O símbolo do adeus de Valdo Zanette: O amor pelo Athletico

Inusitada foi a eleição para presidente do Atlético em 1975. De um lado, a turma da Boca Maldita lançando Aníbal Khury (1924-1999), que, absolvido das acusações da ditadura, voltava à vida pública. Do outro, o empresário José Pedroso de Moraes (1924-2007), o “Rei dos Tapetes”, presidente do pequeno Primavera, lançado pela “Retaguarda Atleticana”. Aníbal foi […]

Set 20, 2026 - 13:00
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O símbolo do adeus de Valdo Zanette: O amor pelo Athletico

Inusitada foi a eleição para presidente do Atlético em 1975. De um lado, a turma da Boca Maldita lançando Aníbal Khury (1924-1999), que, absolvido das acusações da ditadura, voltava à vida pública. Do outro, o empresário José Pedroso de Moraes (1924-2007), o “Rei dos Tapetes”, presidente do pequeno Primavera, lançado pela “Retaguarda Atleticana”. Aníbal foi eleito.

Cobrindo a eleição para a Rádio Universo, perguntei a Aníbal: “Presidente, o senhor já sabe como enfrentar essa oposição da Retaguarda Atleticana?” Esquecendo o nome do grupo “Retaguarda Atleticana”, usou a ironia para responder: “Meu filho, não haverá oposição no Atlético. Sem os ‘meias cor de rosa’, é difícil presidi-lo. Irei convidá-los.”

Entre os “meias cor de rosa” estavam Valmor Zimmermann, Valdo Zanette, Mario Celso Petraglia e Onaireves Rolim de Moura. Aníbal usou essa expressão lembrando que, em reunião anterior à eleição com a “Retaguarda Atleticana”, um deles usava meia cor de rosa. Era Valdo Zanette. Calça boca de sino e meia cor de rosa eram modas masculinas na época.

Uma despedida à altura do amor pelo Athletico

Valdo foi embora. Perdi um amigo do qual nunca escondi o meu sentimento de gratidão. O simbolismo da despedida final pode, às vezes, ser discreto. Mas, para quem conhece a história, há sempre um significado grandioso.

No convite para o seu adeus, estava uma foto sua, sentado em um banco da praça do Athletico, tendo ao fundo a majestosa Arena da Baixada. Veja, lá está ele, todo orgulhoso. Com certeza, lembrando da Baixada de tijolo e pinheiro, e das arenas que ajudou a construir e reconstruir.

Foi o simbolismo do seu amor pelo clube, valorizado no momento da despedida por seus filhos, Fabrício, Rafael e a doce Antonella, usando “a camisa que só se veste por amor”. Sobre o caixão, um dos seus orgulhos: a faixa de campeão brasileiro de 2001.

Valdo só fez o bem. Amava a família, o Athletico e os amigos. Solidário com o ser humano, foi intenso na realização do bem social. Antes do adeus, tinha a autoridade para lembrar da frase de São Paulo, em sua despedida:

“Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé.”

Triste, porque os amigos têm o direito à tristeza, minha solidariedade à Sandra, aos filhos Fabrício, Rafael e Antonella, e aos netos.

Augusto Mafuz – leia o perfil completo

Há mais de quatro décadas, o jornalista Augusto Mafuz interpreta como poucos a alma do povo atleticano em crônicas diárias movidas por loucura, conflito e emoção. A frase de um velho dito entre torcedores resume sua importância: quando estourava uma crise no Athletico, a saída era “ler o Mafuz para saber o que a gente está pensando sobre isso”.

Mafuz Antonio Abrão nasceu em Guarapuava, em 11 de maio de 1949, três dias antes da primeira das 11 vitórias consecutivas do Furacão. Chegou a Curitiba aos 17 anos e bateu à porta da Rádio Guairacá. Em 1968, iniciou como repórter de campo e, dois anos depois, escreveu textos históricos sobre o título do Athletico na Tribuna do Paraná, onde é colunista desde 1977.

Polêmico vocacional e bem-informado dos bastidores do futebol, Mafuz esconde, sob a pena perfurocortante, um homem doce e generoso. Amigo de infância de Carneiro Neto, segue em atividade no podcast Carneiro & Mafuz, provando que sua crônica continua em pé de guerra. Clique aqui e leia todas as colunas de Augusto Mafuz.

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