Escoltas navais não garantem passagem segura pelo Estreito de Ormuz, diz presidente da Organização Marítima Internacional

Países europeus e asiáticos se recusam a enviar militares para reabrir Estreito de Ormuz O chefe da Organização Marítima Internacional (IMO), Arsenio Dominguez, afirmou que escoltas navais pelo Estreito de Ormuz não vão “garantir 100%” a segurança dos navios que tentam transitar pela região, em entrevista ao 'Financial Times' nesta terça-feira (17). A assistência militar “não é uma solução de longo prazo nem sustentável” para reabrir o estreito, disse Dominguez. Trump desafia Irã e diz que EUA vão escoltar navios no Estreito de Ormuz 'se necessário' O estratégico Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, permanece em grande parte fechado, elevando os preços de energia e aumentando os temores de inflação. O fechamento também está forçando uma rápida e custosa reestruturação das cadeias de suprimentos para manter o fluxo de importações essenciais, com empresas de logística correndo para lidar com os desafios de redirecionar embarcações, transportar mercadorias por terra e evitar que produtos perecíveis se deteriorem. “Somos danos colaterais de um conflito cujas causas não têm nada a ver com o transporte marítimo”, disse Dominguez ao jornal. O presidente ainda acrescentou que a IMO tem sérias preocupações com navios presos no Golfo que podem ficar sem comida e suprimentos para suas tripulações. Como cautela de aliados dos EUA mostra que não há solução rápida para crise com Irã aberta por Trump O Conselho da IMO se reunirá em sessão extraordinária na quarta e quinta-feira em sua sede em Londres para tratar dos impactos sobre o transporte marítimo e os marítimos em decorrência do conflito em curso no Oriente Médio. Dominguez pediu que gestores de navios “não naveguem, não coloquem os marítimos em risco e não coloquem as embarcações em risco”, diz a reportagem. Trump quer navio de aliados Com a escalada da crise do petróleo, o presidente americano passou a cobrar apoio de aliados. Donald Trump quer reforço de navios militares para reabrir o Estreito de Ormuz. Mas a Europa disse não. Donald Trump fez ameaça - de novo. Disse que a falta de cooperação dos aliados pode ser muito ruim para o futuro da Otan, a aliança militar do Ocidente, também em entrevista ao jornal britânico “Financial Times”. Depois, Trump disse que entrou em contato com pelo menos sete governos para pedir apoio para a segurança do Estreito de Ormuz. O que ele quer é que europeus e asiáticos mandem navios de guerra para lá para que, quem sabe, a navegação seja liberada logo. Nos primeiros dias da guerra, o Irã bloqueou a passagem. Ao longo do dia, o presidente americano ouviu “não” de vários governos. Nenhum falou tão alto como o da Alemanha. O ministro da Defesa primeiro disse que não vê papel nenhum para a Otan na gestão da crise no Estreito de Ormuz. Depois, subiu o tom: “O que Trump espera que um punhado de fragatas europeias consiga realizar no Estreito de Ormuz que a poderosa Marinha americana não possa alcançar sozinha? Essa não é a nossa guerra, nós não começamos esse conflito”.

Mar 17, 2026 - 04:00
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Escoltas navais não garantem passagem segura pelo Estreito de Ormuz, diz presidente da Organização Marítima Internacional
Países europeus e asiáticos se recusam a enviar militares para reabrir Estreito de Ormuz O chefe da Organização Marítima Internacional (IMO), Arsenio Dominguez, afirmou que escoltas navais pelo Estreito de Ormuz não vão “garantir 100%” a segurança dos navios que tentam transitar pela região, em entrevista ao 'Financial Times' nesta terça-feira (17). A assistência militar “não é uma solução de longo prazo nem sustentável” para reabrir o estreito, disse Dominguez. Trump desafia Irã e diz que EUA vão escoltar navios no Estreito de Ormuz 'se necessário' O estratégico Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, permanece em grande parte fechado, elevando os preços de energia e aumentando os temores de inflação. O fechamento também está forçando uma rápida e custosa reestruturação das cadeias de suprimentos para manter o fluxo de importações essenciais, com empresas de logística correndo para lidar com os desafios de redirecionar embarcações, transportar mercadorias por terra e evitar que produtos perecíveis se deteriorem. “Somos danos colaterais de um conflito cujas causas não têm nada a ver com o transporte marítimo”, disse Dominguez ao jornal. O presidente ainda acrescentou que a IMO tem sérias preocupações com navios presos no Golfo que podem ficar sem comida e suprimentos para suas tripulações. Como cautela de aliados dos EUA mostra que não há solução rápida para crise com Irã aberta por Trump O Conselho da IMO se reunirá em sessão extraordinária na quarta e quinta-feira em sua sede em Londres para tratar dos impactos sobre o transporte marítimo e os marítimos em decorrência do conflito em curso no Oriente Médio. Dominguez pediu que gestores de navios “não naveguem, não coloquem os marítimos em risco e não coloquem as embarcações em risco”, diz a reportagem. Trump quer navio de aliados Com a escalada da crise do petróleo, o presidente americano passou a cobrar apoio de aliados. Donald Trump quer reforço de navios militares para reabrir o Estreito de Ormuz. Mas a Europa disse não. Donald Trump fez ameaça - de novo. Disse que a falta de cooperação dos aliados pode ser muito ruim para o futuro da Otan, a aliança militar do Ocidente, também em entrevista ao jornal britânico “Financial Times”. Depois, Trump disse que entrou em contato com pelo menos sete governos para pedir apoio para a segurança do Estreito de Ormuz. O que ele quer é que europeus e asiáticos mandem navios de guerra para lá para que, quem sabe, a navegação seja liberada logo. Nos primeiros dias da guerra, o Irã bloqueou a passagem. Ao longo do dia, o presidente americano ouviu “não” de vários governos. Nenhum falou tão alto como o da Alemanha. O ministro da Defesa primeiro disse que não vê papel nenhum para a Otan na gestão da crise no Estreito de Ormuz. Depois, subiu o tom: “O que Trump espera que um punhado de fragatas europeias consiga realizar no Estreito de Ormuz que a poderosa Marinha americana não possa alcançar sozinha? Essa não é a nossa guerra, nós não começamos esse conflito”.