Lula conversa com Xi e reforça aproximação do Brasil com a China

Lula e Xi Jinping em Pequim Getty Images/BBC O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da China, Xi Jinping, conversaram por telefone na noite deste domingo (26) e defenderam o aprofundamento da cooperação bilateral em áreas estratégicas, além da aceleração das negociações para um acordo entre o Mercosul e a China. Segundo comunicado divulgado pelo Palácio do Planalto, a conversa durou mais de uma hora. De acordo com a nota, os líderes trataram da implementação de projetos de desenvolvimento dos dois países e reiteraram o interesse em ampliar parcerias em setores de alta tecnologia, como inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes. A expectativa era que os líderes discutissem as duas tarifas anunciadas pelo governo Trump contra o Brasil e outros parceiros comerciais nas últimas semanas. A nota do Planalto não cita o tarifaço entre os temas da conversa. Durante o telefonema, Lula afirmou que o governo brasileiro segue comprometido com a diversificação de mercados e parceiros comerciais. Os dois presidentes também concordaram sobre a importância de acelerar as tratativas para um acordo Mercosul-China que contemple as flexibilidades consideradas necessárias pelas partes. Agora no g1 Lula e Xi destacaram ainda os resultados do comércio bilateral e os efeitos das jornadas culturais promovidas pelos dois países ao longo deste ano. Segundo a nota, eles também ressaltaram o impacto do acordo de isenção de vistos para viagens de curta duração, medida que deve ampliar o fluxo de turistas e as oportunidades de negócios. Ao abordar temas internacionais, os presidentes manifestaram preocupação com a multiplicação de conflitos ao redor do mundo e seus efeitos sobre a segurança alimentar e energética global. Os dois também lamentaram as perdas humanas e materiais decorrentes dessas crises. Sobre o Oriente Médio, Lula e Xi afirmaram que as restrições à livre navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb têm impactos negativos para a economia mundial. Eles também expressaram preocupação com a continuidade da crise humanitária em Gaza. Os líderes concordaram ainda que o Grupo de Amigos da Paz pode ter papel relevante na retomada de negociações para encerrar a guerra na Ucrânia. A iniciativa diplomática foi lançada por Brasil e China em setembro de 2024, na Organização das Nações Unidas (ONU), e reúne países do Sul Global em defesa de uma solução política para o conflito. Segundo o comunicado, Lula e Xi criticaram a incapacidade do Conselho de Segurança da ONU de responder adequadamente às crises internacionais. Eles também avaliaram que o próximo secretário-geral da organização enfrentará um cenário global particularmente desafiador. Ao final da conversa, os presidentes reafirmaram o compromisso de Brasil e China com a defesa do multilateralismo e concordaram em manter coordenação próxima sobre temas da agenda internacional em fóruns como a ONU e os Brics. A conversa ocorre no momento em que Lula tem reforçado a defesa da diversificação das relações comerciais do Brasil. Neste domingo, em artigo publicado no jornal americano The Washington Post, o presidente classificou como um "erro estratégico" as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e afirmou que o país buscará alternativas para ampliar investimentos e parcerias econômicas.

Jul 27, 2026 - 00:30
 0  15
Lula conversa com Xi e reforça aproximação do Brasil com a China

Lula e Xi Jinping em Pequim Getty Images/BBC O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da China, Xi Jinping, conversaram por telefone na noite deste domingo (26) e defenderam o aprofundamento da cooperação bilateral em áreas estratégicas, além da aceleração das negociações para um acordo entre o Mercosul e a China. Segundo comunicado divulgado pelo Palácio do Planalto, a conversa durou mais de uma hora. De acordo com a nota, os líderes trataram da implementação de projetos de desenvolvimento dos dois países e reiteraram o interesse em ampliar parcerias em setores de alta tecnologia, como inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes. A expectativa era que os líderes discutissem as duas tarifas anunciadas pelo governo Trump contra o Brasil e outros parceiros comerciais nas últimas semanas. A nota do Planalto não cita o tarifaço entre os temas da conversa. Durante o telefonema, Lula afirmou que o governo brasileiro segue comprometido com a diversificação de mercados e parceiros comerciais. Os dois presidentes também concordaram sobre a importância de acelerar as tratativas para um acordo Mercosul-China que contemple as flexibilidades consideradas necessárias pelas partes. Agora no g1 Lula e Xi destacaram ainda os resultados do comércio bilateral e os efeitos das jornadas culturais promovidas pelos dois países ao longo deste ano. Segundo a nota, eles também ressaltaram o impacto do acordo de isenção de vistos para viagens de curta duração, medida que deve ampliar o fluxo de turistas e as oportunidades de negócios. Ao abordar temas internacionais, os presidentes manifestaram preocupação com a multiplicação de conflitos ao redor do mundo e seus efeitos sobre a segurança alimentar e energética global. Os dois também lamentaram as perdas humanas e materiais decorrentes dessas crises. Sobre o Oriente Médio, Lula e Xi afirmaram que as restrições à livre navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb têm impactos negativos para a economia mundial. Eles também expressaram preocupação com a continuidade da crise humanitária em Gaza. Os líderes concordaram ainda que o Grupo de Amigos da Paz pode ter papel relevante na retomada de negociações para encerrar a guerra na Ucrânia. A iniciativa diplomática foi lançada por Brasil e China em setembro de 2024, na Organização das Nações Unidas (ONU), e reúne países do Sul Global em defesa de uma solução política para o conflito. Segundo o comunicado, Lula e Xi criticaram a incapacidade do Conselho de Segurança da ONU de responder adequadamente às crises internacionais. Eles também avaliaram que o próximo secretário-geral da organização enfrentará um cenário global particularmente desafiador. Ao final da conversa, os presidentes reafirmaram o compromisso de Brasil e China com a defesa do multilateralismo e concordaram em manter coordenação próxima sobre temas da agenda internacional em fóruns como a ONU e os Brics. A conversa ocorre no momento em que Lula tem reforçado a defesa da diversificação das relações comerciais do Brasil. Neste domingo, em artigo publicado no jornal americano The Washington Post, o presidente classificou como um "erro estratégico" as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e afirmou que o país buscará alternativas para ampliar investimentos e parcerias econômicas.