Corregedoria da PM conclui que soldado teve intenção de matar mulher durante abordagem na Zona Leste de SP

Mulher morre baleada pela PM. Reprodução A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo concluiu que a soldado Yasmin Cursino Ferreira teve intenção de matar Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, durante uma abordagem em Cidade Tiradentes, na Zona Leste da capital, em abril deste ano. A investigação aponta indícios claros de homicídio doloso qualificado e afirma não haver elementos que configurem legítima defesa. Yasmin atirou uma vez contra Thawanna, que estava desarmada. Segundo as informações da Corregedoria, a mulher permaneceu por cerca de meia hora no chão à espera do Samu. As imagens das câmeras corporais dos policiais foram consideradas fundamentais para a apuração (veja mais detalhes abaixo). A soldado está afastada do cargo desde o episódio. O relatório final da investigação foi enviado à Justiça Militar. O relatório do Inquérito Policial Militar concluído em 1º de junho já apontava indícios de autoria e materialidade de homicídio. Segundo o documento, Yasmin efetuou um disparo que atingiu Thawanna na região do abdome, provocando a morte horas depois. A investigação também apontou problemas na forma como a força foi empregada. Para a encarregada do IPM, não havia elementos que demonstrassem risco iminente à vida que justificasse o uso da força letal. O relatório afirma ainda que não ficou demonstrada uma atuação progressiva antes do disparo e aponta inadequação, falta de necessidade e desproporcionalidade no uso da força. O documento registra que a versão apresentada pela PM era de legítima defesa. Conforme o relato incorporado ao inquérito, Thawanna teria dado um tapa no rosto da policial e avançado em sua direção durante um confronto físico. A versão afirma que Yasmin tentou afastá-la antes de disparar. Os depoimentos, porém, apresentaram versões diferentes. Uma testemunha afirmou que a discussão teria começado pela policial e relatou que Yasmin teria agredido Thawanna antes de receber o tapa. Segundo esse depoimento, a PM deu dois passos para trás e efetuou o disparo sem dar ordem verbal. O inquérito analisou, entre outras provas, imagens das câmeras operacionais, laudos necroscópico, de levantamento do local, de disparo de arma de fogo e de lesão corporal da policial. O relatório também apontou indícios de transgressão disciplinar contra o policial Weden Silva Soares por descumprimento do procedimento de abordagem de pessoa a pé. A investigação, no entanto, afirmou não haver indícios de crime militar ou comum contra ele. Entenda o caso A moradora de São Paulo Thawanna Salmázio, de 31 anos e que morreu após ser baleada por uma policial militar em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, era mãe de cinco filhos, com idades entre 5 e 13 anos, e trabalhava como ajudante-geral. A morte dela ocorreu durante uma confusão com policiais militares na madrugada de 3 de abril. Thawanna e o companheiro, Luciano Gonçalvez dos Santos, estavam caminhando quando uma viatura da PM em patrulhamento passou pela rua, e o braço de Luciano esbarrou no veículo. O policial que conduzia o veículo deu ré e questionou o casal sobre andar na rua. A câmera corporal de um policial militar registrou que Thawanna não encostou no retrovisor da viatura nem iniciou nenhuma agressão antes de ser baleada pela policial Yasmin Cursino Ferreira, que atirou e matou a vítima (veja mais abaixo). Thawanna esperou mais de 30 minutos por resgate, apesar de haver bases do Corpo de Bombeiros a poucos minutos do local do disparo. Em 10 de abril, o Instituto Médico Legal (IML) emitiu o atestado de óbito, que aponta hemorragia interna aguda como causa da morte. Socorristas ouvidos pela TV Globo afirmam que a demora no resgate contribuiu diretamente para o agravamento do quadro, já que o ferimento não foi estancado nos primeiros minutos após o tiro. À época, a família disse que o sentimento era de revolta. "Policial despreparada, porque se a policial tivesse preparo, ela teria imobilizado a minha irmã, tinha contido, tinha algemado, tinha levado presa, entendeu? Mas a policial preferiu dar um um passo para trás e matar a minha irmã. A minha irmã não oferecia perigo nenhum. A única coisa que a minha