Procuração aponta possível 'sociedade oculta' entre empresária e ex-secretário-adjunto em contratos da SPTuris

Controladoria da capital investiga contratos de quase R$ 240 milhões da SPTuris O controlador-geral do Município de São Paulo, Daniel Falcão, disse nessa quinta-feira (26) que a demissão do secretário-adjunto da secretaria de Turismo da cidade, Rodolfo Marinho, pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), foi motivada por uma forte desconfiança de "possível sociedade oculta" entre o agora ex-secretário e a empresária dona da empresa MM Quarter. O g1 e a TV Globo tiveram acesso ao documento que motivou a demissão de Marinho e do presidente da SPTuris, Gustavo Pires, e ele mostra que Rodolfo Marinho, mesmo sendo secretário-adjunto do Turismo tinha poder para abrir contas, contratar e demitir funcionários e até gerir o dinheiro da empresa que tinha contratos milionários com a SPTuris. Conforme o portal Metrópoles publicou e o g1 confirmou, Rodolfo Marinho era sócio de Nathalia Carolina da Silva Souza em uma empresa de consultoria política até poucos dias antes de ele assumir o cargo da Secretaria Municipal de Turismo da gestão Ricardo Nunes (MDB), em 2022. A procuração da empresária Natália ao agora ex-secretário-adjunto do Turismo, Rodolfo Marinho da Silva. Reprodução Poucos dias antes da nomeação do ex-sócio, Nathalia abriu a empresa MM Quarter Produções como sócia única. A empresa começou a ganhar contratos milionários com a SPTuris durante a gestão de Rodolfo Marinho na Secretaria Municipal de Turismo. Foram ao menos 24 contratos assinados com a empresa, que somam mais de R$ 239 milhões. Na semana passada, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) determinou uma investigação da CGM nos contratos da Quarter e o órgão descobriu uma procuração registrada no 36° Cartório da Vila Maria onde Nathalia concedia amplos poderes de gestão da empresa dela para o agora ex-secretário-adjunto. O controlador-geral do Município de São Paulo – Daniel Falcão – e o agora ex-secretário de Turismo de São Paulo, Rodolfo Marinho. Montagem/g1/Reprodução/TV Globo e José Luis da Conceição/Secom/PMSP Segundo o controlador Daniel Falcão, que investiga o caso dentro da prefeitura, o documento descoberto pela PGM pode significar que Nathalia Carolina e Rodolfo Marinho tinham uma sociedade oculta que atuava dentro da prefeitura. “É possível haver uma sociedade oculta porque, tanto o secretário-adjunto quanto a sócia, que aparece no quadro societário da Quarter, dava amplos poderes de contratar, demitir e fazer transações bancárias. Então, isso é um indício forte de que haja sócios ocultos [dentro da MM Quarter]”, declarou o CGM ao SP1 da TV Globo. Por causa do escândalo, o prefeito Ricardo Nunes anunciou na noite desta quarta-feira (26) a demissão de Rodolfo Marinho e também do presidente da SPTuris, Gustavo Pires, que estava no cargo desde 2021. Pires foi substituído no comando da SPTuris pelo subprefeito da Sé, Coronel Marcelo Salles. “O coronel Salles, através da sua presidência, dar toda a colaboração para Controladoria continuar as investigações. Nós não permitiremos no nosso governo nenhum tipo de ilegalidade ou irregularidade”, disse Nunes em vídeo publicado nas redes sociais. “Os próximos passos são apurar os contratos, ver o que tem de errado, apurar desde o início da licitação. E apurar a relação indevida do ex-secretário-adjunto e a empresa [MM Quarter]. É muito evidente e, ao mesmo tempo, ajudar a SPTuris a resolver a questão”, declarou (veja vídeo abaixo). O prefeito Ricardo Nunes também disse em coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (26) que a CGM identificou uma segunda procuração onde a empresária Nathália Souza também dava amplos poderes de gestão da MM Quarter para outra pessoa que se chama Vitor. “A controladoria identificou duas procurações. Uma para o Rodolfo Marinho e uma para um cara chamado Vitor, que eu não me lembro o sobrenome. Mas é um que ele é sócio de alguma empresa que presta serviço pra Prefeitura