“Não leiam os comentários”: Empresários contam como protegem jogadores da pressão das redes sociais

RESUMO DA NOTÍCIA O podcast DoisUm recebeu os empresários de futebolNaor Malaquias, Miguel Calluf e Marcelo Lipatin  Os empresários defendem acompanhamento psicológico para os jogadores lidarem com a pressão e as redes sociais A família também pode atrapalhar a carreira quando cria expectativas exageradas sobre o atleta O futebol, não apenas no Brasil, mas em […]

Ago 13, 2026 - 16:30
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“Não leiam os comentários”: Empresários contam como protegem jogadores da pressão das redes sociais

O futebol, não apenas no Brasil, mas em todo mundo, hoje está cada vez mais exigente física, técnica e mentalmente. São jogos de janeiro a dezembro, sem muito tempo de preparação e descanso, e a rápida necessidade de dar resultado ao clube, além de ser um ativo valioso para salvar as finanças do ano.

A pressão também vem das redes sociais e das arquibancadas que, às vezes, passam do limite e partem para agressão verbal ou até mesmo física. Por isso, os jogadores, principalmente de alto nível, procuram cada vez mais ajuda psicológica para saber como lidar com a pressão, o peso da expectativa na família e até mesmo a mudança brusca na realidade financeira.

Esse é um dos temas abordados durante o podcast DoisUm, apresentado por Fernando Rudnick no canal do UmDois Esportes no YouTube. Os empresários Naor Malaquias, Miguel Calluf e Marcelo Lipatin participam do programa e falam como orientam seus clientes a sempre procurarem auxílio.

Antigamente, os jogadores lidavam com as vaias e as críticas dos torcedores em jogos ou quando encontravam os torcedores nas ruas. Mas hoje em dia a história é diferente. Os atletas são julgados em tempo real durante as partidas, muitas vezes com ofensas, críticas falsas e até mesmo xingamentos para familiares próximos.

“Dica para quem for jogador: não leiam os comentários. Ali você encontra muita gente que se esconde atrás da rede social”, orienta Naor Malaquias.

Naor Malaquias, empresário, no podcast DoisUm. (Foto: Reprodução).

Miguel Calluf vivenciou de perto a transição do mundo analógico para o digital enquanto já trabalhava no futebol e segue o mesmo raciocínio. “Se um jogador de alto nível não tiver psicólogo, as redes sociais arrebentam para o bem e para o mal”, afirma.

“Falo para não se empolgarem com os elogios porque vai vir um dia de jogo mal, com erro e falha, e vem a chuva de crítica. Acho mais importante os atletas de médio e alto nível terem acompanhamento de psicólogo. A rede social realmente arrebenta com o jogador”, complementa Calluf.

Já Lipatin reforça a necessidade de desenvolver a capacidade emocional para não se abater com as críticas ou não se iludir com os elogios. “O atleta não conseguir ver os comentários e não saber da opinião alheia, é o mais importante. Mas, muitas vezes, chega à informação que precisa saber filtrar”, diz.

Família também pode atrapalhar a carreira

Muitas vezes a pressão maior não vem das arquibancadas ou até mesmo de técnicos e diretores por resultado, mas de pessoas que deveriam ser o alicerce na carreira. Os familiares são quem devem dar o maior apoio, mas acabam se deslumbrando mais que os próprios jogadores quando o dinheiro começa a aparecer.

É neste momento que o empresário entra em ação também para tentar intermediar a situação e ajudar na carreira do atleta. “Não culpo a família por muitas vezes perceber uma coisa diferente na vida do filho e querer o melhor, até querer usufruir. Daqui a pouco chega à esposa, família da esposa, e nós estamos no meio. Temos que ter claro o nosso trabalho”, destaca Marcelo Lipatin.

“Precisamos ter muito cuidado em emitir opinião, muitas vezes não nos é perguntado. Nossa função é gerir a carreira do atleta, trazer as melhores condições e buscar o melhor contrato. Recebemos muita informação, mas acaba falando quando não é chamado”, complementa o empresário.

Ainda tem a situação do pai ou da mãe que acredita que o filho precisa jogar o tempo todo e não tem concorrente. Naor Malaquias conta o exemplo de um jogador que trabalhou com ele recentemente. O atleta se transferiu no Avaí, que tinha sido campeão recentemente da Série B do Brasileirão sub-20, mas a família não teve paciência para esperar a oportunidade.

“Menino criado no lugar que era sempre titular, chegou a ser terceiro reserva. Deu uns quatro meses e os pais reclamando que não estava jogando. O presidente me liga e disse: ‘Naor, a mãe veio aqui e levou embora’. Contrato formador vigente, mas tive que rescindir. Os pais precisam entender, que não se intrometam. Nosso papel como agente é lidar com esse entorno”, conta Naor.

Assista ao podcast DoisUm, do UmDois Esportes

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