Concurso para escolha do nome, ameaça de morte e participação de prefeito do Rio: veja curiosidades sobre a fundação de Goiânia, que completa 93 anos

Veja curiosidades sobre a fundação de Goiânia, que completa 93 anos Goiânia completa 93 anos neste sábado (24), mas muitos detalhes curiosos sobre a transferência da nova capital de Goiás ainda são desconhecidos. Um concurso para escolha do nome da cidade, ameaças de morte contra os entusiastas da transferência da sede do governo e até a participação de um prefeito do Rio de Janeiro no projeto da capital estão entre os fatos que tornam única a história de Goiânia. Ao g1, a escritora, historiadora e urbanista, Maria Narcisa de Abreu, contou que houve resistência durante a discussão da mudança da capital na cidade de Goiás. Políticos e moradores não concordavam com a mudança na época em que o projeto começou a ser idealizado. "Esses personagens recebiam até bilhete de ameaça de morte. Eu senti isso depois de uma visita que fui fazer a Goiás em pesquisa, porque aí que eu senti o peso, a luta que eles tinham contra a mudança da capital", destacou Narcisa. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Ainda de acordo com Narcisa, a pressão era tamanha que um prédio foi erguido na nova capital em cerca de dois meses como caráter de urgência, na Avenida Tocantins com a Rua 12, no Centro, onde foi assinado o decreto da transferência da capital. "Lá que ocorreu a assinatura do decreto de mudança definitiva porque a cidade de Goiás rebelou muito contra a mudança". De acordo com informações do Poder Legislativo de Goiás, o prédio em questão foi a primeira sede da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) em Goiânia. Vista da cidade de Goiânia, em Goiás Wildes Barbosa/O Popular Escolha do nome O batismo de Goiânia é marcado por uma história curiosa. De acordo com os historiadores, dois nomes participaram de um concurso do jornal "O Social", em 1933, sendo eles: Petrônia — uma homenagem a Pedro Ludovico, os imperadores Dom Pedro I e II, e o discípulo de Jesus, Pedro; Goiânia — sugerido pelo professor Alfredo de Faria Castro e significava "Nova Goiás". Club de Engenharia de Goiás discutia preparativos para inauguração de Goiânia, em 1942 Jornal Nação Brasileira (RJ)/Arquivo de Ubirajara Galli O fato curioso é que Petrônia foi o nome vencedor do concurso, com mais de 100 votos, contra 10 para Goiânia. Mesmo assim, Ludovico escolheu Goiânia para batizar a capital. Não há arquivos históricos claros sobre o motivo da decisão, mas, o escritor e pesquisador José Ubirajara Galli Vieira afirma que Pedro Ludovico tinha características de um homem humilde e que não almejava ser homenageado. "Ele não era assim. Era idealista e, sobretudo, de um senso de honestidade que bate o século, como um exemplo fantástico de retidão, honestidade. Então eu acredito que daí veio essa opção de Goiânia. Eu acho que caiu bem mesmo", disse. Início do projeto Avenida Goiás na década de 1950 em Goiânia, Goiás Sílvio Berto/Acervo MIS|GO De acordo com Narcisa, o pontapé inicial para o projeto de Goiânia foi no Rio de Janeiro. O estado serviu como um grande laboratório durante a gestão do prefeito Antônio da Silva Prado Júnior, entre 1926 e 1930, após ele ter implantado o Plano de Remodelação do Rio de Janeiro, que trouxe a região carioca projetos modernos de urbanismo inspirado no exterior, como a Art Déco, da França. Antônio conhecia a cultura francesa e figuras importantes, como o próprio Santos Dumont, inventor do avião, frequentava a alta sociedade de Paris, contou a historiadora. Narcisa destacou que Antônio legitimou a vinda do arquiteto francês Alfred Agache ao Brasil, que foi figura importante no trabalho de renovação carioca. Inspirado pelo projeto implantado no Rio, Pedro Ludovico chegou a convidar Agache para visitar a terra que daria espaço à capital, junto ao urbanista Armando de Godoy. "Alfred Agache chegou a pisar em solo goiano a convite de Pedro Ludovico. E naquela época, veio também Armando de Godoy", destacou a escritora. Av. Anhanguera na década de 1960 em Goiânia, Goiás Alois Feichtenberger/Acervo MIS|GO Embora Agache tenha sido convidado para o projeto da capital, ele não chegou a participar da obra. Mas Agacha acabou contribuindo de outra forma, já que ele foi o fundador da sociedade de urbanistas franceses e, por recomendação do grupo, Attilio Corrêa Lima assumiu a responsabilidade da obra. Do grupo veio grande parte de uma das influências mais importantes de Goiânia: a Art Déco. Assim como no Rio, o estilo também foi aplicado em várias áreas do projeto da nova capital. LEIA TAMBÉM: Shows de Sandra de Sá, Murilo Huff e Zeca Baleiro: veja programação gratuita em comemoração ao aniversário de Goiânia 'Cápsula literária': filhos de pioneiros registram história do Centro de Goiânia em série de livros para garantir legado Livros sobre ruas do Centro resgatam memórias de famílias pioneiras de Goiânia Arborização de Goiânia: uma influência alemã Tanto o projeto quanto a mudança da capital contaram com a forte presença do interventor federal Pedro Ludovico Teixeira.