de São Paulo. Essa procuração, tanto para o Rodolfo Marinho como para esse Vitor, são procurações com amplos poderes. Amplos. Abrir conta, fechar conta, trocar senha, admitir pessoas, demitir pessoas, fazer tudo”, disse NUnes. “Aparentemente, eu só tô dizendo assim porque a gente tem que tomar cuidado pra não ter questionamento judicial, a minha percepção é de que quem é dono mesmo desse negócio [MM Quarter] é o Rodolfo [Marinho] e esse Vitor”, declarou o prefeito. Nunes anuncia demissão de secretário-adjunto e presidente da SPTuris após denúncias “É uma impressão que eu tenho. Ninguém de uma forma normal, ou pelo menos de uma forma assim que a gente tem o costume de ver, daria uma procuração com tantos poderes pra alguém se não tivesse uma relação muito próxima, né?”, completou. Nunes também afirmou que colocou dois funcionários da CGM dentro da SPTuris, a partir desta quinta (26), para fazer um pente fino em todos os contratos da empresa municipal com a MM Quarter, investigada. “Dois auditores fiscais atuam, a partir de hoje, dentro da SPTuris, para poder fazer a análise de todos os contratos, de todas as

Fev 26, 2026 - 15:30
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Procuração aponta possível 'sociedade oculta' entre empresária e ex-secretário-adjunto em contratos da SPTuris

Controladoria da capital investiga contratos de quase R$ 240 milhões da SPTuris O controlador-geral do Município de São Paulo, Daniel Falcão, disse nessa quinta-feira (26) que a demissão do secretário-adjunto da secretaria de Turismo da cidade, Rodolfo Marinho, pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), foi motivada por uma forte desconfiança de "possível sociedade oculta" entre o agora ex-secretário e a empresária dona da empresa MM Quarter. O g1 e a TV Globo tiveram acesso ao documento que motivou a demissão de Marinho e do presidente da SPTuris, Gustavo Pires, e ele mostra que Rodolfo Marinho, mesmo sendo secretário-adjunto do Turismo tinha poder para abrir contas, contratar e demitir funcionários e até gerir o dinheiro da empresa que tinha contratos milionários com a SPTuris. Conforme o portal Metrópoles publicou e o g1 confirmou, Rodolfo Marinho era sócio de Nathalia Carolina da Silva Souza em uma empresa de consultoria política até poucos dias antes de ele assumir o cargo da Secretaria Municipal de Turismo da gestão Ricardo Nunes (MDB), em 2022. A procuração da empresária Natália ao agora ex-secretário-adjunto do Turismo, Rodolfo Marinho da Silva. Reprodução Poucos dias antes da nomeação do ex-sócio, Nathalia abriu a empresa MM Quarter Produções como sócia única. A empresa começou a ganhar contratos milionários com a SPTuris durante a gestão de Rodolfo Marinho na Secretaria Municipal de Turismo. Foram ao menos 24 contratos assinados com a empresa, que somam mais de R$ 239 milhões. Na semana passada, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) determinou uma investigação da CGM nos contratos da Quarter e o órgão descobriu uma procuração registrada no 36° Cartório da Vila Maria onde Nathalia concedia amplos poderes de gestão da empresa dela para o agora ex-secretário-adjunto. O controlador-geral do Município de São Paulo – Daniel Falcão – e o agora ex-secretário de Turismo de São Paulo, Rodolfo Marinho. Montagem/g1/Reprodução/TV Globo e José Luis da Conceição/Secom/PMSP Segundo o controlador Daniel Falcão, que investiga o caso dentro da prefeitura, o documento descoberto pela PGM pode significar que Nathalia Carolina e Rodolfo Marinho tinham uma sociedade oculta que atuava dentro da prefeitura. “É possível haver uma sociedade oculta porque, tanto o secretário-adjunto quanto a sócia, que aparece no quadro societário da Quarter, dava amplos poderes de contratar, demitir e fazer transações bancárias. Então, isso é um indício forte de que haja sócios ocultos [dentro da MM Quarter]”, declarou o CGM ao SP1 da TV Globo. Por causa do escândalo, o prefeito Ricardo Nunes anunciou na noite desta quarta-feira (26) a demissão de Rodolfo Marinho