'Dia de fúria': policial que agrediu delegado e fez garota de programa pular do 3º andar de motel é condenado e perde cargo
Polícia Civil do Estado de São Paulo Marcelo S. Camargo/Governo doEstado de SP O Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou a condenação do policial civil Ricardo Soubhi Saba por uma sequência de crimes cometidos em janeiro de 2025, após um "dia de fúria, quando optou por dar um passeio pelo Código Penal", segundo apontado pelo desembargador Euvaldo Chaib, da 4ª Câmara de Direito Criminal, em decisão publicada em dezembro. Segundo os autos, o policial agendou um programa com a vítima em um quarto da Rua Augusta, e "o encontro, regado a medicação, álcool e cocaína, desbordou porque não houve consenso no valor, após o casal permanecer trancafiado no cômodo por quase 48h". Os episódios envolveram agressões físicas à garota de programa e a um idoso, resistência, desobediência e desacato a policiais civis e militares — incluindo um delegado da Corregedoria. Ricardo Soubhi Saba foi condenado a 3 anos e 6 meses de detenção em regime semiaberto; Ao pagamento de R$ 9 mil de multa; E à perda definitiva do cargo de policial civil. O TJ-SP negou recurso da defesa e confirmou integralmente a sentença da 1ª Vara Criminal do Foro Central da Barra Funda. O que aconteceu no motel De acordo com o acórdão, os crimes tiveram início em um motel na Rua Augusta, na região central de São Paulo. Ricardo, então policial civil na ativa, se encontrou com uma garota de programa no local e permaneceu lá por quase dois dias. A situação saiu do controle após um desentendimento sobre o valor do programa. O documento aponta que Ricardo passou a acusar a mulher de furto, ficou agressivo e sacou a arma de fogo. Em seguida, passou a agredi-la com chutes e socos. Ainda conforme a decisão, ele ameaçou prender a mulher em flagrante por tráfico de drogas, alegando que forjaria a situação caso ela não devolvesse um cartão bancário. Assustada e temendo pela própria vida, ela pulou pela janela do quarto, que ficava no 3º andar do motel, sofrendo diversos ferimentos pelo corpo. O barulho da confusão chamou a atenção do proprietário do motel. Ao tentar ajudar a vítima, o idoso acabou sendo agredido por Ricardo com golpes no rosto e teve o nariz fraturado, conforme laudos médicos citados no processo. A Polícia Militar foi acionada e Ricardo acabou levado ao 78º Distrito Policial. Por ser policial civil, a Corregedoria Geral da Polícia Civil também foi comunicada sobre o ocorrido. Desacato, resistência e ameaças na delegacia Na delegacia, o delegado corregedor Rui Fellipe Nicolai Xavier Silva, ao perceber o estado alterado de Ricardo, determinou que ele entregasse a arma de fogo. O policial se recusou a cumprir a ordem. Segundo o acórdão, Ricardo passou a desacatar o delegado e a ameaçar os policiais presentes, sendo necessária a intervenção de outros policiais civis e militares. Durante a contenção, ele chegou a agredir o delegado com chutes e afirmou que se vingaria de todos. Após ser levado à Corregedoria, o comportamento agressivo continuou: Ricardo seguiu ofendendo o delegado e também um investigador de polícia, sendo necessário o uso de força física moderada para contê-lo. Depois, ele optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório. Ao analisar o recurso da defesa, o Tribunal rejeitou todas as teses apresentadas. Os desembargadores afastaram a alegação de cerceamento de defesa por falta de instauração de incidente de insanidade mental, destacando que não havia prova de que Ricardo fosse inimputável à época dos fatos. A versão apresentada pela defesa, de que Ricardo teria sido dopado pela vítima, foi rechaçada pelos magistrados, que consideraram a narrativa incompatível com as circunstâncias do caso. Patranheira a narrativa do réu no sentido de que teria sido drogado pela garota de programa com uma espécie de “Boa noite, Cinderela”. O réu permaneceu num quarto de hotel por quase 2 dias. Não há medicação ou coquetel que o fizesse desacordar por tanto tempo. Trata-se de um policial civil, treinado para não cair em tais tipos de crimes. Não se revela minimamente razoável, à luz das máximas da experiência, a narrativa de que foi intoxicado por mais de 48h submetido a fraudes em série via PIX, sem que pudesse, nesse período, livrar-se da situação, até porque estava armado. Resumindo, a versão do réu é uma estorinha apta a corar de vergonha uma estátua de pedra Para os desembargadores, houve maior reprovabilidade na conduta por se tratar de um policial civil, armado, que violou frontalmente os deveres funcionais previstos na Lei Orgânica da Polícia Civil. A decisão destaca que ele agiu com extrema agressividade, colocou terceiros em risco e demonstrou comportamento incompatível com o exercício da função pública. Em julho de 2025, a Justiça negou um pedido de revogação da prisão preventiva do policial. Na ocasião, o juiz afirmou que, apesar da primariedade, os autos indicavam “acentuada periculosidade em concreto”, destacando que o réu passou o fim de semana consumindo álcool e entorpecentes, agrediu duas vítimas, desacatou policiais civis

