A farra dos jogadores estrangeiros vai terminar antes de 2030

Os clubes esticaram a corda e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), por razões políticas, aceitou: o limite de estrangeiros que era de cinco jogadores, passou para nove. Com o tempo, os dois sentiram que a corda está arrebentando. Os clubes, sob pretexto de custo benefício dos estrangeiros e com medo da Lei Pelé, retardam […]

Set 22, 2026 - 20:00
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A farra dos jogadores estrangeiros vai terminar antes de 2030

Os clubes esticaram a corda e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), por razões políticas, aceitou: o limite de estrangeiros que era de cinco jogadores, passou para nove. Com o tempo, os dois sentiram que a corda está arrebentando.

Os clubes, sob pretexto de custo benefício dos estrangeiros e com medo da Lei Pelé, retardam ou ignoram a formação de jovens. Está provado que o custo baixo do estrangeiro não traz tanto benefício. A regra geral é de jogadores de nível baixo, a exceção são jogadores do nível de Arrascaeta, Gustavo Gómez e Viveros, por exemplo.

Para ilustrar esse ponto, tome como exemplo o Flamengo. No time que lidera o Brasileirão, não há um único jogador revelado na Gávea que ostenta a condição de titular.

Entre nós, o Athletico, com formação profissional completa, e assim mesmo em razão das suas qualidades naturais, o zagueiro Arthur Dias e o meia João Cruz são titulares. A evolução de Dudu foi brecada pela presença incomoda do fraco colombiano Portilla. O Coritiba, pelas mesmas razões, há tempo limita-se ao goleiro Pedro Morisco e ao meia Lucas Ronier.

A consequência da farra de estrangeiros repercutiu na seleção brasileira, daí entra a CBF. Os jovens que são negociados não têm ainda a formação brasileira completa. Na Europa, são obrigados à adotar as lições de uma escola que se afasta da brasileira.

O incentivo à base não se limita ao investimento financeiro. Não adianta investir em estrutura, em olheiros e na aquisição de jovens apenas com o objetivo de negócio, desprezando o projeto esportivo no clube formador. Bem por isso, e aí surge a causa tão importante quanto ao dinheiro, tem que dar consciência ao jovem de que o seu futuro inicial é no clube que o revelou.

Mas há uma outra decisão relevante. O número de jogadores inscritos continuará sendo 50, mas divididos entre jogadores sub-23 e acima de 23. Com isso, a CBF evitará que os clubes contratem jogadores pelo critério de “oportunidade de mercado”, fato que também impede o aproveitamento de jogadores da base. Entre nós, o Coritiba é um bom exemplo ao inchar a sua lista com base na experiência de Maicon (38), Moledo (38), Bruno Melo (33), Keno (37) e Thiago Santos (37).

Embora o termo final para a redução a cinco jogadores seja em 2030, os clubes irão antecipar-se. Para não correrem riscos de prejuízo financeiro e técnico, a partir de 2027, terão de que adotar um critério mais puro de avaliação para contratar estrangeiro. Não poderão chegar à 2029 com os oito possíveis, pois restando apenas um ano, a suposta sobra entrará no regime de desvalorização absoluta.

O fim da farra dos jogadores estrangeiros e a obrigação de dar formação completa para os jovens, o que implica em jogar, pode aumentar uma outra farra: a dos empresários.
É o próximo tema.

Augusto Mafuz – leia o perfil completo

Há mais de quatro décadas, o jornalista Augusto Mafuz interpreta como poucos a alma do povo atleticano em crônicas diárias movidas por loucura, conflito e emoção. A frase de um velho dito entre torcedores resume sua importância: quando estourava uma crise no Athletico, a saída era “ler o Mafuz para saber o que a gente está pensando sobre isso”.

Mafuz Antonio Abrão nasceu em Guarapuava, em 11 de maio de 1949, três dias antes da primeira das 11 vitórias consecutivas do Furacão. Chegou a Curitiba aos 17 anos e bateu à porta da Rádio Guairacá. Em 1968, iniciou como repórter de campo e, dois anos depois, escreveu textos históricos sobre o título do Athletico na Tribuna do Paraná, onde é colunista desde 1977.

Polêmico vocacional e bem-informado dos bastidores do futebol, Mafuz esconde, sob a pena perfurocortante, um homem doce e generoso. Amigo de infância de Carneiro Neto, segue em atividade no podcast Carneiro & Mafuz, provando que sua crônica continua em pé de guerra. Clique aqui e leia todas as colunas de Augusto Mafuz.

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