Ex-técnico do Athletico detona ídolo e expõe crise na base
Demitido do time sub-20 do Athletico, o técnico João Correia rebateu as declarações em que foi chamado de arrogante pelo ex-lateral-direito Alessandro, campeão brasileiro pelo Furacão em 2001. Em entrevista ao canal Trétis, o português disse que foi alvo de uma “caça” interna dentro do clube. Contudo, João não deixou barato e rebateu o ídolo […]
Demitido do time sub-20 do Athletico, o técnico João Correia rebateu as declarações em que foi chamado de arrogante pelo ex-lateral-direito Alessandro, campeão brasileiro pelo Furacão em 2001. Em entrevista ao canal Trétis, o português disse que foi alvo de uma “caça” interna dentro do clube.
Contudo, João não deixou barato e rebateu o ídolo rubro-negro, que expôs um racha na base rubro-negra, e o classificou como desleal. Segundo ele, Alessandro chegou a ligar para os jogadores do time sub-20, antes de uma partida em 2025, e pediu para que os atletas não cumprissem o que fosse pedido pelo treinador. O detalhe é que os jogadores, que estavam no avião, avisaram o técnico imediatamente.
“Eu sempre me dei bem com ele, até um certo ponto. Sempre tive uma relação de puxar ele para o meu lado, de pedir conselhos a ele. (…) Eu não citei isso, mas cito agora: uma pessoa que liga para os jogadores a dizer para não fazer o que o treinador pediu. Se eu ligo para um jogador profissional para dizer ‘não faça o que treinador pediu’, tem que ser demitido na hora. Então, na minha opinião, já foi tarde pelo comportamento dele que teve dentro do clube. Isso aí, para mim, é inqualificável. Por isso digo que já foi tarde, mas nunca tive nada a ver e nunca cai nesse tema com ninguém dentro do clube”, detonou.
Além disso, João Correia também explicou mais sobre a situação pessoal com o filho de Alessandro. O lateral-esquerdo João Vitor, que já deixou o Athletico e foi contratado para o time sub-20 do Corinthians, não teve oportunidades com ex-comandante do Furacão. Segundo o português, o motivo foi a concorrência no setor./https%3A%2F%2Fmedia.umdoisesportes.com.br%2Fmain%2F2026%2F03%2Falessandro-joao-correia-athletico.jpg)
“A relação com o Alessandro apenas muda quando o filho dele não é opção comigo, no meu sub-20. Essa era a realidade. Eu até enxergaria, que poderia ter minutos esse ano, mas era lateral-esquerdo. Tínhamos cinco na lateral-esquerda, um deles chama-se Claudinho e o outro chama-se Veiga. Jamais, em algum momento da minha vida, tomei uma decisão do jogo ou de equipe por causa de algum atrito de alguém comigo. Vou fazer minhas decisões para ganhar. Infelizmente o filho dele estava no primeiro ano do sub-20, é um ano difícil e não teve minutagem. Acho que a partir de um certo momento, ele levou para o pessoal”, completou.
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João Correia x Rodrigo Bellão: Botafogo x Athletico no sub-20 causou desgaste ao português
João Correia também citou Rodrigo Bellão, que era o técnico do time sub-17 do Athletico e vai ser o técnico interino do Botafogo no duelo atrasado pela quinta rodada do Brasileirão 2026.
Ex-técnico na base do Furacão, Bellão teve uma ascensão e foi promovido para auxiliar da comissão permanente do clube no segundo semestre de 2024. Ele chegou a ser cotado para ser o treinador da equipe principal no Campeonato Paranaense 2025, mas foi demitido no fim de 2024, após Rodrigo Possebon, hoje no Paraná Clube, assumir a diretoria de futebol. /https%3A%2F%2Fmedia.umdoisesportes.com.br%2Fmain%2F2025%2F05%2F10215112%2Fjoao-correia-interino-tecnico-athletico.jpg)
Possebon foi escolhido pelo presidente Mario Celso Petraglia para reformular o elenco para a Série B, assumindo a vaga deixada com a demissão de Paulo Autuori após o rebaixamento. Antes disso, Possebon era o diretor das categorias de base e foi um dos responsáveis por trazer João Correia, que vinha tendo destaque na base do Barra-SC.
