Crise: baixa adesão faz Correios prorrogarem prazo do programa de demissão voluntária

Correios prorrogam para 7 de abril prazo de adesão ao programa de demissão voluntária Em uma crise histórica, os Correios decidiram estender até 7 de abril o prazo para adesão de funcionários ao programa de demissão voluntária. O resultado é muito menor do que o planejado. Os Correios esperavam que 10 mil funcionários deixassem a empresa em 2026 pelo Plano de Desligamento Voluntário. Outros 5 mil em 2027. Mas, até agora, apenas 2,5 mil aderiram ao PDV. Número que deixa a empresa mais distante da projeção de economizar mais de R$ 2 bilhões a partir de 2027. Diante da baixa procura, a estatal decidiu ampliar o prazo do PDV – que seria encerrado nesta terça-feira (31) – para o dia 7 de abril. Os Correios ofereceram novas condições para o plano de saúde familiar, para tentar atrair novas demissões. O PDV é uma das medidas do programa de recuperação dos Correios, anunciado no fim de 2025, depois de sucessivos resultados negativos nas contas. O plano prevê ainda fechar agências, reorganizar e enxugar cargos, leiloar imóveis. Todas essas medidas também enfrentam dificuldades para sair do papel e devem render menos do que o projetado pelo governo. A crise dos Correios só não está pior porque, no fim de 2025, a estatal conseguiu fechar um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos públicos e privados. Tudo com o aval do Tesouro. É o governo federal que vai pagar – com dinheiro público – as parcelas do empréstimo caso os Correios não consigam. Os Correios não detalharam quanto do empréstimo será usado para cobrir o déficit. A empresa também vai usar o dinheiro para pagar dívidas com fornecedores. Os números mostram o tamanho da crise sem precedentes. São 13 trimestres seguidos de déficit. Em 2024, o rombo nas contas da empresa foi de mais de R$ 2,5 bilhões. Até setembro de 2025, o déficit era de mais de R$ 6 bilhões. O resultado final de 2025 ainda não foi divulgado, mas a tendência é que o ciclo de prejuízos se mantenha. Crise: baixa adesão faz Correios prorrogarem prazo do programa de demissão voluntária Jornal Nacional/ Reprodução O presidente dos Correios, Emannoel Randon, disse que, apesar do quadro ruim, o plano para tentar salvar a empresa está mantido: "A gente está seguindo exatamente o que foi projetado, olhando a economia que a gente precisa fazer, dentro de uma prioridade de manutenção do funcionamento da empresa com eficiência, com as entregas no prazo, com a regularidade da nossa operação. Está sendo cumprido o plano de reestruturação”. Mas economistas alertam que o cenário só deve piorar e que, sem mudanças, a conta deve cair no colo dos contribuintes. "O que se viu é pouco mais de um quinto da meta foi alcançada, bastante aquém do que é necessário. A venda de imóveis do setor público também é um processo muito complicado, não é uma coisa assim tão simples. O risco do Correio é esse: você entrar em uma situação ruim onde tenta reestruturar, a reação é negativa dos funcionários, o serviço piora, o consumidor vai ainda menos no Correio porque não confia que vai ter um bom serviço, aí o prejuízo aumenta ainda mais, e você chega a um ponto que vai acabar quebrando”, afirma Armando Castelar, pesquisador associado FGV IBRE. "Enquanto o governo estiver colocando dinheiro lá dentro, não quebra. Mas, tecnicamente está quebrado. Ou seja, os Correios estão sendo salvos, vamos dizer, mantidos vivos por aparelhos, como se fosse uma transfusão permanente de dinheiro público. Os programas de ajuste são muito tímidos. Então, a meu ver, não tem solução. A única solução que tem é a privatização”, diz Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central. LEIA TAMBÉM Plano de demissão dos Correios tem adesão de 2,3 mil funcionários; número abaixo da meta Correios preveem queda de receitas e aumento de despesas em 2026, mostra orçamento

