Apontado por indisciplina por ex-técnico, Leozinho perde espaço no Athletico

Sem jogar há mais de um mês pelo Athletico, o atacante Leozinho foi acusado de indisciplina pelo ‘mister' Ricardinho, bicampeão mundial como técnico de futsal do Magnus, também conhecido como Sorocaba. Em entrevista ao comentarista Alê Oliveira nesta semana, o ex-treinador expôs pela primeira vez que teve problemas gerados por indisciplina de Leozinho. Apesar disso, […]

Mar 26, 2026 - 17:00
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Apontado por indisciplina por ex-técnico, Leozinho perde espaço no Athletico

Sem jogar há mais de um mês pelo Athletico, o atacante Leozinho foi acusado de indisciplina pelo ‘mister’ Ricardinho, bicampeão mundial como técnico de futsal do Magnus, também conhecido como Sorocaba. Em entrevista ao comentarista Alê Oliveira nesta semana, o ex-treinador expôs pela primeira vez que teve problemas gerados por indisciplina de Leozinho. Apesar disso, afirmou que tem um carinho pelo atleta, que foi seu comandado de 2018 a 2022.

“Eu nunca falei sobre isso, para ninguém. O Leozinho é um talento. Tirando o Leandro Lino, que é um craque absurdo, e o Falcão, que eu não ponho [na discussão], o Leozinho foi o mais talentoso que eu já trabalhei. Ele sabe o que foi. A gente pegou ele na peneira, ele veio com o empresário, ele passou e a gente aprovou. Ele tem uma coisa que eu adoro nele: personalidade. Mas tem coisas na vida que tem que saber ter o respeito. Eu trabalhei quatro anos com o Léo e já tinha acontecido vários momentos de indisciplina dele”, apontou.

Para se ter noção da história de Ricardinho, também ex-atleta nas quadras, o comandante soma 46 campeonatos disputados com o Sorocaba. São 37 finais alcançadas e 26 títulos conquistados, sendo, entre eles, uma Liga Nacional (2020), dois Mundiais (2018 e 2019), três Paulistas (2020, 2021 e 2023), três Supercopas (2018, 2021 e 2024), uma Copa do Brasil (2023) e a Libertadores (2023/2024). Um dos títulos mundiais, inclusive, foi com gol de Leozinho.

“Eu sempre quis ajudar ele e ele sabe disso. Ele pegava o carro de madrugada, ia para o Rio e eu ligava para ele. ‘Você chegou?’. Filho mesmo. Na final do Mundial, nós estávamos perdendo para o Boca. Eu tirei ele e ele me falou: ‘Rica, me põe que eu vou fazer o gol’. 19 anos. Falei: ‘Leo, você vai tomar água e entrar’. Ele entrou, meteu a bola na gaveta, me abraçou e fomos campeões do mundo. Tinha um amor, um carinho de pai para filho mesmo”, aponta Ricardinho.

Contudo, um episódio marcante em Foz do Iguaçu serviu como estopim para estremecer a relação. Conforme o treinador, foi uma cobrança feita por Ricardinho a respeito de uma carretilha feita por Leozinho na quadra.


“Nós estávamos em Foz. Entramos no vestiário e fui cobrar o Danilo Baron. Ele, de manhã, estava brincando. O Léo despirocava. Dois minutos e a chavinha dele virava. E a gente sempre tentando, vamos segurar. Aí teve esse dia, que fui cobrar o Danilo antes e aí fui cobrar o Leozinho. De uma forma natural, tranquila mesmo. Quando eu estou errado, eu falo. Uma cobrança de vestiário em um lance que ele foi dar uma carretilha e não tinha necessidade. Do nada ele explodiu”, contou.


Anos depois do rompimento, Ricardinho disse que não se arrepende de tudo que aconteceu, já que os técnicos têm um limite e “não conseguem mais bater de frente”, mas reconhece que todo o desgaste poderia ter sido melhor cuidado com o decorrer do tempo.