e também do presidente da SPTuris, Gustavo Pires, que estava no cargo desde 2021. Pires foi substituído no comando da SPTuris pelo subprefeito da Sé, Coronel Marcelo Salles. “O coronel Salles, através da sua presidência, dar toda a colaboração para Controladoria continuar as investigações. Nós não permitiremos no nosso governo nenhum tipo de ilegalidade ou irregularidade”, disse Nunes em vídeo publicado nas redes sociais. “Os próximos passos são apurar os contratos, ver o que tem de errado, apurar desde o início da licitação. E apurar a relação indevida do ex-secretário-adjunto e a empresa [MM Quarter]. É muito evidente e, ao mesmo tempo, ajudar a SPTuris a resolver a questão”, declarou (veja vídeo abaixo). O prefeito Ricardo Nunes também disse em coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (26) que a CGM identificou uma segunda procuração onde a empresária Nathália Souza também dava amplos poderes de gestão da MM Quarter para outra pessoa que se chama Vitor. “A controladoria identificou duas procurações. Uma para o Rodolfo Marinho e uma para um cara chamado Vitor, que eu não me lembro o sobrenome. Mas é um que ele é sócio de alguma empresa que presta serviço pra Prefeitura de São Paulo. Essa procuração, tanto para o Rodolfo Marinho como para esse Vitor, são procurações com amplos poderes. Amplos. Abrir conta, fechar conta, trocar senha, admitir pessoas, demitir pessoas, fazer tudo”, disse NUnes. “Aparentemente, eu só tô dizendo assim porque a gente tem que tomar cuidado pra não ter questionamento judicial, a minha percepção é de que quem é dono mesmo desse negócio [MM Quarter] é o Rodolfo [Marinho] e esse Vitor”, declarou o prefeito. Nunes anuncia demissão de secretário-adjunto e presidente da SPTuris após denúncias “É uma impressão que eu tenho. Ninguém de uma forma normal, ou pelo menos de uma forma assim que a gente tem o costume de ver, daria uma procuração com tantos poderes pra alguém se não tivesse uma relação muito próxima, né?”, completou. Nunes também afirmou que colocou dois funcionários da CGM dentro da SPTuris, a partir desta quinta (26), para fazer um pente fino em todos os contratos da empresa municipal com a MM Quarter, investigada. “Dois auditores fiscais atuam, a partir de hoje, dentro da SPTuris, para poder fazer a análise de todos os contratos, de todas as informações necessárias. E, a partir dessa análise, inicia-se o processo de nova licitação para substituir essa empresa [MM Quarter]”, disse o prefeito do MDB. Investigação da CGM A Controladoria Geral do Município (CGM) abriu a investigação sobre as relações entre Rodolfo Marinho com a MM Quarter a partir de um pedido do próprio prefeito Ricardo Nunes, em razão de matérias publicadas pelo portal Metrópoles sobre o assunto. Segundo o apurado pelo g1, desde 2022, a agência Quarter assinou ao menos 24 contratos só com a SPTuris para prestação de serviços de eventos. Eles somam mais de R$ 239 milhões em quatro anos. A MM Quarter diz que "as insinuações divulgadas não correspondem à realidade dos fatos". (leia mais abaixo) Um dos contratos ativos é para a contratação de guias de turismo bilíngues para o atendimento de turistas durante o carnaval de rua da capital paulista. O contrato é de R$ 9,4 milhões. Nathalia foi sócia minoritária do secretário Rodolfo Marinho da Silva em uma empresa de comunicação, a Legiscom Publicidade e Consultoria LTDA, que prestou serviços eleitorais ao vereador Gilberto Nascimento JR (PL) e o pai dele, o deputado federal Gilberto Nascimento, nas campanhas de 2020 e 2022. Ela tinha 1% da empresa. Nathália e Rodolfo Marinho também trabalharam juntos no gabinete do deputado estadual Rodrigo Moraes (PL) em 2017, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). A MM Quarter só começou a ganhar contratos vultosos com a SPTuris depois que Rodolfo Marinho foi indicado pelo prefeito como secretário municipal de Turismo. Rodolfo Marinho da Silva, ex-secretário-adjunto do Turismo, e Gustavo Pires, agora ex-diretor presidente da SPTuris. Reprodução