irmã fez foi enfiar o dedo na cara da policial e dizer que ela estava errada. Só isso. O dedo de uma pessoa é uma arma? Ela ia matar a policial apontando o dedo? Eu acho que não", afirmou Daiana Martins, irmã de Thawanna. E complementou: "A polícia matou uma pessoa incrível, tirou a chance de vida da minha irmã. A minha irmã tinha uma vida toda, tinha 31 anos. Ela tinha começado a viver. E os filhos dela? Quem vai suprir a necessidade dos filhos agora? Não há indenização futura que pague a dor dos filhos, da ausência da mãe". Imagens e depoimentos Mulher morta por PM: veja contradições entre depoimentos de agentes e imagens de câmera co As imagens da câmera corporal e os depoimentos dos policiais militares envolvidos na ação, que terminou com a morte de Thawanna, apresentam contradições. A TV Globo analisou as imagens e os depoimen

Set 14, 2026 - 23:00
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Corregedoria da PM conclui que soldado teve intenção de matar mulher durante abordagem na Zona Leste de SP

Mulher morre baleada pela PM. Reprodução A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo concluiu que a soldado Yasmin Cursino Ferreira teve intenção de matar Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, durante uma abordagem em Cidade Tiradentes, na Zona Leste da capital, em abril deste ano. A investigação aponta indícios claros de homicídio doloso qualificado e afirma não haver elementos que configurem legítima defesa. Yasmin atirou uma vez contra Thawanna, que estava desarmada. Segundo as informações da Corregedoria, a mulher permaneceu por cerca de meia hora no chão à espera do Samu. As imagens das câmeras corporais dos policiais foram consideradas fundamentais para a apuração (veja mais detalhes abaixo). A soldado está afastada do cargo desde o episódio. O relatório final da investigação foi enviado à Justiça Militar. O relatório do Inquérito Policial Militar concluído em 1º de junho já apontava indícios de autoria e materialidade de homicídio. Segundo o documento, Yasmin efetuou um disparo que atingiu Thawanna na região do abdome, provocando a morte horas depois. A investigação também apontou problemas na forma como a força foi empregada. Para a encarregada do IPM, não havia elementos que demonstrassem risco iminente à vida que justificasse o uso da força letal. O relatório afirma ainda que não ficou demonstrada uma atuação progressiva antes do disparo e aponta inadequação, falta de necessidade e desproporcionalidade no uso da força. O documento registra que a versão apresentada pela PM era de legítima defesa. Conforme o relato incorporado ao inquérito, Thawanna teria dado um tapa no rosto da policial e avançado em sua direção durante um confronto físico. A versão afirma que Yasmin tentou afastá-la antes de disparar. Os depoimentos, porém, apresentaram versões diferentes. Uma testemunha afirmou que a discussão teria começado pela policial e relatou que Yasmin teria agredido Thawanna antes de receber o tapa. Segundo esse depoimento, a PM deu dois passos para trás e efetuou o disparo sem dar ordem verbal. O inquérito analisou, entre outras provas, imagens das câmeras operacionais, laudos necroscópico, de levantamento do local, de disparo de arma de fogo e de lesão corporal da policial. O relatório também apontou indícios de transgressão disciplinar contra o policial Weden Silva Soares por descumprimento do procedimento de abordagem de pessoa a pé. A investigação, no entanto, afirmou não haver indícios de crime militar ou comum contra ele. Entenda o caso A moradora de São Paulo Thawanna Salmázio, de 31 anos e que morreu após ser baleada por uma policial militar em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, era mãe de cinco filhos, com idades entre 5 e 13 anos, e trabalhava como ajudante-geral. A morte dela ocorreu durante uma confusão com policiais militares na madrugada de 3 de abril. Thawanna e o companheiro, Luciano Gonçalvez dos Santos, estavam caminhando quando uma viatura da PM em patrulhamento passou pela rua, e o braço de Luciano esbarrou no veículo. O policial que conduzia o veículo deu ré e questionou o casal sobre andar na rua. A câmera corporal de um policial militar registrou que Thawanna não encostou no retrovisor da viatura nem iniciou nenhuma agressão