasil dos sonhos não existe na Copa do Mundo
O professor Carlo Ancelotti estaria tranquilo à espera da estreia do Brasil na Copa do Mundo. Sendo um senhor de 67 anos de idade e ostentando a condição de maior ganhador de títulos como técnico na história do futebol, não teria motivos para estar em um estado de excitação negativa. Mas, em um estado de […]
O professor Carlo Ancelotti estaria tranquilo à espera da estreia do Brasil na Copa do Mundo. Sendo um senhor de 67 anos de idade e ostentando a condição de maior ganhador de títulos como técnico na história do futebol, não teria motivos para estar em um estado de excitação negativa.
Mas, em um estado de espírito normal, não está. E, na sua condição de técnico, nenhum ser humano estaria diante das circunstâncias que cercam a Seleção Brasileira nesta Copa do Mundo. Ancelotti já dirigiu, enfrentou e deu solução a todas as questões do futebol. Conquistou títulos comandando gigantes como Real Madrid, Bayern de Munique e Milan.
Ocorre que a Seleção Brasileira é outra coisa. É tão grandiosa que a carência de 24 anos sem um título mundial não tem o poder de diminuir a supremacia das cinco estrelas que ostenta no peito. Um ser humano normal, como é o caso de Ancelotti, no mínimo está angustiado.
O estado de espírito é um elemento subjetivo. Embora possa ser presumido, como no caso de Ancelotti, a experiência absorve ou disfarça esse sentimento, sem que ele exerça uma influência negativa.
Com certeza, Ancelotti está angustiado por uma outra questão: a consciência de que o Brasil que idealizou, por ter “75 craques”, é impossível de materializar. A esta altura, já deve ter concluído que o conceito de craque, nesse seu Brasil, está fora do alcance até dos seus melhores jogadores: Bruno Guimarães, Raphinha e Vinicius Junior.
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Talvez essa angústia de Ancelotti, por não ter o Brasil que sonhou, possa ser positiva. Sem a vaidade de ser inovador, como seu mentor Arrigo Sacchi e seus adversários de Champions League, Pep Guardiola e Jürgen Klopp, assuma a condição que sempre foi proibida na Seleção Brasileira: a de conservador.
E, a partir dela, seja uma versão de Carlos Alberto Parreira em 1994, quando loteou o meio-campo de meias defensivos para transformar os gols de Romário e Bebeto em “meros detalhes”.


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