Entre o circo da CBF e a fé do torcedor, Brasil insiste em Ancelotti

Em retrospecto, a verdade é simples. A seleção brasileira levou o seu primeiro choque de realidade na primeira Copa do Mundo disputada no pós-Segunda Guerra que, coincidentemente, realizou-se em nosso país e fomos derrotados pelo Uruguai, na final do Maracanã. Quatro anos depois novo choque daqueles, com a eliminação na Copa realizada na Suíça, até […]

Ago 19, 2026 - 11:00
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Entre o circo da CBF e a fé do torcedor, Brasil insiste em Ancelotti

Em retrospecto, a verdade é simples. A seleção brasileira levou o seu primeiro choque de realidade na primeira Copa do Mundo disputada no pós-Segunda Guerra que, coincidentemente, realizou-se em nosso país e fomos derrotados pelo Uruguai, na final do Maracanã.

Quatro anos depois novo choque daqueles, com a eliminação na Copa realizada na Suíça, até que, em 1958, finalmente conseguimos ganhar o primeiro título mundial na Suécia, com o Bi no Chile e o Tri no México.

Pronto, o nosso futebol tornou-se verdadeiramente encantador com a geração de craques do padrão técnico de Pelé, Garrincha, Didi, Nilton Santos, Gerson, Tostão, Rivellino e muitos outros fora de série, até que sofremos um segundo choque de realidade com 24 anos sem o título de campeão.

Veio uma nova geração de craques memoráveis como Romário, Bebeto, Ronaldo, Ronaldinho Gaucho, Rivaldo e outros mais com a conquista de mais dois campeonatos mundiais. Agora somos hexa sem título, ou seja, há seis copas só decepcionamos os nossos fiéis torcedores e os admiradores pelo planeta inteiro.

Como a safra de jogadores nas últimas duas décadas é tecnicamente fraca e mentalmente preocupante, diante do excesso de dinheiro que corre no negócio chamado futebol, tudo indica que falta maior concentração para que não só a seleção nacional volte a ganhar títulos, mas os nossos próprios times, que há anos não vencem um mundial de clubes.

Ancelotti foi questionado após eliminação do Brasil. Foto: DeFodi Images/IconSport

Para quem se interessa pelas pulsões arcaicas e circuitos ocultos da nossa mente – o subterrâneo daquilo que alguns filósofos chamam de subjetividade ontológica – a alucinação coletiva da Copa é um laboratório como poucos.

Basta ter observado, mais uma vez como acontece de quatro em quatro anos, a dose evidente de alienação e escapismo no surto hipnótico da Copa, a começar, no caso brasileiro, pelo ridículo espetáculo proporcionado pela CBF na reunião para o técnico Carlo Ancelotti anunciar os jogadores convocados, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Puro circo.

Mas alienação ainda maior seria subestimar essa realidade ou não atentar para o que ela representa.

No caso da CBF, tudo muito preocupante, pois a entidade renovou o contrato do treinador italiano que não conhece a alma do futebol brasileiro e mora no Canadá, desconhecendo evidentemente as nossas origens e costumes no dia-a-dia, antes mesmo de ele ter fracassado na Copa do Mundo. Ou seja, teremos mais quatro anos de ilusões e experiências sem um final feliz garantido.

Torcer é parente próximo do rezar, só que sem rodeios e intermediários. Na reza, abre-se o canal de interlocução pela fé, rogando à divindade de sua preferência para que ela interceda no mundo em seu favor. Na torcida você depende do técnico, dos jogadores, do arbitro, dos bandeirinhas, do VAR, da bola…

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