'Foi amor à primeira vista': casal é chamado para conhecer bebê duas horas após entrar na fila de adoção
Marinalva e José Luiz adotaram dois filhos em MS arquivo pessoal Apenas duas horas depois de ser incluída no Sistema Nacional de Adoção (SNA), os casal de Três Lagoas, Marinalva Freitas e José Luiz, receberam uma ligação com a indicação de um bebê poderia ser adotado. O casal havia sido habilitado para adoção após mais de dois anos de preparação e sete anos de tentativas de gravidez. Marinalva Freitas estava em casa, trabalhando no notebook, quando recebeu, por volta das 14h do dia 26 de março de 2024, a confirmação de que finalmente havia sido incluída no SNA. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Depois de mais de dois anos entre reuniões, cursos, documentos, entrevistas e avaliações, ela e o marido estavam oficialmente na fila para adotar uma criança. Ao consultar o sistema, descobriu que ocupava a 13ª posição na comarca e a 250ª no estado. A expectativa era de que a espera ainda fosse longa. Marinalva chegou a pensar que poderia levar alguns anos até que surgisse uma criança compatível com o perfil escolhido por ela e pelo marido, José Luiz. Duas horas depois, enquanto se encontrava com uma amiga, o telefone tocou. Na tela aparecia um número de Campo Grande e, antes mesmo de saber quem estava ligando, Marinalva teve a sensação de que aquela chamada poderia estar relacionada ao filho que tanto esperava. “Falei para a amiga: ‘vai na frente que vou atender esta ligação. É sobre meus filhos’. Eu nem sabia de quem era aquele número.” Agora no g1 Uma equipe do Fórum de Campo Grande perguntou se o cadastro do casal havia sido atualizado naquele dia e, diante da resposta afirmativa, contou que havia um bebê de seis meses disponível para adoção. O menino estava passando por uma investigação para verificar possíveis problemas auditivos. Como Marinalva e o marido haviam declarado que aceitavam crianças com doenças tratáveis, naquele momento o casal tinha um perfil compatível com o da criança. A ligação que chegou apenas duas horas depois da entrada no sistema nacional parecia rápida demais para quem havia passado anos esperando. Mas, para que aquele telefonema pudesse acontecer, Marinalva e José Luiz precisaram percorrer um longo caminho de preparação. Sete anos de espera Marinalva e José Luiz estão casados há 11 anos e, desde o início da união, planejavam ter filhos. Durante sete anos, o casal não utilizou métodos contraceptivos e esperou todos os meses pela confirmação de uma gravidez. A espera levou os dois a procurar médicos e realizar exames para tentar descobrir a razão da infertilidade. Mesmo com as investigações, nenhum problema que justificasse a dificuldade para engravidar foi identificado. Enquanto tentava entender por que a gravidez não acontecia, Marinalva também pensava em outra possibilidade para formar a família. "Como eu tenho 2 irmãos que foram adotados pela minha mãe, sempre abordava a possibilidade da adoção com meu marido, sem muito sucesso. Até que um dia, ele resolveu aceitar pesquisarmos sobre o assunto". A partir daquele momento, o casal começou uma preparação que levaria mais de dois anos até a habilitação. Da primeira reunião à habilitação Como queria fazer tudo de acordo com as exigências da Justiça e ter segurança durante o processo, Marinalva procurou uma amiga assistente social. Ela foi orientada a buscar informações no setor psicossocial do Fórum de Três Lagoas, onde mora. Em março de 2022, o casal começou a participar das reuniões mensais do Grupo de Apoio à Adoção (GRAATA). Os encontros ajudaram os dois a entender como funcionava a adoção e também a refletir sobre os desafios que poderiam encontrar depois da chegada de uma criança. Vieram outras etapas, cursos, documentos e certificados necessários para que o pedido pudesse ser apresentado à Justiça. Em junho de 2023, o casal finalmente protocolou o pedido de habilitação para adoção. A partir daí, começou uma nova fase de espera, que envolveu entrevistas com psicólogo e assistente social, visita à residência e a definição do perfil da criança que poderia ser acolhida pela família. "É uma fase de muitas incertezas e eu chorava muito por achar que o processo estava sendo demorado". Ao mesmo tempo, as reuniões do grupo de apoio ajudaram o casal a compreender melhor aquilo que estava preparado para receber. Aos poucos, eles definiram quais características poderiam acolher e quais situações não conseguiriam assumir naquele momento. O casal decidiu que poderia adotar uma ou duas crianças, de até 10 anos, independentemente de sexo ou etnia. Também declarou que estaria disposto a receber uma criança com doenças tratáveis e que a adoção poderia acontecer dentro de Mato Grosso do Sul. Para Marinalva, a questão relacionada à saúde é um dos pontos mais delicados do processo de adoção. “O quesito ‘doenças e deficiências’ na minha região é um gargalo muito grande que não costuma ser muito aceito por pretendentes.” A habilitação saiu no fim de fevereiro de 2024, quase dois anos depois da primeira reunião do casal no gr

Marinalva e José Luiz adotaram dois filhos em MS arquivo pessoal Apenas duas horas depois de ser incluída no Sistema Nacional de Adoção (SNA), os casal de Três Lagoas, Marinalva Freitas e José Luiz, receberam uma ligação com a indicação de um bebê poderia ser adotado. O casal havia sido habilitado para adoção após mais de dois anos de preparação e sete anos de tentativas de gravidez. Marinalva Freitas estava em casa, trabalhando no notebook, quando recebeu, por volta das 14h do dia 26 de março de 2024, a confirmação de que finalmente havia sido incluída no SNA. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Depois de mais de dois anos entre reuniões, cursos, documentos, entrevistas e avaliações, ela e o marido estavam oficialmente na fila para adotar uma criança. Ao consultar o sistema, descobriu que ocupava a 13ª posição na comarca e a 250ª no estado. A expectativa era de que a espera ainda fosse longa. Marinalva chegou a pensar que poderia levar alguns anos até que surgisse uma criança compatível com o perfil escolhido por ela e pelo marido, José Luiz. Duas horas depois, enquanto se encontrava com uma amiga, o telefone tocou. Na tela aparecia um número de Campo Grande e, antes mesmo de saber quem estava ligando, Marinalva teve a sensação de que aquela chamada poderia estar relacionada ao filho que tanto esperava. “Falei para a amiga: ‘vai na frente que vou atender esta ligação. É sobre meus filhos’. Eu nem sabia de quem era aquele número.” Agora no g1 Uma equipe do Fórum de Campo Grande perguntou se o cadastro do casal havia sido atualizado naquele dia e, diante da resposta afirmativa, contou que havia um bebê de seis meses disponível para adoção. O menino estava passando por uma investigação para verificar possíveis problemas auditivos. Como Marinalva e o marido haviam declarado que aceitavam crianças com doenças tratáveis, naquele momento o casal tinha um perfil compatível com o da criança. A ligação que chegou apenas duas horas depois da entrada no sistema nacional parecia rápida demais para quem havia passado anos esperando. Mas, para que aquele telefonema pudesse acontecer, Marinalva e José Luiz precisaram percorrer um longo caminho de preparação. Sete anos de espera Marinalva e José Luiz estão casados há 11 anos e, desde o início da união, planejavam ter filhos. Durante sete anos, o casal não utilizou métodos contraceptivos e esperou todos os meses pela confirmação de uma gravidez. A espera levou os dois a procurar médicos e realizar exames para tentar descobrir a razão da infertilidade. Mesmo com as investigações, nenhum problema que justificasse a dificuldade para engravidar foi identificado. Enquanto tentava entender por que a gravidez não acontecia, Marinalva também pensava em outra possibilidade para formar a família. "Como eu tenho 2 irmãos que foram adotados pela minha mãe, sempre abordava a possibilidade da adoção com meu marido, sem muito sucesso. Até que um dia, ele resolveu aceitar pesquisarmos sobre o assunto". A partir daquele momento, o casal começou uma preparação que levaria mais de dois anos até a habilitação. Da primeira reunião à habilitação Como queria fazer tudo de acordo com as exigências da Justiça e ter segurança durante o processo, Marinalva procurou uma amiga assistente social. Ela foi orientada a buscar informações no setor psicossocial do Fórum de Três Lagoas, onde mora. Em março de 2022, o casal começou a participar das reuniões mensais do Grupo de Apoio à Adoção (GRAATA). Os encontros ajudaram os dois a entender como funcionava a adoção e também a refletir sobre os desafios que poderiam encontrar depois da chegada de uma criança. Vieram outras etapas, cursos, documentos e certificados necessários para que o pedido pudesse ser apresentado à Justiça. Em junho de 2023, o casal finalmente protocolou o pedido de habilitação para adoção. A partir daí, começou uma nova fase de espera, que envolveu entrevistas com psicólogo e assistente social, visita à residência e a definição do perfil da criança que poderia ser acolhida pela família. "É uma fase de muitas incertezas e eu chorava muito por achar que o processo estava sendo demorado". Ao mesmo tempo, as reuniões do grupo de apoio ajudaram o casal a compreender melhor aquilo que estava preparado para receber. Aos poucos, eles definiram quais características poderiam acolher e quais situações não conseguiriam assumir naquele momento. O casal decidiu que poderia adotar uma ou duas crianças, de até 10 anos, independentemente de sexo ou etnia. Também declarou que estaria disposto a receber uma criança com doenças tratáveis e que a adoção poderia acontecer dentro de Mato Grosso do Sul. Para Marinalva, a questão relacionada à saúde é um dos pontos mais delicados do processo de adoção. “O quesito ‘doenças e deficiências’ na minha região é um