Out 24, 2026 - 04:30
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Concurso para escolha do nome, ameaça de morte e participação de prefeito do Rio: veja curiosidades sobre a fundação de Goiânia, que completa 93 anos

Veja curiosidades sobre a fundação de Goiânia, que completa 93 anos Goiânia completa 93 anos neste sábado (24), mas muitos detalhes curiosos sobre a transferência da nova capital de Goiás ainda são desconhecidos. Um concurso para escolha do nome da cidade, ameaças de morte contra os entusiastas da transferência da sede do governo e até a participação de um prefeito do Rio de Janeiro no projeto da capital estão entre os fatos que tornam única a história de Goiânia. Ao g1, a escritora, historiadora e urbanista, Maria Narcisa de Abreu, contou que houve resistência durante a discussão da mudança da capital na cidade de Goiás. Políticos e moradores não concordavam com a mudança na época em que o projeto começou a ser idealizado. "Esses personagens recebiam até bilhete de ameaça de morte. Eu senti isso depois de uma visita que fui fazer a Goiás em pesquisa, porque aí que eu senti o peso, a luta que eles tinham contra a mudança da capital", destacou Narcisa. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Ainda de acordo com Narcisa, a pressão era tamanha que um prédio foi erguido na nova capital em cerca de dois meses como caráter de urgência, na Avenida Tocantins com a Rua 12, no Centro, onde foi assinado o decreto da transferência da capital. "Lá que ocorreu a assinatura do decreto de mudança definitiva porque a cidade de Goiás rebelou muito contra a mudança". De acordo com informações do Poder Legislativo de Goiás, o prédio em questão foi a primeira sede da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) em Goiânia. Vista da cidade de Goiânia, em Goiás Wildes Barbosa/O Popular Escolha do nome O batismo de Goiânia é marcado por uma história curiosa. De acordo com os historiadores, dois nomes participaram de um concurso do jornal "O Social", em 1933, sendo eles: Petrônia — uma homenagem a Pedro Ludovico, os imperadores Dom Pedro I e II, e o discípulo de Jesus, Pedro; Goiânia — sugerido pelo professor Alfredo de Faria Castro e significava "Nova Goiás". Club de Engenharia de Goiás discutia preparativos para inauguração de Goiânia, em 1942 Jornal Nação Brasileira (RJ)/Arquivo de Ubirajara Galli O fato curioso é que Petrônia foi o nome vencedor do concurso, com mais de 100 votos, contra 10 para Goiânia. Mesmo assim, Ludovico escolheu Goiânia para batizar a capital. Não há arquivos históricos claros sobre o motivo da decisão, mas, o escritor e pesquisador José Ubirajara Galli Vieira afirma que Pedro Ludovico tinha características de um homem humilde e que não almejava ser homenageado. "Ele não era assim. Era idealista e, sobretudo, de um senso de honestidade que bate o século, como um exemplo fantástico de retidão, honestidade. Então eu acredito que daí veio essa opção de Goiânia. Eu acho que caiu bem mesmo", disse. Início do projeto Avenida Goiás na década de 1950 em Goiânia, Goiás Sílvio Berto/Acervo MIS|GO De acordo com Narcisa, o pontapé inicial para o projeto de Goiânia foi no Rio de Janeiro. O estado serviu como um grande laboratório durante a gestão do prefeito Antônio da Silva Prado Júnior, entre 1926 e 1930, após ele ter implantado o Plano de Remodelação do Rio de Janeiro, que trouxe a região carioca projetos modernos de urbanismo inspirado no exterior, como a Art Déco, da França. Antônio conhecia a cultura francesa e figuras importantes, como o próprio Santos Dumont, inventor do avião, frequentava a alta sociedade de Paris, contou a historiadora. Narcisa destacou que Antônio legitimou a vinda do arquiteto francês Alfred Agache ao Brasil, que foi figura importante no trabalho de renovação carioca. Inspirado pelo projeto implantado no Rio, Pedro Ludovico chegou a convidar Agache para visitar a terra que daria espaço à capital, junto ao urbanista Armando de Godoy. "Alfred Agache chegou a pisar em solo goiano a convite de Pedro Ludovico. E naquela época, veio também Armando de Godoy", destacou a escritora. Av. Anhanguera na década de 1960 em Goiânia, Goiás Alois Feichtenberger/Acervo MIS|GO Embora Agache tenha sido convidado para o projeto da capital, ele não chegou a participar da obra. Mas Agacha acabou contribuindo de outra forma, já que ele foi o fundador da sociedade de urbanistas franceses e, por recomendação do grupo, Attilio Corrêa Lima assumiu a responsabilidade da obra. Do grupo veio grande parte de uma das influências mais importantes de Goiânia: a Art Déco. Assim como no Rio, o estilo também foi aplicado em várias áreas do projeto da nova capital. LEIA TAMBÉM: Shows de Sandra de Sá, Murilo Huff e Zeca Baleiro: veja programação gratuita em comemoração ao aniversário de Goiânia 'Cápsula literária': filhos de pioneiros registram história do Centro de Goiânia em série de livros para garantir legado Livros sobre ruas do Centro resgatam memórias de famílias pioneiras de Goiânia Arborização de Goiânia: uma influência alemã Tanto o projeto quanto a mudança da capital contaram com a forte presença do interventor federal Pedro Ludovico Teixeira.