‘O amor vem antes do medo’: Mães atípicas relatam rotina de renúncias, terapias e luta por inclusão dos filhos

O Dia das Mães, comemorado neste domingo (10), é tradicionalmente uma data marcada por palavras e gestos que celebram o amor incondicional de quem cuida, educa e guia. Um amor que exige entrega, renúncias e rotinas exaustivas. Para as mães atípicas, essa dedicação à 'função mais nobre do mundo' se multiplica diariamente. Neste Dia das Mães, o g1 homenageia mulheres que se tornaram mais fortes diante de diagnósticos e desafios que, muitas vezes, passam despercebidos aos olhos da sociedade. Para as mães atípicas, o amor pelos filhos também se traduz na luta constante por direitos, acolhimento e inclusão. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp 'Me ensinou que seu jeito de amar é maior que tudo' Cleide Santos e seu filho Henrique Santos Cleide Santos/ Arquivo Pessoal A chegada de Henrique, hoje com 9 anos, foi a realização de um sonho para Cleide Santos, de 44 anos, moradora de Divinópolis. Após enfrentar a endometriose e passar por duas cirurgias no útero, o nascimento do filho foi celebrado com imensa alegria. No entanto, nos primeiros anos de vida de Henrique, Cleide percebeu que o desenvolvimento dele era diferente do observado em outras crianças. Começou, então, uma longa busca por respostas até receber o diagnóstico de autismo. "Ele é nível 1, mas o que dói é quando as pessoas dizem: 'Ah, ele só tem o nível 1'. É um nível 1 que, para a mãe e para o pai, nunca é leve. É muito pesado", desabafa. Cleide reorganizou completamente a rotina para oferecer ao filho os melhores tratamentos e oportunidades de desenvolvimento. Entre terapias e adaptações escolares, faz um verdadeiro malabarismo para dar conta de tudo. Ver os frutos de tanta dedicação transformou também a forma como ela enxerga o Dia das Mães. "Hoje consigo enxergar o verdadeiro Dia das Mães. Como é bom comemorar sabendo que quem me deu esse título está evoluindo e que eu contribuo para isso. Henrique me ensinou que o mundo pode não ser como planejamos, mas que, com jeito, tudo se transforma. Ele me ensinou a lutar e que seu jeito de amar é maior que tudo", se declarou ao filho. ‘Permita que o amor venha antes do medo’ Fernanda Camargo e sua filha Manuela e Laura Fernanda Camargo/ Arquivo Pessoal A chegada de Laura, hoje com 5 anos, em dezembro de 2020, trouxe uma surpresa que mudou a vida de Fernanda Camargo, de 33 anos. Após uma gestação tranquila, o nascimento da menina revelou a Síndrome de Down (Trissomia 21). "No momento em que a vi, levei um susto e chorei muito. Questionei o porquê de tudo aquilo", relembra. Mas o medo logo deu lugar a uma entrega profunda. Ao beijar a testa da filha, Fernanda pediu força e sabedoria para seguir em frente. Desde então, passou a conciliar a rotina intensa de terapias com o trabalho em um hospital e os plantões exaustivos. "Confesso que é cansativo, há dias em que dá vontade de largar tudo, mas quando olho para o ser humano que ela está se tornando, sei que valerá a pena”, conta. Com Laura, Fernanda acredita que a família se tornou mais unida e consciente. Todos a defendem “com unhas e dentes”. A irmã mais velha, Manuela, de 10 anos, participa ativamente do desenvolvimento da caçula. "Manuela é uma verdadeira terapeuta da Laura, ajuda a cuidar, a ensinar o dever e a brincar. Nunca criamos nossas filhas como coitadinhas ou limitadas. Ensinamos o verdadeiro sentido do amor ao próximo e a encarar o mundo com muita força e empatia". LEIA TAMBÉM: Conheça histórias de mulheres que se dedicam a cuidar das próprias mães Casal que perdeu antigos noivos