“O Bellão, pelo visto, teve imensos problemas comigo. Não sei quais foram porque eu nunca tive problemas com ele. Independentemente se o Bellão ficou chateado com minha vinda, mas eu não tenho culpa de eu entrar no sub-20 e das decisões da diretoria. E mostrou-se que a decisão da diretoria, em me trazer, foi uma decisão acertada. Acaba a virar um tema por algo que não tem nada a ver. Acho que sempre tratei bem, tanto um [Alessandro] quanto o outro [Bellão], e se fez disso um caso, que pra mim nunca foi. Nunca entrei nessa”, apontou.
O jogo em que João expôs a tentativa de Alessandro descredibilizar o português com o time sub-20 foi justamente contra o Botafogo, que estava sendo comandado por Bellão. O Furacão venceu, de virada, por 2 a 1, com gols de Fábio Lucas e do atacante Felipe Chiqueti. Contudo, na visão do português, um tropeço ali significaria a sua saída do Rubro-Negro porque se criou uma grande polêmica no embate entre os treinadores.
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“Foi uma situação que virou uma polêmica muito grande dentro do clube. Fizeram o jogo como se fosse o João contra o ex-treinador do sub-17 do Athletico [Bellão]. Foi uma coisa que nunca entendi. Mas, foi mais um jogo que ganhamos. Mesmo o treinador adversário sabendo como eu treinei e como eu ia jogar. Ele sabia tudo, a estratégia toda, mesmo assim nós conseguimos engolir o Botafogo no Nilton Santos. Se não fosse isso, eu teria caído”, afirmou João Correia.
Correia nega pedido aos jogadores para ignorarem Bellão
Um ingrediente a mais no confronto foi que Correia pediu aos jogadores não cumprimentarem Bellão, responsável por desenvolver a maior parte do elenco sub-20, antes da partida. Isso gerou um desgaste interno para o português, que defende que sempre tomou essa postura./https%3A%2F%2Fmedia.umdoisesportes.com.br%2Fmain%2F2026%2F01%2F21100840%2Ftecnico-athletico-dispara-coritiba-joao-correia.jpg)
“O Alessandro e mais uma galera [do clube]. Só vou citar o Alessandro porque ele falou de mim, estava a dizer que eu era um mala do cara*** e que impedi de comprimentarem. Não impedi, falei “depois do jogo, faça o que vocês quiserem”. Não é meu perfil e também não é perfil do Athletico. Se nós formos ver as paredes do Athletico, está lá bem a parte de rebeldia e questionar o status quo. É bonito na parede, mas quando chega alguém que tem o perfil do Athletico, ninguém gosta”, rebateu.
“Podem concordar ou não, mas é o meu jeito de trabalhar e sempre foi. Antes do jogo, não quero beijinhos, abraços, fotografias, não quero cumprimentos. Depois de ganharmos o jogo, vão lá, tira foto, cumprimenta e fica lá o tempo que quiserem com ele. Eu sempre falo isso. Jamais falaria. Jamais seria o cara que diz que não pode cumprimentar o treinador, que obviamente amam, tal como muitos jogadores me amam depois de eu sair e das nossas conquistas juntas”, apontou.
Nesse contexto, João ainda fez uma crítica para a cultura do futebol brasileiro, que cria essa postura amigável entre ex-companheiros de trabalho nas equipes.
“Uma coisa que me incomoda no Brasil é que eu vejo muitos times saírem do vestiário preparados para o jogo, na gritaria e com intensidade. Quando chega ao campo, começa a cumprimentar, vai lá no banco. Parece um jogo de solteiros e casados. A minha equipe não é assim. Minha equipe tem essa arrogância. Tem que entrar em campo, olhar para frente, não olhar para o adversário, não cumprimenta o ex-treinador. Mas falei que, no final [do jogo] podem cumprimentar”, encerrou João Correia.

