União firma acordo para dar posse a servidora exonerada do Itamaraty após reprovar em banca racial

Candidata contestada em banca racial pode perder cargo no Itamaraty O governo federal anunciou nesta segunda-feira (15) que firmou um acordo para garantir a posse da candidata autodeclarada negra Flávia Medeiros, de 29 anos, aprovada no concurso para oficial de chancelaria do Ministério das Relações Exteriores. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Em maio, o g1 mostrou que Flávia foi exonerada do cargo por ter sido excluída das cotas raciais do concurso (veja mais detalhes abaixo). Na época, a banca do Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe) argumentou que ela tinha "pele clara, cabelo lisos e traços finos" — ou seja, características incompatíveis com a autodeclaração racial. O acordo foi firmado pela Advocacia-Geral da União (AGU) e ainda terá de ser homologado pela Justiça. Ele prevê que: Flávia Medeiros será nomeada e tomará posse no cargo, a partir da data da nova publicação e sem retroativos; em troca, Flávia também abre mão de eventuais pedidos de indenização ou reparação moral em relação ao processo até aqui; o processo na Justiça é encerrado, e todos os recursos ou pendências ficam prejudicados. Segundo o advogado-geral da União, Jorge Messias, a conciliação "preserva a legalidade, preserva a constitucionalidade e corrige uma rota que estava indo pela direção equivocada". Em material divulgado pelo governo, o ministro afirmou também que o governo federal deverá promover uma "profunda reflexão" sobre o processo atual das cotas, que prevê uma banca de heteroidentificação para avaliar a declaração racial dos candidatos Entenda A candidata autodeclarada negra Flávia Medeiros, de 29 anos, aprovada no concurso para oficial de chancelaria do Itamaraty, foi exonerada após ter sido reprovada pela banca de heteroidentificação (veja imagem abaixo). A exoneração foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), um mês e 20 dias depois que ela tomou posse. Flávia Medeiros, à esqueda com 29 anos, e à direita quando era criança Arquivo pessoal/Reprodução Apesar de uma decisão judicial inicial ter permitido a posse, um desembargador entendeu que ela não poderia ter assumido a vaga sem que o processo tivesse terminado. Flávia entrou com recurso, mas não há previsão de julgamento. A candidata passou no concurso em 2024, mas foi excluída das cotas raciais. O argumento da banca, o Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), foi de que ela tinha "pele clara, cabelo lisos e traços finos" — ou seja, características incompatíveis com a autodeclaração racial. A defesa de Flávia afirma que vai pedir urgência para análise do caso. "O nosso escritório já interpôs um recurso que visa justamente que o desembargador altere o seu entendimento e, diante dessa exoneração que foi publicada hoje, o elemento de urgência para a análise ganha ainda mais relevância", diz a advogada Stéphanie de Sá. "É importante também destacar que a decisão negativa que foi proferida sequer versa a respeito da heteroidentificação. Então a Flávia ainda segue tendo uma decisão favorável vigente determinando que o indeferimento da heteroidentificação foi equivocado e isso também é um elemento muito forte pra que a gente tente essa reforma da decisão proferida pelo Tribunal e que a Flávia não seja ainda mais prejudicada", pontua a defesa. Candidata autodeclarada negra é exonerada do Itamaraty Reprodução Procurado pela reportagem, o Cebraspe informou que "os questionamentos da candidata são tratados no âmbito de ação judicial e, por essa razão, os esclarecimentos são feitos exclusivamente nos autos do processo".

Jun 15, 2026 - 20:30
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União firma acordo para dar posse a servidora exonerada do Itamaraty após reprovar em banca racial

Candidata contestada em banca racial pode perder cargo no Itamaraty O governo federal anunciou nesta segunda-feira (15) que firmou um acordo para garantir a posse da candidata autodeclarada negra Flávia Medeiros, de 29 anos, aprovada no concurso para oficial de chancelaria do Ministério das Relações Exteriores. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Em maio, o g1 mostrou que Flávia foi exonerada do cargo por ter sido excluída das cotas raciais do concurso (veja mais detalhes abaixo). Na época, a banca do Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe) argumentou que ela tinha "pele clara, cabelo lisos e traços finos" — ou seja, características incompatíveis com a autodeclaração racial. O acordo foi firmado pela Advocacia-Geral da União (AGU) e ainda terá de ser homologado pela Justiça. Ele prevê que: Flávia Medeiros será nomeada e tomará posse no cargo, a partir da data da nova publicação e sem retroativos; em troca, Flávia também abre mão de eventuais pedidos de indenização ou reparação moral em relação ao processo até aqui; o processo na Justiça é encerrado, e todos os recursos ou pendências ficam prejudicados. Segundo o advogado-geral da União, Jorge Messias, a conciliação "preserva a legalidade, preserva a constitucionalidade e corrige uma rota que estava indo pela direção equivocada". Em material divulgado pelo governo, o ministro afirmou também que o governo federal deverá promover uma "profunda reflexão" sobre o processo atual das cotas, que prevê uma banca de heteroidentificação para avaliar a declaração racial dos candidatos Entenda A candidata autodeclarada negra Flávia Medeiros, de 29 anos, aprovada no concurso para oficial de chancelaria do Itamaraty, foi exonerada após ter sido reprovada pela banca de heteroidentificação (veja imagem abaixo). A exoneração foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), um mês e 20 dias depois que ela tomou posse. Flávia Medeiros, à esqueda com 29 anos, e à direita quando era criança Arquivo pessoal/Reprodução Apesar de uma decisão judicial inicial ter permitido a posse, um desembargador entendeu que ela não poderia ter assumido a vaga sem que o processo tivesse terminado. Flávia entrou com recurso, mas não há previsão de julgamento. A candidata passou no concurso em 2024, mas foi excluída das cotas raciais. O argumento da banca, o Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), foi de que ela tinha "pele clara, cabelo lisos e traços finos" — ou seja, características incompatíveis com a autodeclaração racial. A defesa de Flávia afirma que vai pedir urgência para análise do caso. "O nosso escritório já interpôs um recurso que visa justamente que o desembargador altere o seu entendimento e, diante dessa exoneração que foi publicada hoje, o elemento de urgência para a análise ganha ainda mais relevância", diz a advogada Stéphanie de Sá. "É importante também destacar que a decisão negativa que foi proferida sequer versa a respeito da heteroidentificação. Então a Flávia ainda segue tendo uma decisão favorável vigente determinando que o indeferimento da heteroidentificação foi equivocado e isso também é um elemento muito forte pra que a gente tente essa reforma da decisão proferida pelo Tribunal e que a Flávia não seja ainda mais prejudicada", pontua a defesa. Candidata autodeclarada negra é exonerada do Itamaraty Reprodução Procurado pela reportagem, o Cebraspe informou que "os questionamentos da candidata são tratados no âmbito de ação judicial e, por essa razão, os esclarecimentos são feitos exclusivamente nos autos do processo".