em acidentes de trânsito na mesma avenida celebra 1 ano de casamento Para Fernanda, o Dia das Mães é um lembrete de que maternar é um exercício diário de força, paciência e gratidão. Às mães que acabaram de receber um diagnóstico, ela deixa um recado: "Respire e permita que o amor venha antes do medo. Com o tempo, você verá que o seu filho continua sendo, acima de tudo, um filho. A Síndrome de Down não define quem aquela criança é." ‘Ser mãe atípica é dedicar-se por inteira’ Thaissa Oliveira e seu filho Gabriel Thaissa Oliveira / Arquivo Pessoal O nascimento de Gabriel, hoje com 5 anos, parecia o início de uma trajetória tranquila. Porém, aos 4 meses de vida do menino, a rotina de Thaissa Oliveira, de 33 anos, moradora de Divinópolis, mudou drasticamente. Espasmos frequentes levaram ao diagnóstico da Síndrome de West, uma forma rara de epilepsia. “Eu não era simplesmente uma mãe de primeira viagem, mas uma mãe diferente das outras, que passou a viver com o coração pulsando na boca", desabafa. Mesmo ouvindo que o atraso motor e a sensibilidade eram reflexos da síndrome, a intuição materna de Thaissa falou mais alto. Ao perceber comportamentos específicos, como o fascínio por máquinas de lavar e o desconforto em ambientes cheios, buscou uma avaliação neuropsicológica que confirmou um segundo diagnóstico: o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Para Thaissa, o diagnóstico não foi um choque, mas um chamado para mergulhar ainda mais no

Mai 10, 2026 - 14:00
 0  1
‘O amor vem antes do medo’: Mães atípicas relatam rotina de renúncias, terapias e luta por inclusão dos filhos

O Dia das Mães, comemorado neste domingo (10), é tradicionalmente uma data marcada por palavras e gestos que celebram o amor incondicional de quem cuida, educa e guia. Um amor que exige entrega, renúncias e rotinas exaustivas. Para as mães atípicas, essa dedicação à 'função mais nobre do mundo' se multiplica diariamente. Neste Dia das Mães, o g1 homenageia mulheres que se tornaram mais fortes diante de diagnósticos e desafios que, muitas vezes, passam despercebidos aos olhos da sociedade. Para as mães atípicas, o amor pelos filhos também se traduz na luta constante por direitos, acolhimento e inclusão. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp 'Me ensinou que seu jeito de amar é maior que tudo' Cleide Santos e seu filho Henrique Santos Cleide Santos/ Arquivo Pessoal A chegada de Henrique, hoje com 9 anos, foi a realização de um sonho para Cleide Santos, de 44 anos, moradora de Divinópolis. Após enfrentar a endometriose e passar por duas cirurgias no útero, o nascimento do filho foi celebrado com imensa alegria. No entanto, nos primeiros anos de vida de Henrique, Cleide percebeu que o desenvolvimento dele era diferente do observado em outras crianças. Começou, então, uma longa busca por respostas até receber o diagnóstico de autismo. "Ele é nível 1, mas o que dói é quando as pessoas dizem: 'Ah, ele só tem o nível 1'. É um nível 1 que, para a mãe e para o pai, nunca é leve. É muito pesado", desabafa. Cleide reorganizou completamente a rotina para oferecer ao filho os melhores tratamentos e oportunidades de desenvolvimento. Entre terapias e adaptações escolares, faz um verdadeiro malabarismo para dar conta de tudo. Ver os frutos de tanta dedicação transformou também a forma como ela enxerga o Dia das Mães. "Hoje consigo enxergar o verdadeiro Dia das Mães. Como é bom comemorar sabendo que quem me deu esse título está evoluindo e que eu contribuo para isso. Henrique me ensinou que o mundo pode não ser como planejamos, mas que, com jeito, tudo se transforma. Ele me ensinou a lutar