Cartão corporativo do Coritiba chegou a ser usado para compra de roupas, revela ex-funcionário

O Coritiba passou por uma mudança significativa na gestão de cartões de créditos corporativos em 2025. O clube do Alto da Glória identificou até compras de roupas antes de mudar os procedimentos, segundo informações publicadas do ge.globo nesta sexta-feira (24). A reportagem aborda como os clubes brasileiros utilizam os cartões após escândalos com ex-presidentes do […]

Jul 24, 2026 - 19:00
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Cartão corporativo do Coritiba chegou a ser usado para compra de roupas, revela ex-funcionário

O Coritiba passou por uma mudança significativa na gestão de cartões de créditos corporativos em 2025. O clube do Alto da Glória identificou até compras de roupas antes de mudar os procedimentos, segundo informações publicadas do ge.globo nesta sexta-feira (24). A reportagem aborda como os clubes brasileiros utilizam os cartões após escândalos com ex-presidentes do Corinthians e São Paulo neste ano.

Pedro Menezes deixou o Alviverde em maio deste ano, após dois anos e nove meses no clube, para ser funcionário da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Ele atuava como gerente de Suprimentos e Negócios no Coxa, onde percebeu que não existia muito controle nas compras feitas com 25 cartões corporativos espalhados por funcionários de diferentes áreas.

“Quando a gente analisou, encontramos até compras de roupas”, declarou Menezes ao ge.globo.

Para coibir o uso indevido dos cartões, o clube contratou a plataforma Paytrack, em que compras com valores menores são feitas com recursos dos própros funcionários e que são reembolsadas posteriormente. A partir disso, os gastos passaram a ser mais fiscalizados e os cartões corporativos foram praticamente extintos no Coritiba.

O único cartão corportativo ainda ativo no Alviverde está sob responsabilidade do departamento financeiro para compras de serviços que não aceitam outras formas de pagamento, como serviços por assinaturas, conforme as informações do ge.

“Os colaboradores têm uma conta digital. Por exemplo: a pessoa vai viajar e tem estimado um custo de R$ 10 mil. Então, o Coritiba deposita nessa conta digital os R$10 mil, e a pessoa vai utilizando os recursos via pix. Depois, precisa apresentar comprovantes para justificar essas compras”, completou Menezes, explicando como funciona o sistema no Coxa atualmente.

O UmDois Esportes entrou em contato com o Coritiba para obter mais informações, como qual mês que a plataforma Paytrack foi contratada, mas não obteve retorno até o momento da publicação.

Bandeira do Coritiba no Couto Pereira. (Foto: Divulgação).

Athletico e outros 10 clubes não responderam sobre o uso de cartões

A reportagem do ge.globo enviou questões sobre o uso de cartões de crédito corporativos, como quem usa e se há limites por compra ou fatura, aos 20 clubes da Série A do Brasileirão, mas obteve informações de apenas nove: Atlético-MG, Corinthians, Coritiba, Internacional, Palmeiras, Santos, São Paulo, Vasco e Vitória.

Ou seja, o Athletico, Bahia, Botafogo, Red Bull Bragantino, Chapecoense, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Mirassol e Remo não forneceram informações sobre essa gestão de cartões e limites.

Os escândalos dos cartões corporativos no Corinthians e no São Paulo

O uso de cartões de crédito por parte de dirigentes vem ganhando destaque por casos como de Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians que foi expulso do quadro de associados do clube pelo uso irregular do cartão corporativo. Além disso, ele também responde processos na Justiça após ser denunciado pelo Ministério Público.

No caso dele, foram identificados gastos de R$ 480.169,60, em valores corrigidos pela inflação e juros, indevidamente utilizados entre agosto de 2018 e fevereiro de 2021. Entre as compras feito pelo dirigente, estavam as compras de dois relógios de luxo e gastos em barbearia, churrascarias, duty free, farmácias, frigoríficos e até atendimento em hospital. Sanchez ainda teria utilizado o cartão corporativo do Corinthians em passeio de barco e restaurante em Tibau do Sul, cidade do Rio Grande do Norte onde costuma passar o Réveillon. Ele chegou a admitir o uso indevido, dizendo ter confundido o cartão corporativo com o pessoal, e chegou a ressarcir o clube em R$ 15 mil.

Outro caso é do ex-presidente do São Paulo, Julio Casares, que também pode ser expulso por gestão irregular. O dirigente são-paulino gastou mais de R$ 1 milhão durante o mandato, que foi de janeiro de 2021 até dezembro de 2025, e devolveu R$ 560.401,74 aos cofres do clube em novembro do no passado.

Os gastos revelados pelo ge.globo apontam que Casares usou o cartão corporativo 71 vezes na casa de charutos Esch Café e 53 vezes no restaurante Gero, ambos na capital paulista. Também foram feitas compras em lojas de grife, como a Prada, em uma viagem com a seleção brasileira para os Estados Unidos e até com cuidados pessoais, como endocrinologista e idas em salão de beleza. Em outra viagem para Londres, em 2024, o dirigente usou R$ 80.084,14 dos cofres do Tricolor.

Casares teve impeachment no Conselho Deliberativo em janeiro deste ano e renunciou ao cargo antes da Assembleia Geral. Além disso, é alvo de um pedido de expulsão na Câmara de Ética, que ainda não foi julgado, sendo que o Estatuto Social prevê expulsão para gestão irregular.

Para completar, o ex-presidente do São Paulo ainda é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público por outros dois casos durante a gestão. O primeiro se refere aos saques de quase R$ 7 milhões feitos pela presidência do São Paulo nos últimos anos, enquanto outra investigação apura a exploração clandestina de camarotes do Morumbis em shows. Nesse segundo caso estavam envolvidos Douglas Schwartzmann, ex-dirigente da base, e Mara Casares, ex-esposa de Julio Casares, que já foram expulsos do Conselho Deliberativo e do quadro associativo do clube.

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