antes de ser baleada pela policial Yasmin Cursino Ferreira, que atirou e matou a vítima (veja mais abaixo). Thawanna esperou mais de 30 minutos por resgate, apesar de haver bases do Corpo de Bombeiros a poucos minutos do local do disparo. Em 10 de abril, o Instituto Médico Legal (IML) emitiu o atestado de óbito, que aponta hemorragia interna aguda como causa da morte. Socorristas ouvidos pela TV Globo afirmam que a demora no resgate contribuiu diretamente para o agravamento do quadro, já que o ferimento não foi estancado nos primeiros minutos após o tiro. À época, a família disse que o sentimento era de revolta. "Policial despreparada, porque se a policial tivesse preparo, ela teria imobilizado a minha irmã, tinha contido, tinha algemado, tinha levado presa, entendeu? Mas a policial preferiu dar um um passo para trás e matar a minha irmã. A minha irmã não oferecia perigo nenhum. A única coisa que a minha irmã fez foi enfiar o dedo na cara da policial e dizer que ela estava errada. Só isso. O dedo de uma pessoa é uma arma? Ela ia matar a policial apontando o dedo? Eu acho que não", afirmou Daiana Martins, irmã de Thawanna. E complementou: "A polícia matou uma pessoa incrível, tirou a chance de vida da minha irmã. A minha irmã tinha uma vida toda, tinha 31 anos. Ela tinha começado a viver. E os filhos dela? Quem vai suprir a necessidade dos filhos agora? Não há indenização futura que pague a dor dos filhos, da ausência da mãe". Imagens e depoimentos Mulher morta por PM: veja contradições entre depoimentos de agentes e imagens de câmera co As imagens da câmera corporal e os depoimentos dos policiais militares envolvidos na ação, que terminou com a morte de Thawanna, apresentam contradições. A TV Globo analisou as imagens e os depoimentos e identificou divergências desde o início da abordagem até o momento do disparo. Veja os principais pontos: Esbarrão no retrovisor: Segundo os policiais, o marido de Thawanna se desequilibrou e bateu o braço no retrovisor da viatura. As imagens mostram apenas um esbarrão, sem indicar desequilíbrio. Motivo da abordagem: No boletim de ocorrência, os PMs afirmam que retornaram para verificar se estava tudo bem com o homem. Já o vídeo mostra o soldado Weden dando ré e questionando o casal: “a rua é lugar para você estar andando, ca*****?”. Início da discussão: Os policiais dizem que o homem passou a gritar e reclamar, dando início ao desentendimento. As imagens indicam que Thawanna tentou argumentar primeiro — e só depois a discussão começou. Suposta agressão: De acordo com os PMs, Thawanna partiu para cima da policial Yasmin e deu um tapa no rosto dela. Nas imagens, é possível ver a policial se aproximando e discutindo com a vítima, mas não há confirmação visual da agressão. Momento do disparo: A versão dos policiais aponta que foi necessário usar a força para conter a agressão e impedir que Thawanna pegasse a arma da PM. No vídeo, no entanto, só é possível ouvir o disparo. LEIA MAIS: Câmera corporal de PM mostra minuto a minuto abordagem que terminou na morte de mulher em SP Mulher morta por PM em SP esperou 30 minutos por resgate mesmo com base dos Bombeiros a 6 minutos Morte na Zona Leste expõe abusos e excessos na conduta da PM, dizem especialistas; caso foi uma 'briga', não abordagem Como foi a morte de Thawanna Exclusivo: imagens das câmeras corporais de PM mostram ação que acabou com morte de mulher Thawanna e o marido, Luciano Gonçalvez dos Santos, estavam caminhando de mãos dadas, quando uma viatura da PM passou pela Rua Edimundo Audran. A confusão começou quando Luciano esbarrou no retrovisor do carro. O policial Weden Silva Soares deu ré e iniciou uma discussão com o casal, com xingamentos. Em seguida, a soldado Yasmin Cursino Ferreira, que estava no banco do passageiro, desceu da viatura e também passou a discutir com Thawanna. A situação escalou até que Yasmin atirou contra a mulher. Após cerca de 30 minutos, Thawanna foi socorrida ao Hospital Tiradentes, mas não resistiu aos ferimentos. A policial afirma que reagiu após ser atingida com um tapa no rosto (leia mais abaixo). A ação foi registrada apenas pela câmera corporal de Weden, já que Yasmin não usava o equipamento. Questionada, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) não explicou o motivo.