“Eu acho que a condução do Leozinho poderia sido contornada não só pelo treinador. Tem hora que o treinador não consegue mais bater de frente. O nosso ambiente [no Magnus] é maravilhoso. Poderia ter sido diferente a condução, só que também era um cara difícil de se aproximar. Ele tinha um empresário, não era só o Leo. Quando você é gerido por outra pessoa, também é influenciado. Naquele momento, eu não agiria diferente ali porque eu não fiz nada. Eu fiz uma cobrança, como eu faço até muito pior. Eu sou chato pra cacete. Não de xingar, mas de cobrança. Eu quero que o cara cresça”, completou.

Leozinho também teve problemas com técnico da seleção brasileira

Não foi só com Ricardinho que Leozinho teve problemas. Na entrevista, o mister e Alê Oliveira lembraram também que o ala teve dificuldades com Marquinhos Xavier, técnico da seleção brasileira de futsal.

“O Marquinhos também não tolerou muito essa parte dele, meio bipolar. De responder e não respeitar a hierarquia”, disse Alê Oliveira. “Não posso falar porque eu não estava lá. Não perguntei para ninguém e não pergunto. Mas você percebe, vê que aconteceu alguma coisa lá, alguma coisa disciplinar foi para não estar jogando lá. Mas é uma pena. É um talento e tem minha gratidão, porque minha história é atrelada a ele”, respondeu Ricardinho.

Além disso, o mister ainda destacou que chegou a oferecer terapia para o atual atacante do Athletico.

“Quando ele saiu da seleção com aquele problema com o Marquinhos, eu chamei ele e falei: ‘Léo, vem cá, eu não quero saber do que aconteceu. Eu quero te ajudar. Você quer fazer uma terapia, alguma coisa? Eu pago. Ninguém precisa saber. Eu quero te ajudar. Você, hoje, é uma referência. Tem tudo que o todo mundo quer. Você veio da periferia do Rio, é craque, jogador de rua e joga bem. Mas tem ter cabeça para lidar'”, recordou.


Leozinho fica para trás e perde espaço no ataque do Athletico

Leozinho, atacante do Athletico. (Foto: Reinaldo Reginato/Fotoarena/Sipa USA/Icon Sport).

Um dos reforços para a Série B em 2025, Leozinho fez 32 jogos, com três gols e duas assistências. Mesmo não tendo sido titular absoluto, o atacante foi importante e bastante acionado pelo técnico Odair Hellmann ao longo da campanha do acesso, que terminou com o jogador suspenso e assistindo ao duelo decisivo, na Arena da Baixada, no meio da torcida organizada Os Fanáticos.

Com contrato até o final de 2026, Leozinho não tem conseguido convencer Odair neste início de temporada. São apenas seis jogos, sendo somente um como titular (com o time de aspirantes, comandado por João Correia), e um gol marcado. Para se ter noção, a última vez que esteve em campo foi no dia 25 de fevereiro, na única vez que disputou a Série A do Brasileirão. Ele entrou aos 44 minutos do segundo tempo do empate por 1 a 1 contra o Red Bull Bragantino, pela quarta rodada.

Além disso, Leozinho irritou a torcida quando tentou uma lambreta na eliminação do Furacão diante do Londrina, na semifinal do Estadual. Desde então, Leozinho vem amargando o banco de reservas e ficou para trás na disputa por minutos em campo. Odair forma o trio de ataque com Steven Mendoza, Julimar e Kevin Viveros, sendo que os jovens Felipe Chiqueti e Bruninho, revelados na base, têm tido mais minutos.

A próxima oportunidade para Leozinho ter uma nova chance é neste fim de semana. O Athletico encara o Botafogo neste domingo (29), às 19h30, na Arena da Baixada, em Curitiba, em jogo atrasado pela quinta rodada do Brasileirão.

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