e que seu jeito de amar é maior que tudo", se declarou ao filho. ‘Permita que o amor venha antes do medo’ Fernanda Camargo e sua filha Manuela e Laura Fernanda Camargo/ Arquivo Pessoal A chegada de Laura, hoje com 5 anos, em dezembro de 2020, trouxe uma surpresa que mudou a vida de Fernanda Camargo, de 33 anos. Após uma gestação tranquila, o nascimento da menina revelou a Síndrome de Down (Trissomia 21). "No momento em que a vi, levei um susto e chorei muito. Questionei o porquê de tudo aquilo", relembra. Mas o medo logo deu lugar a uma entrega profunda. Ao beijar a testa da filha, Fernanda pediu força e sabedoria para seguir em frente. Desde então, passou a conciliar a rotina intensa de terapias com o trabalho em um hospital e os plantões exaustivos. "Confesso que é cansativo, há dias em que dá vontade de largar tudo, mas quando olho para o ser humano que ela está se tornando, sei que valerá a pena”, conta. Com Laura, Fernanda acredita que a família se tornou mais unida e consciente. Todos a defendem “com unhas e dentes”. A irmã mais velha, Manuela, de 10 anos, participa ativamente do desenvolvimento da caçula. "Manuela é uma verdadeira terapeuta da Laura, ajuda a cuidar, a ensinar o dever e a brincar. Nunca criamos nossas filhas como coitadinhas ou limitadas. Ensinamos o verdadeiro sentido do amor ao próximo e a encarar o mundo com muita força e empatia". LEIA TAMBÉM: Conheça histórias de mulheres que se dedicam a cuidar das próprias mães Casal que perdeu antigos noivos em acidentes de trânsito na mesma avenida celebra 1 ano de casamento Para Fernanda, o Dia das Mães é um lembrete de que maternar é um exercício diário de força, paciência e gratidão. Às mães que acabaram de receber um diagnóstico, ela deixa um recado: "Respire e permita que o amor venha antes do medo. Com o tempo, você verá que o seu filho continua sendo, acima de tudo, um filho. A Síndrome de Down não define quem aquela criança é." ‘Ser mãe atípica é dedicar-se por inteira’ Thaissa Oliveira e seu filho Gabriel Thaissa Oliveira / Arquivo Pessoal O nascimento de Gabriel, hoje com 5 anos, parecia o início de uma trajetória tranquila. Porém, aos 4 meses de vida do menino, a rotina de Thaissa Oliveira, de 33 anos, moradora de Divinópolis, mudou drasticamente. Espasmos frequentes levaram ao diagnóstico da Síndrome de West, uma forma rara de epilepsia. “Eu não era simplesmente uma mãe de primeira viagem, mas uma mãe diferente das outras, que passou a viver com o coração pulsando na boca", desabafa. Mesmo ouvindo que o atraso motor e a sensibilidade eram reflexos da síndrome, a intuição materna de Thaissa falou mais alto. Ao perceber comportamentos específicos, como o fascínio por máquinas de lavar e o desconforto em ambientes cheios, buscou uma avaliação neuropsicológica que confirmou um segundo diagnóstico: o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Para Thaissa, o diagnóstico não foi um choque, mas um chamado para mergulhar ainda mais no universo do filho. "Parei de viver a minha vida, incluindo sonhos e desejos, para viver a dele. Acho que somos um só", reflete. Aos olhos de Thaissa, ser mãe atípica é viver um amor profundo que, embora exija renúncias e transforme completamente a própria identidade, revela o sentido mais puro e sincero da vida. "Quero que ele sempre veja em mim o seu porto seguro", diz emocionada. *Estagiária sob supervisão de Juliana Leal. Veja também: Pai chama atenção ao aparecer de bermuda e descalço em foto do casamento da filha Pai chama atenção ao aparecer de bermuda e descalço em foto do casamento da filha VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas