Governo reconhece que 'preço' para aprovar pacote fiscal aumentou no Congresso

Articuladores políticos do governo ouvidos pelo blog já admitem que o "preço" para a aprovação do pacote fiscal aumentou muito nos últimos dias. E não se restringe mais à liberação de emendas. Há um reconhecimento de que, além da pressão para que o governo atue no Supremo para a flexibilização da decisão do ministro Flávio Dino – que coloca novas condições de transparência para as emendas –, vários partidos começam a cobrar espaços no governo dentro de uma reforma ministerial. A demora para a votação da urgência dos projetos do pacote de cortes de gastos, na semana passada, e a indefinição dos relatores desses textos acrescentaram ainda um novo ingrediente: ao ficar na chuva, o pacote começa a ser alvo de críticas da oposição e do próprio PT, que questiona as regras mais rígidas para o Benefício de Prestação Continuada (BPC). O governo recebeu recados da cúpula da Câmara dizendo que o relator só será indicado quando o STF resolver o imbróglio das emendas. "Um pacote que já chegou desidratado ao Congresso corre o risco de desidratar ainda mais diante dos ataques da oposição e da defensiva do governo", reconhece um ministro que acompanha as negociações. O temor é de que essa indefinição acabe pressionando a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne nesta semana e deve aumentar, mais uma vez, a taxa básica de juros do país. Câmara avança com primeiros projetos do pacote de gastos

Dez 9, 2024 - 09:00
 0  1
Governo reconhece que 'preço' para aprovar pacote fiscal aumentou no Congresso
Articuladores políticos do governo ouvidos pelo blog já admitem que o "preço" para a aprovação do pacote fiscal aumentou muito nos últimos dias. E não se restringe mais à liberação de emendas. Há um reconhecimento de que, além da pressão para que o governo atue no Supremo para a flexibilização da decisão do ministro Flávio Dino – que coloca novas condições de transparência para as emendas –, vários partidos começam a cobrar espaços no governo dentro de uma reforma ministerial. A demora para a votação da urgência dos projetos do pacote de cortes de gastos, na semana passada, e a indefinição dos relatores desses textos acrescentaram ainda um novo ingrediente: ao ficar na chuva, o pacote começa a ser alvo de críticas da oposição e do próprio PT, que questiona as regras mais rígidas para o Benefício de Prestação Continuada (BPC). O governo recebeu recados da cúpula da Câmara dizendo que o relator só será indicado quando o STF resolver o imbróglio das emendas. "Um pacote que já chegou desidratado ao Congresso corre o risco de desidratar ainda mais diante dos ataques da oposição e da defensiva do governo", reconhece um ministro que acompanha as negociações. O temor é de que essa indefinição acabe pressionando a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne nesta semana e deve aumentar, mais uma vez, a taxa básica de juros do país. Câmara avança com primeiros projetos do pacote de gastos