Polícia Civil do Estado de São Paulo Marcelo S. Camargo/Governo doEstado de SP O Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou a condenação do policial civil Ricardo Soubhi Saba por uma sequência de crimes cometidos em janeiro de 2025, após um "dia de fúria, quando optou por dar um passeio pelo Código Penal", segundo apontado pelo desembargador Euvaldo Chaib, da 4ª Câmara de Direito Criminal, em decisão publicada em dezembro. Segundo os autos, o policial agendou um programa com a vítima em um quarto da Rua Augusta, e "o encontro, regado a medicação, álcool e cocaína, desbordou porque não houve consenso no valor, após o casal permanecer trancafiado no cômodo por quase 48h". Os episódios envolveram agressões físicas à garota de programa e a um idoso, resistência, desobediência e desacato a policiais civis e militares — incluindo um delegado da Corregedoria. Ricardo Soubhi Saba foi condenado a 3 anos e 6 meses de detenção em regime semiaberto; Ao pagamento de R$ 9 mil de multa; E à perda definitiva do cargo de policial civil. O TJ-SP negou recurso da defesa e confirmou integralmente a sentença da 1ª Vara Criminal do Foro Central da Barra Funda. O que aconteceu no motel De acordo com o acórdão, os crimes tiveram início em um motel na Rua Augusta, na região central de São Paulo. Ricardo, então policial civil na ativa, se encontrou com uma garota de programa no local e permaneceu lá por quase dois dias. A situação saiu do controle após um desentendimento sobre o valor do programa. O documento aponta que Ricardo passou a acusar a mulher de furto, ficou agressivo e sacou a arma de fogo. Em seguida, passou a agredi-la com chutes e socos. Ainda conforme a decisão, ele ameaçou prender a mulher em flagrante por tráfico de drogas, alegando que forjaria a situação caso ela não devolvesse um cartão bancário. Assustada e temendo pela própria vida, ela pulou pela janela do quarto, que ficava no 3º andar do motel, sofrendo diversos ferimentos pelo corpo. O barulho da confusão chamou a atenção do proprietário do motel. Ao tentar ajudar a vítima, o idoso acabou sendo agredido por Ricardo com golpes no rosto e teve o nariz fraturado, conforme laudos médicos citados no processo. A Polícia Militar foi acionada e Ricardo acabou levado ao 78º Distrito Policial. Por ser policial civil, a Corregedoria Geral da Polícia Civil também foi comunicada sobre o ocorrido. Desacato, resistência e ameaças na delegacia Na delegacia, o delegado corregedor Rui Fellipe Nicolai Xavier Silva, ao perceber o estado alterado de Ricardo, determinou que ele entregasse a arma de fogo. O policial se recusou a cumprir a ordem. Segundo o acórdão, Ricardo passou a desacatar o delegado e a ameaçar os policiais presentes, sendo necessária a intervenção de outros policiais civis e militares. Durante a contenção, ele chegou a agredir o delegado com chutes e afirmou que se vingaria de todos. Após ser levado à Corregedoria, o comportamento agressivo continuou: Ricardo seguiu ofendendo o delegado e também um investigador de polícia, sendo necessário o uso de força física moderada para contê-lo. Depois, ele optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório. Ao analisar o recurso da defesa, o Tribunal rejeitou todas as teses apresentadas. Os desembargadores afastaram a alegação de cerceamento de defesa por falta de instauração de incidente de insanidade mental, destacando que não havia prova de que Ricardo fosse inimputável à época dos fatos. A versão apresentada pela defesa, de que Ricardo teria sido dopado pela vítima, foi rechaçada pelos magistrados, que consideraram a narrativa incompatível com as circunstâncias do caso. Patranheira a narrativa do réu no sentido de que teria sido drogado pela garota de programa com uma espécie de “Boa noite, Cinderela”. O réu permaneceu num quarto de hotel por quase 2 dias. Não há medicação ou coquetel que o fizesse desacordar por tanto tempo. Trata-se de um policial civil, treinado para não cair em tais tipos de crimes. Não se revela minimamente razoável, à luz das máximas da experiência, a narrativa de que foi intoxicado por mais de 48h submetido a fraudes em série via PIX, sem que pudesse, nesse período, livrar-se da situação, até porque estava armado. Resumindo, a versão do réu é uma estorinha apta a corar de vergonha uma estátua de pedra Para os desembargadores, houve maior reprovabilidade na conduta por se tratar de um policial civil, armado, que violou frontalmente os deveres funcionais previstos na Lei Orgânica da Polícia Civil. A decisão destaca que ele agiu com extrema agressividade, colocou terceiros em risco e demonstrou comportamento incompatível com o exercício da função pública. Em julho de 2025, a Justiça negou um pedido de revogação da prisão preventiva do policial. Na ocasião, o juiz afirmou que, apesar da primariedade, os autos indicavam “acentuada periculosidade em concreto”, destacando que o réu passou o fim de semana consumindo álcool e entorpecentes, agrediu duas vítimas, desacatou policiais civis e chegou a ameaçar integrantes da Corregedoria, sempre portando arma de fogo. O g1 questionou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) sobre a situação do policial, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Veja os vídeos que estão em alta no g1

