Athletico perde ao natural e mostra ter elenco de Segunda Divisão
Pergunto: o estado natural do Athletico é aquele que, na Baixada, venceu Santos (2 a 1), Cruzeiro (2 a 1) e, em especial, o Botafogo (4 a 0)? Ou é o que vem sendo derrotado pelo Bahia, em Salvador (3 a 0), e pelo Atlético-MG, em Belo Horizonte (2 a 1)? Como todas as questões […]
Pergunto: o estado natural do Athletico é aquele que, na Baixada, venceu Santos (2 a 1), Cruzeiro (2 a 1) e, em especial, o Botafogo (4 a 0)? Ou é o que vem sendo derrotado pelo Bahia, em Salvador (3 a 0), e pelo Atlético-MG, em Belo Horizonte (2 a 1)?
Como todas as questões que envolvem o Furacão são complexas, recorro ao aforismo de Carlos Drummond de Andrade: “há muitas razões para duvidar e uma só para crer”. Então, submetendo esse Athletico à análise da razão, existe apenas uma crença: essa variação de desempenho se explica pelo fato de que, à exceção de Luiz Gustavo, trata-se de um time com características de Segundona. Assim, qualquer resultado fora do ambiente da Baixada torna-se previsível.
Seria fácil e cômodo encontrar em eventuais deslizes do técnico Odair Hellmann o protocolo usual de culpar o treinador. E até que Hellmann anda abrindo a guarda.
Essa mania de escalar três zagueiros, sob o pretexto de ser ofensivo, fragiliza seus próprios argumentos. Com Benavídez e Dérik, a defesa se expõe e o ataque não se impõe. O treinador deveria estudar as lições de Johan Cruyff, para quem o futebol sempre foi — e deve ser — jogado no 4-4-2. Se a intenção é atacar, o meio-campo precisa se juntar ao setor ofensivo. Tenho essa lição bem sublinhada.
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E quando digo que Hellmann abre a guarda, é porque, às vezes, demonstra fragilidade nas decisões. O que pretendeu em Belo Horizonte com Leozinho, que já havia sido descartado? Foi ele, tentando dar seus “efeitos”, que possibilitou o contra-ataque do Atlético-MG e ainda desviou a bola no lance do segundo gol, marcado por Scarpa, que acabou selando a derrota do Furacão.
Notaram como é tentador culpar Hellmann por essas derrotas? Afinal, no futebol de elite, como o do Brasileirão, onde tudo é medido por resultados, o protocolo é responsabilizar o técnico, figura sempre exposta./https%3A%2F%2Fmedia.umdoisesportes.com.br%2Fmain%2F2026%2F04%2FDesign-sem-nome-10.jpg)
Mas digo: Hellmann não é o principal culpado, por mais que insista em certas ideias. Nos jogos na Baixada, ele provoca o emocional do time para alcançar a superação. É a única maneira de sobreviver.
Quando atua fora, sem o ambiente da torcida, é preciso qualidade técnica. E, à exceção de Santos, Luiz Gustavo e Esquivel, trata-se de um elenco com nível de Segunda Divisão, algo que Petraglia e Lara ainda não parecem ter assimilado.
Com o Athletico somando 16 pontos e ainda figurando na parte de cima da tabela, Odair Hellmann precisa ser relativizado por seus deslizes.


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