Mar 30, 2026 - 21:30
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Crise: baixa adesão faz Correios prorrogarem prazo do programa de demissão voluntária

Correios prorrogam para 7 de abril prazo de adesão ao programa de demissão voluntária Em uma crise histórica, os Correios decidiram estender até 7 de abril o prazo para adesão de funcionários ao programa de demissão voluntária. O resultado é muito menor do que o planejado. Os Correios esperavam que 10 mil funcionários deixassem a empresa em 2026 pelo Plano de Desligamento Voluntário. Outros 5 mil em 2027. Mas, até agora, apenas 2,5 mil aderiram ao PDV. Número que deixa a empresa mais distante da projeção de economizar mais de R$ 2 bilhões a partir de 2027. Diante da baixa procura, a estatal decidiu ampliar o prazo do PDV – que seria encerrado nesta terça-feira (31) – para o dia 7 de abril. Os Correios ofereceram novas condições para o plano de saúde familiar, para tentar atrair novas demissões. O PDV é uma das medidas do programa de recuperação dos Correios, anunciado no fim de 2025, depois de sucessivos resultados negativos nas contas. O plano prevê ainda fechar agências, reorganizar e enxugar cargos, leiloar imóveis. Todas essas medidas também enfrentam dificuldades para sair do papel e devem render menos do que o projetado pelo governo. A crise dos Correios só não está pior porque, no fim de 2025, a estatal conseguiu fechar um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos públicos e privados. Tudo com o aval do Tesouro. É o governo federal que vai pagar – com dinheiro público – as parcelas do empréstimo caso os Correios não consigam. Os Correios não detalharam quanto do empréstimo será usado para cobrir o déficit. A empresa também vai usar o dinheiro para pagar dívidas com fornecedores. Os números mostram o tamanho da crise sem precedentes. São 13 trimestres seguidos de déficit. Em 2024, o rombo nas contas da empresa foi de mais de R$ 2,5 bilhões. Até setembro de 2025, o déficit era de mais de R$ 6 bilhões. O resultado final de 2025 ainda não foi divulgado, mas a tendência é que o ciclo de prejuízos se mantenha. Crise: baixa adesão faz Correios prorrogarem prazo do programa de demissão voluntária Jornal Nacional/ Reprodução O presidente dos Correios, Emannoel Randon, disse que, apesar do quadro ruim, o plano para tentar salvar a empresa está mantido: "A gente está seguindo exatamente o que foi projetado, olhando a economia que a gente precisa fazer, dentro de uma prioridade de manutenção do funcionamento da empresa com eficiência, com as entregas no prazo, com a regularidade da nossa operação. Está sendo cumprido o plano de reestruturação”. Mas economistas alertam que o cenário só deve piorar e que, sem mudanças, a conta deve cair no colo dos contribuintes. "O que se viu é pouco mais de um quinto da meta foi alcançada, bastante aquém do que é necessário. A venda de imóveis do setor público também é um processo muito complicado, não é uma coisa assim tão simples. O risco do Correio é esse: você entrar em uma situação ruim onde tenta reestruturar, a reação é negativa dos funcionários, o serviço piora, o consumidor vai ainda menos no Correio porque não confia que vai ter um bom serviço, aí o prejuízo aumenta ainda mais, e você chega a um ponto que vai acabar quebrando”, afirma Armando Castelar, pesquisador associado FGV IBRE. "Enquanto o governo estiver colocando dinheiro lá dentro, não quebra. Mas, tecnicamente está quebrado. Ou seja, os Correios estão sendo salvos, vamos dizer, mantidos vivos por aparelhos, como se fosse uma transfusão permanente de dinheiro público. Os programas de ajuste são muito tímidos. Então, a meu ver, não tem solução. A única solução que tem é a privatização”, diz Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central. LEIA TAMBÉM Plano de demissão dos Correios tem adesão de 2,3 mil funcionários; número abaixo da meta Correios preveem queda de receitas e aumento de despesas em 2026, mostra orçamento