gargalo muito grande que não costuma ser muito aceito por pretendentes.” A habilitação saiu no fim de fevereiro de 2024, quase dois anos depois da primeira reunião do casal no grupo de apoio. Apesar de considerar o processo lento e angustiante, Marinalva reconhece que aquele período também foi importante para preparar a família para a realidade da adoção. “Foi, no nosso caso, lento e angustiante até esta fase, mas também foi de preparação e conscientização.” Antes de entrar oficialmente no cadastro, Marinalva imaginava que a criança que chegaria à família seria bem diferente daquela que acabou conhecendo. Como o casal havia indicado que poderia receber uma ou duas crianças de até 10 anos, ela imaginava que poderia adotar dois irmãos, provavelmente com cerca de 6 e 9 anos. "Me preparava muito para este perfil e como sabia que os bebês eram mais requisitados, não criei muita expectativa sobre esta possibilidade. Meu marido sempre cogitava que poderia vir bebê, e ele acertou nas duas adoções". Depois de receber a habilitação, ainda faltava uma etapa importante: a inclusão do cadastro no Sistema Nacional de Adoção, plataforma que permite o cruzamento dos perfis de crianças e pretendentes habilitados. Marinalva conta que acompanhava a situação com frequência e enviava mensagens ao fórum para saber quando o cadastro seria inserido. Ela estava preocupada porque, enquanto permanecesse fora do sistema nacional, uma criança de outra comarca que correspondesse ao perfil escolhido pelo casal poderia não aparecer para eles. Por volta das 14h do dia 26 de março de 2024, Marinalva recebeu o e-mail informando que o cadastro havia sido realizado. Ela chegou a ficar chateada porque, segundo seu relato, foram necessários mais de 40 dias para que a inclusão fosse efetivada. Consultou a posição e viu que estava em 13º lugar na comarca e 250º no estado. Pouco depois, veio a ligação do Fórum de Campo Grande. “É sobre meus filhos” Quando soube que havia um bebê de seis meses que poderia ser encaminhado ao casal, Marinalva e José Luiz ficaram surpresos com a rapidez. Os dois correram para o Fórum de Três Lagoas para conversar com a equipe que já acompanhava o processo. A intenção era ter certeza de que não havia ocorrido nenhum erro e avaliar cuidadosamente as informações sobre a criança antes de tomar uma decisão. A equipe analisou os documentos e, por já conhecer o casal e o perfil que havia sido definido durante a habilitação, concluiu que a indicação estava de acordo com aquilo que eles haviam declarado aceitar. O principal ponto a ser avaliado era a investigação sobre uma possível alteração auditiva. Foi nesse momento que Marinalva recebeu a primeira fotografia do bebê e a imagem foi suficiente para que ela tivesse certeza da decisão que queria tomar. “Aí acabei de decidir que era sim. Meu marido já queria buscá-lo no mesmo dia, se fosse possível”. Dois dias depois, em 28 de março, o casal foi a Campo Grande para conhecer o bebê. O encontro confirmou a decisão e, segundo Marinalva, foi marcado por uma conexão imediata. “Foi amor à primeira vista”. A família teve sete dias para organizar tudo antes de buscar o menino. José Neto chegou à nova casa aos seis meses de idade. Nos meses seguintes, Marinalva passou a acompanhar de perto a investigação sobre a possível alteração auditiva. Foram consultas, exames e avaliações médicas até que os profissionais concluíssem que o menino não apresentava nenhum problema de saúde. Marinalva e José Luiz adotaram dois filhos em MS Arquivo pessoal Um novo bebê na família Depois da chegada de José Neto, surgiu no casal o desejo de ter também uma menina. Em maio de 2025, Marinalva e José Luiz voltaram a se preparar para a fila de adoção. Pouco mais de um mês depois, receberam uma nova mensagem do fórum de Três Lagoas. Em 12 de junho de 2025, o casal estava em terceiro lugar na fila do município. Os dois primeiros pretendentes, porém, haviam indicado preferência por bebês do sexo masculino. Naquele momento, havia uma menina com apenas 10 dias de vida disponível para adoção que chegou ao sistema por meio da entrega voluntária para adoção. A entrega voluntária permite que uma mulher manifeste legalmente a intenção de entregar o filho para adoção, com acompanhamento da Justiça e da rede de proteção, sem que isso represente uma punição pelo ato. A notícia chegou em uma quinta-feira e no dia seguinte, às 10h, Marinalva e José Luiz deveriam buscar a bebê. Foi assim que Glória chegou à família, com apenas 11 dias de vida. José Neto tinha 1 ano e 9 meses quando conheceu a irmã. “Ficamos imensamente felizes. Assim passamos a ter dois berços no quarto e muitas mamadeiras e fraldas espalhadas pela casa". Dentro da família, a chegada dos dois filhos foi recebida com alegria. Marinalva conta que tanto os parentes dela quanto os do marido acolheram as crianças e passaram a tratá-las com carinho, respeito e proteção. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

