Jogador e ex-técnico do Athletico caem em golpe promovido por ex-Flamengo

RESUMO DA NOTÍCIA • O argentino Alejandro Mancuso promovia um esquema de golpes em atletas e ex-jogadores brasileiros, segundo apuração do UOL. • Entre as vítimas, estão o volante Luiz Gustavo, do Athletico, e o sérvio Dejan Petkovic, que conseguiu se salvar do esquema. • A escola de treinadores ATFA, da Argentina, negou que Mancuso […]

Out 7, 2026 - 14:30
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Jogador e ex-técnico do Athletico caem em golpe promovido por ex-Flamengo

O volante Luiz Gustavo, do Athletico, e o sérvio Dejan Petkovic, que comandou o clube no início de 2014, foram vítimas de um esquema de licenças falsas promovido pelo ex-volante argentino Alejandro Mancuso, conhecido no futebol brasileiro por ter defendido Flamengo e Palmeiras.

O golpe foi revelado em reportagem do UOL, assinada pela jornalista Joana De Assis, nesta quarta-feira (7). Mancuso procurava atletas e ex-atletas de destaque e oferecia, por R$ 100 mil, diplomas que supostamente permitiriam aos compradores trabalhar como treinadores em qualquer lugar do mundo.

O do ex-Flamengo pacote incluía quatro certificados: as licenças Pro, de nível internacional, e A, voltada ao futebol profissional, além das licenças B e C, destinadas às categorias de base. Os documentos falsos seriam enviados pelo correio em nome da ATFA, tradicional escola argentina de treinadores e uma das mais respeitadas da América do Sul.

Além de Luiz Gustavo, entre as vítimas estão o técnico Alex de Souza, ídolo do Coritiba, e o zagueiro Thiago Silva, do Fluminense. Além destes, também caíram no golpe estrelas como Roberto Carlos, acionista na Inter de Limeira, Felipe Melo, comentarista do grupo Globo, o ex-volante Paulinho, novo dirigente do Cruzeiro, o uruguaio Diego Lugano e o peruano Paolo Guerrero.

Carteirinha com nome na grafia do volante Luiz Gustavo. (Foto: Reprodução/UOL)

O que Luiz Gustavo, do Athletico, disse sobre o golpe

Aos 39 anos, o volante do Furacão não deu entrevista ao UOL, mas disse, por meio da assessoria de imprensa, que desconfiou dos documentos ao receber históricos com avaliações que nunca realizou.

Contudo, confirmou que caiu no golpe ao admitir que “acreditou estar contratando uma homologação de carreira, e não um curso”. Em uma das carteirinhas recebidas pelo atleta do Athletico, existe até um erro na grafia do nome do jogador. O Luiz está escrito com “s”, além de ter uma “sombra” nas assinaturas.

Ex-técnico do Furacão, Petkovic percebeu esquema e recuperou o dinheiro

Conhecido pelas passagens no Flamengo e Vasco, Dejan Petkovic percebeu algo de estranho na proposta de Mancuso ao exigir aulas presenciais para obter a licença.

“Eu imaginei que as licenças poderiam ser falsas quando eu comecei a cobrar pela aula presencial e o Mancuso nunca marcava. Pensei: ‘Isso aqui tá errado’. A primeira coisa que eu faço é tirar das minhas redes sociais, porque eu estava exibindo que eu era um associado da ATFA, né? E aí peço o meu dinheiro de volta. Diferente de muitos, eu consegui essa façanha aí”, declarou o sérvio ao UOL.

Petkovic chegou a ser contratado pelo presidente Mario Celso Petraglia para ter a primeira chance como treinador no Athletico. Ele chegou ao CT do Caju no início em dezembro de 2013 e acabou demitido em junho de 2014, depois de ter sido o comandante da equipe sub-23 e gestor das categorias de base. Antes dele, também tinham sido desligados Antônio Lopes, então diretor de futebol, e o treinador da equipe principal, Miguel Ángel Portugal.

O sérvio Dejan Petkovic atuou no Rubro-Negro em 2014. (Divulgação/Athletico)

ATFA aponta que ex-Flamengo não tem qualquer cargo

Segundo a reportagem do UOL, Mancuso se aproveitou da carreira como jogador para se aproximar das estrelas ao longo dos últimos anos. Ele abordava as vítimas as chamando de “fera”, “crack” e “monstro” e ressaltando que não era preciso perder tempo nos cursos online para obter a licença.

O detalhe é que a AFTA promove cursos com licenças que vão da categoria C até a PRO, sendo que os alunos devem cursar entre seis e 13 meses. Para ter todas as licenças, o tempo estimado é de três anos.

Em áudios obtidos pelo UOL, Mancuso se disse “diretor internacional da AFTA” e que tinha apoio dos dirigentes da entidade para “facilitar a vida dos feras”. Contudo, o secretário-geral da AFTA negou qualquer cargo de Mancuso, em contato com a reportagem do UOL, e ainda confirmou que todos os documentos enviados pelo ex-Flamengo são falsos.

“A ATFA não reconhece qualquer gestão que o Sr. Mancuso tenha realizado ou alegado fazer em nome da entidade. O referido senhor não integra a Diretoria, não ocupa cargo de autoridade na ATFA, não mantém qualquer vínculo contratual com a instituição e não possui autorização para agir em seu nome ou representá-la. Consequentemente, qualquer oferta, cobrança ou envio de documentação que ele possa ter realizado invocando a ATFA é algo totalmente alheio a esta instituição”, diz.

Mancuso nega esquema e vendas de licenças

O UOL pediu para que uma fonte conversasse com Mancuso, que fez as ofertas das licenças normalmente. Contudo, ao receber o contato oficial da imprensa, negou qualquer esquema.

“Muitos brasileiros me ligam. Por quê? Porque eu sou um cara muito conhecido no Brasil, sabe? E eles me perguntam como é que a gente faz, como é que dá um jeito. Eu passo o contato da federação para que eles liguem direto. Eu não estou na federação, eu não sou parte da federação”, disse Mancuso ao UOL.

Ao ser confrontado sobre os recebimentos de R$ 100 mil pelas licenças, ele também negou. “Não, isso não existe”, encerrou.

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