Daniela Mercury quebra barreira como a primeira artista de axé music a ganhar Grammy Latino pela excelência musical

Daniela Mercury recebe o Prêmio à Excelência Musical em cerimônia agendada para 9 de novembro pelo 27º Grammy Latino Célia Santos / Divulgação ♫ OPINIÃO ♬ Dar a Daniela Mercury o Prêmio à Excelência Musical (Lifetime Achievement Award ) na 27ª edição do Grammy Latino – em cerimônia programada para 9 de novembro em Las Vegas, nos Estados Unidos – é decisão acertada e de certa forma até histórica da Academia Latina de Gravação. Afinal, o prêmio já foi dado a nomes como Ivan Lins, Lulu Santos e Simone, para citar somente os brasileiros agraciados nos últimos anos, mas até então nunca um artista associado à axé music ganhara esse prêmio que simboliza uma láurea pelo conjunto da obra, pela trajetória percorrida por esse artista no mundo da música. Cantora que amplificou o alcance do samba-reggae em todo o Brasil no inicio da década de 1990 e que propagou a música afro-baiana além das fronteiras nacionais, Daniela Mercury faz jus a essa honraria. Além de ter contribuído substancialmente para a discografia da axé music – rótulo genérico que abarca diversos gêneros musicais de origem baiana ou caribenha – com álbuns relevantes como “O canto da cidade” (1992), “Feijão com arroz” (1996), “Sol da liberdade” (2000) e “Balé mulato” (2005), a cantora e compositora baiana permaneceu fiel ao universo musical do axé após o apogeu do gênero. Nos correntes anos 2020, por exemplo, Daniela lançou três álbuns de estúdio – “Perfume” (2020), “Baiana” (2022) e “Cirandaia” (2025) – que mantiveram hasteada a bandeira do axé. “Cirandaia”, em especial, se revelou o álbum mais coeso e relevante da artista nos últimos 20 anos. Ao dar voz a músicas como “Axé Salvador” e “É terreiro”, Daniela mostrou que, assim como a Bahia, o axé está vivo ainda lá, sobretudo no Carnaval, ainda que o gênero já esteja distante dos dias de glória. Sem falar que o Prêmio à Excelência Musical do 27º Grammy Latino chega para Daniela Mercury no ano em que a artista completa quatro décadas de atividade profissional. Foi em 1986 que, após se apresentar em bares da cidade natal de Salvador (BA), a cantora entrou oficialmente em cena, primeiramente como backing vocal do bloco Eva (no qual ficou até 1988), depois como vocalista da banda Companhia Clic entre 1989 e 1990 e, por fim, em carreira solo impulsionada em 1991, há 35 anos, com a edição do álbum que trouxe o samba-reggae “Swing da cor”. Ao longo desses 40 anos, Daniela Mercury enfatizou o ativismo e valorizou a música afro-pop-baiana, a popular axé music sempre tão minimizada pelas elites culturais por ser música popular de espírito folião, calcada no ritmo, nas levadas loucas que arrastam multidões atrás dos trios elétricos e para dentro das casas de shows. É justamente pelo fato de o axé sempre ter sido tratado com desdém que Daniela Mercury quebra barreira ao ganhar o Prêmio à Excelência Musical do Grammy Latino 2026.

Jul 1, 2026 - 19:30
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Daniela Mercury quebra barreira como a primeira artista de axé music a ganhar Grammy Latino pela excelência musical

Daniela Mercury recebe o Prêmio à Excelência Musical em cerimônia agendada para 9 de novembro pelo 27º Grammy Latino Célia Santos / Divulgação ♫ OPINIÃO ♬ Dar a Daniela Mercury o Prêmio à Excelência Musical (Lifetime Achievement Award ) na 27ª edição do Grammy Latino – em cerimônia programada para 9 de novembro em Las Vegas, nos Estados Unidos – é decisão acertada e de certa forma até histórica da Academia Latina de Gravação. Afinal, o prêmio já foi dado a nomes como Ivan Lins, Lulu Santos e Simone, para citar somente os brasileiros agraciados nos últimos anos, mas até então nunca um artista associado à axé music ganhara esse prêmio que simboliza uma láurea pelo conjunto da obra, pela trajetória percorrida por esse artista no mundo da música. Cantora que amplificou o alcance do samba-reggae em todo o Brasil no inicio da década de 1990 e que propagou a música afro-baiana além das fronteiras nacionais, Daniela Mercury faz jus a essa honraria. Além de ter contribuído substancialmente para a discografia da axé music – rótulo genérico que abarca diversos gêneros musicais de origem baiana ou caribenha – com álbuns relevantes como “O canto da cidade” (1992), “Feijão com arroz” (1996), “Sol da liberdade” (2000) e “Balé mulato” (2005), a cantora e compositora baiana permaneceu fiel ao universo musical do axé após o apogeu do gênero. Nos correntes anos 2020, por exemplo, Daniela lançou três álbuns de estúdio – “Perfume” (2020), “Baiana” (2022) e “Cirandaia” (2025) – que mantiveram hasteada a bandeira do axé. “Cirandaia”, em especial, se revelou o álbum mais coeso e relevante da artista nos últimos 20 anos. Ao dar voz a músicas como “Axé Salvador” e “É terreiro”, Daniela mostrou que, assim como a Bahia, o axé está vivo ainda lá, sobretudo no Carnaval, ainda que o gênero já esteja distante dos dias de glória. Sem falar que o Prêmio à Excelência Musical do 27º Grammy Latino chega para Daniela Mercury no ano em que a artista completa quatro décadas de atividade profissional. Foi em 1986 que, após se apresentar em bares da cidade natal de Salvador (BA), a cantora entrou oficialmente em cena, primeiramente como backing vocal do bloco Eva (no qual ficou até 1988), depois como vocalista da banda Companhia Clic entre 1989 e 1990 e, por fim, em carreira solo impulsionada em 1991, há 35 anos, com a edição do álbum que trouxe o samba-reggae “Swing da cor”. Ao longo desses 40 anos, Daniela Mercury enfatizou o ativismo e valorizou a música afro-pop-baiana, a popular axé music sempre tão minimizada pelas elites culturais por ser música popular de espírito folião, calcada no ritmo, nas levadas loucas que arrastam multidões atrás dos trios elétricos e para dentro das casas de shows. É justamente pelo fato de o axé sempre ter sido tratado com desdém que Daniela Mercury quebra barreira ao ganhar o Prêmio à Excelência Musical do Grammy Latino 2026.