Dirigente da associação do Coritiba critica venda da SAF: “Muito precipitada”
Na última segunda-feira (23), a Universidade Federal do Paraná (UFPR), em parceria com o Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva (IPIE), promoveu um encontro para debater os diferentes cenários envolvendo as SAFs e seus impactos em clubes associativos. Entre os participantes esteve Daniel Ferreira, vice-presidente da associação do Coritiba, que criticou o processo de venda da […]
Na última segunda-feira (23), a Universidade Federal do Paraná (UFPR), em parceria com o Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva (IPIE), promoveu um encontro para debater os diferentes cenários envolvendo as SAFs e seus impactos em clubes associativos.
Entre os participantes esteve Daniel Ferreira, vice-presidente da associação do Coritiba, que criticou o processo de venda da SAF do Coxa para a Treecorp, em junho de 2023.
“Esse processo de venda é visto por mim e pelos meus pares da diretoria como algo que aconteceu de forma muito acelerada. A gente acredita que muitos passos foram dados com pouca transparência pela diretoria anterior e foi feito de forma até muito precipitada e com muita euforia. ‘Ah, vem dinheiro, acabaram os problemas’”, disse.
Os dois primeiros anos do modelo SAF foram desafiadores. O clube sofreu o rebaixamento para a Série B, acumulou eliminações no Campeonato Paranaense e na Copa do Brasil e, em 2024, registrou sua pior campanha em uma edição da Série B na era dos pontos corridos.
“A gente teve uma conversa muito franca com a Treecorp. Sentimos essa necessidade e eles também. Chamamos os donos efetivamente a Curitiba, porque havia essa reclamação de que estavam distantes do clube. Eles vieram, conversaram com a gente e com a imprensa, e situamos esse momento como uma guinada.”
O dirigente ainda destacou que, junto com a crise, houve uma mobilização de torcedores em defesa do clube, citando movimentos que passaram a cobrar mais fiscalização, como o Coletivo Coritibano, grupo que organizou um protesto até a sede da empresa, em São Paulo./https%3A%2F%2Fmedia.umdoisesportes.com.br%2Fmain%2F2026%2F02%2FMontagens-GERAIS-2026-02-24T112150.709.jpg)
Outros clubes analisam impactos da SAF
O evento, que reuniu cerca de 100 participantes, contou também com a presença do vice-presidente da Federação Paranaense de Futebol, Christiano Souto Puppi, além de representantes de Bahia, Botafogo-RJ, Botafogo-SP e Vasco.
Thiago Dória, representante do Bahia, ressaltou a ideia de que a SAF “não faz milagre” e que o modelo não deve ser tratado como solução automática para problemas estruturais. Ele apontou vantagens, como maior capacidade de investimento e profissionalização da gestão, mas também alertou para riscos no médio e longo prazo.
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Já Eduardo Vavas, diretor jurídico do Botafogo Futebol Clube, destacou a importância da elaboração e da fiscalização rigorosa dos contratos firmados no processo de transformação em SAF, algo que a torcida do Coritiba cobrou bastante.
Representando o Vasco, Clarisse Arteiro levantou um debate sobre pertencimento e identidade institucional. Para ela, é preciso refletir sobre o que permanece após a SAF, especialmente na relação histórica entre clube e torcida.
No caso do Botafogo-RJ, foram apresentados impactos estruturais após a implementação do modelo empresarial, com reformas internas, reorganização administrativa e mudanças na gestão dos esportes do clube, dentro de uma lógica mais profissionalizada.
O clima do encontro foi bastante cordial e respeitoso entre as partes. Estudantes e torcedores de diferentes clubes acompanharam o debate, alguns vestindo camisas de Grêmio, Paraná Clube e Coritiba.

