Chegada das missões de jesuítas ao Sul do Brasil completa 400 anos
Chegada das missões de jesuítas ao Sul do Brasil completa 400 anos Quatrocentos anos atrás, missionários jesuítas chegaram ao Sul do Brasil. As ruínas das cidades que eles ergueram com os povos indígenas são hoje Patrimônio Cultural da Humanidade. As ruínas de São Miguel das Missões, no noroeste do Rio Grande do Sul, mostram a potência do encontro entre jesuítas e guaranis. “A gente fica surpreso com o tamanho, da magnitude aqui do espaço. Sente uma tranquilidade muito grande, porque é um silêncio, uma paz”, diz o administrador Newton Lemos Simões. A catedral de São Miguel do Arcanjo é reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco. A construção do século 18 é um símbolo dos Sete Povos das Missões, um conjunto de cidades fundadas por religiosos europeus e que formava as chamadas reduções jesuíticas, um modelo de catequização, onde milhares de indígenas e missionários viviam em comunidade. “Com essa situação de escravização do índio, da caça ao índio, quando eles chegam aqui no Rio Grande do Sul, em 1626, chegam também com o propósito de proteção ao indígena. E nós vamos ter aqui esse encontro de duas culturas: o guarani, que entende que é necessária essa proteção, e o padre jesuíta, que vai trazer o evangelho do Cristo, a catequização”, explica o historiador Valter Portalete. Chegada das missões de jesuítas ao Sul do Brasil completa 400 anos Jornal Nacional/ Reprodução Entre os rituais guaranis, tomar chimarrão é uma tradição que resistiu. “Toda vez que a gente levanta, a primeira coisa que a gente faz é esquentar a água, toma chimarrão e em volta a gente conta o nosso sonho. E alguém interpreta o nosso sonho na roda de chimarrão”, conta Patricia Ferreira, conselheira da Tekoa Koenjú. O churrasco também é herança indígena, mas a carne de caça deu lugar ao gado, trazido pelos jesuítas, junto com a lida campeira. “Introduz o gado, 1,5 mil cabeças, divide entre aquelas 18 reduções iniciais e ali, então, começa o processo de cuidar daquele gado. Junto com o gado, obviamente, entraram cavalos e entraram ovelhas”, conta o historiador José Roberto de Oliveira. Uma união que durou mais de 150 anos e que marca ainda hoje a identidade gaúcha. Uma tradição tão única como a harpa missioneira, mais uma herança do encontro entre jesuítas e guaranis. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Você sabia que uma província jesuítica que abrangia 4 países deu origem ao que é hoje o RS? Conheça a história das 'reduções' Missões Jesuíticas do RS celebram 400 anos com eventos culturais nas ruínas; conheça a história do local

Chegada das missões de jesuítas ao Sul do Brasil completa 400 anos Quatrocentos anos atrás, missionários jesuítas chegaram ao Sul do Brasil. As ruínas das cidades que eles ergueram com os povos indígenas são hoje Patrimônio Cultural da Humanidade. As ruínas de São Miguel das Missões, no noroeste do Rio Grande do Sul, mostram a potência do encontro entre jesuítas e guaranis. “A gente fica surpreso com o tamanho, da magnitude aqui do espaço. Sente uma tranquilidade muito grande, porque é um silêncio, uma paz”, diz o administrador Newton Lemos Simões. A catedral de São Miguel do Arcanjo é reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco. A construção do século 18 é um símbolo dos Sete Povos das Missões, um conjunto de cidades fundadas por religiosos europeus e que formava as chamadas reduções jesuíticas, um modelo de catequização, onde milhares de indígenas e missionários viviam em comunidade. “Com essa situação de escravização do índio, da caça ao índio, quando eles chegam aqui no Rio Grande do Sul, em 1626, chegam também com o propósito de proteção ao indígena. E nós vamos ter aqui esse encontro de duas culturas: o guarani, que entende que é necessária essa proteção, e o padre jesuíta, que vai trazer o evangelho do Cristo, a catequização”, explica o historiador Valter Portalete. Chegada das missões de jesuítas ao Sul do Brasil completa 400 anos Jornal Nacional/ Reprodução Entre os rituais guaranis, tomar chimarrão é uma tradição que resistiu. “Toda vez que a gente levanta, a primeira coisa que a gente faz é esquentar a água, toma chimarrão e em volta a gente conta o nosso sonho. E alguém interpreta o nosso sonho na roda de chimarrão”, conta Patricia Ferreira, conselheira da Tekoa Koenjú. O churrasco também é herança indígena, mas a carne de caça deu lugar ao gado, trazido pelos jesuítas, junto com a lida campeira. “Introduz o gado, 1,5 mil cabeças, divide entre aquelas 18 reduções iniciais e ali, então, começa o processo de cuidar daquele gado. Junto com o gado, obviamente, entraram cavalos e entraram ovelhas”, conta o historiador José Roberto de Oliveira. Uma união que durou mais de 150 anos e que marca ainda hoje a identidade gaúcha. Uma tradição tão única como a harpa missioneira, mais uma herança do encontro entre jesuítas e guaranis. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Você sabia que uma província jesuítica que abrangia 4 países deu origem ao que é hoje o RS? Conheça a história das 'reduções' Missões Jesuíticas do RS celebram 400 anos com eventos culturais nas ruínas; conheça a história do local

