Candidata contestada em banca racial corre risco de perder cargo após tomar posse no Itamaraty

Flávia Medeiros, à esqueda com 29 anos, e à direita quando era criança Arquivo pessoal/Reprodução A candidata autodeclarada negra Flávia Medeiros, de 29 anos, aprovada no concurso para oficial de chancelaria do Palácio Itamaraty, corre o risco de perder o cargo após ter sido reprovada pela banca de heteroidentificação (entenda abaixo). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Flávia passou no concurso em 2024, mas foi excluída das cotas raciais. O argumento da banca, o Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), foi de que ela tinha "pele clara, cabelo lisos e traços finos" — ou seja, características incompatíveis com a autodeclaração racial. A candidata chegou a entrar com recurso, mas foi indeferido pela banca. Então, ela entrou na Justiça Federal, apresentou documentação, histórico acadêmico e provas fotográficas; A Justiça reconheceu inconsistência da decisão da banca, garantindo o retorno de Flávia ao concurso durante todas as etapas do processo. Com base nessa decisão, ela foi aprovada no curso de formação e tomou posse no Itamaraty; No entanto, quando o processo de Flávia foi para a 2ª instância, um juiz entendeu que ela não poderia ter assumido a vaga, já que a primeira decisão falava apenas da permanência dela no concurso, e não especificamente da posse; Por causa disso, o desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) anulou a decisão anterior que havia dado a Flávia o direito de seguir no certame. Como ela já tomou posse, sua exoneração deve sair do Diário Oficial da União (DOU). ➡️ O g1 tenta contato com o TRF1 e com o Itamaraty. Procurado pela reportagem, o Cebraspe informou que "os questionamentos da candidata são tratados no âmbito de ação judicial e, por essa razão, os esclarecimentos são feitos exclusivamente nos autos do processo".

Mai 21, 2026 - 02:30
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Candidata contestada em banca racial corre risco de perder cargo após tomar posse no Itamaraty

Flávia Medeiros, à esqueda com 29 anos, e à direita quando era criança Arquivo pessoal/Reprodução A candidata autodeclarada negra Flávia Medeiros, de 29 anos, aprovada no concurso para oficial de chancelaria do Palácio Itamaraty, corre o risco de perder o cargo após ter sido reprovada pela banca de heteroidentificação (entenda abaixo). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Flávia passou no concurso em 2024, mas foi excluída das cotas raciais. O argumento da banca, o Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), foi de que ela tinha "pele clara, cabelo lisos e traços finos" — ou seja, características incompatíveis com a autodeclaração racial. A candidata chegou a entrar com recurso, mas foi indeferido pela banca. Então, ela entrou na Justiça Federal, apresentou documentação, histórico acadêmico e provas fotográficas; A Justiça reconheceu inconsistência da decisão da banca, garantindo o retorno de Flávia ao concurso durante todas as etapas do processo. Com base nessa decisão, ela foi aprovada no curso de formação e tomou posse no Itamaraty; No entanto, quando o processo de Flávia foi para a 2ª instância, um juiz entendeu que ela não poderia ter assumido a vaga, já que a primeira decisão falava apenas da permanência dela no concurso, e não especificamente da posse; Por causa disso, o desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) anulou a decisão anterior que havia dado a Flávia o direito de seguir no certame. Como ela já tomou posse, sua exoneração deve sair do Diário Oficial da União (DOU). ➡️ O g1 tenta contato com o TRF1 e com o Itamaraty. Procurado pela reportagem, o Cebraspe informou que "os questionamentos da candidata são tratados no âmbito de ação judicial e, por essa razão, os esclarecimentos são feitos exclusivamente nos autos do processo".