Por que o BC liquidou o Will Bank só agora, dois meses após o Master: entenda a decisão

O Banco Central decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira, conhecida como Will Bank — dois meses após a liquidação do Banco Master, controlador do conglomerado. A decisão levantou a dúvida: por que o desfecho veio somente agora, se o Master havia sido liquidado em novembro? A resposta pode estar em uma combinação de fatores. Segundo o Banco Central, houve tentativa de preservar a operação da instituição visando interesse público (leia mais abaixo). Já de acordo com apurações do blog do Valdo Cruz, o Will Bank não foi liquidado antes para permitir a venda a um novo investidor de origem árabe, que tinha interesse na compra — negócio que não foi concretizado. Adicionado a isso, a instituição descumpriu a grade de pagamentos com a Mastercard, o que deixou a situação mais delicada. Até então, o Will Bank estava sob regime de administração temporária do Banco Central — que é quando o BC assume temporariamente o controle da instituição para evitar que a situação piore e cause prejuízos maiores aos clientes e ao sistema financeiro. Em nota, o BC justificou a decisão neste momento: "Na ocasião da decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, entendeu-se adequada e aderente ao interesse público a imposição do Raet ao Master Múltiplo S/A, ante a possibilidade de uma solução que preservasse o funcionamento de sua controlada Will Financeira", pontuou. "Tal solução, contudo, não se mostrou viável, verificando-se no dia 19 de janeiro de 2026 o descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard (Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos Ltda.) e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo", completou. No comunicado, o Banco Central ainda menciona que o cenário comprometeu a “situação econômico-financeira” da instituição e caracterizou sua insolvência. O BC destacou ainda que a insolvência do Will estava associada ao “vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A.”. Ou seja: embora o Will não tenha sido liquidado junto com o Master, a deterioração do conglomerado e a impossibilidade de separar completamente a gestão e o risco entre as empresas criaram um efeito retardado, mas inevitável. O Will reúne aproximadamente R$ 7 bilhões em passivos e cerca de R$ 8 bilhões em transações correntes com a bandeira. Com o controle do Master já liquidado e sem alternativas viáveis, o BC concluiu que foi inevitável liquidar o Will. A hipótese de venda, que poderia permitir a continuidade da instituição, também não se concretizou. Dessa forma, as possibilidades de manter o funcionamento da instituição também diminuíram. Nota do BC Veja a nota do Banco Central sobre a liquidação na íntegra: "​O Banco Central decretou hoje, 21 de janeiro de 2026, a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, controlada pelo Banco Master Múltiplo S/A, o qual vem operando sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) no contexto da liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, decretada em 18 de novembro de 2025. O Conglomerado Master era classificado como de crédito diversificado, porte pequeno e enquadrado no segmento S3 da regulação prudencial, tendo como instituição líder o Banco Master S/A. O conglomerado detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Na ocasião da decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, entendeu-se adequada e aderente ao interesse público a imposição do RAET ao Master Múltiplo S/A, ante a possibilidade de uma solução que preservasse o funcionamento de sua controlada Will Financeira. Tal solução, contudo, não se mostrou viável, verificando-se no dia 19 de janeiro de 2026 o descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard (Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos Ltda.) e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo. Assim, tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial. O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição objeto da liquidação decretada." Caso Banco Master Segundo a TV Globo apurou, Maurício Antônio Quadrado, ligado ao Will Bank, foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quarta-feira (14). De acordo com fontes da PF, ele é sócio oculto de Daniel Vorcaro, dono do banco Master. O Banco Master,

Jan 21, 2026 - 09:30
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Por que o BC liquidou o Will Bank só agora, dois meses após o Master: entenda a decisão
O Banco Central decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira, conhecida como Will Bank — dois meses após a liquidação do Banco Master, controlador do conglomerado. A decisão levantou a dúvida: por que o desfecho veio somente agora, se o Master havia sido liquidado em novembro? A resposta pode estar em uma combinação de fatores. Segundo o Banco Central, houve tentativa de preservar a operação da instituição visando interesse público (leia mais abaixo). Já de acordo com apurações do blog do Valdo Cruz, o Will Bank não foi liquidado antes para permitir a venda a um novo investidor de origem árabe, que tinha interesse na compra — negócio que não foi concretizado. Adicionado a isso, a instituição descumpriu a grade de pagamentos com a Mastercard, o que deixou a situação mais delicada. Até então, o Will Bank estava sob regime de administração temporária do Banco Central — que é quando o BC assume temporariamente o controle da instituição para evitar que a situação piore e cause prejuízos maiores aos clientes e ao sistema financeiro. Em nota, o BC justificou a decisão neste momento: "Na ocasião da decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, entendeu-se adequada e aderente ao interesse público a imposição do Raet ao Master Múltiplo S/A, ante a possibilidade de uma solução que preservasse o funcionamento de sua controlada Will Financeira", pontuou. "Tal solução, contudo, não se mostrou viável, verificando-se no dia 19 de janeiro de 2026 o descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard (Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos Ltda.) e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo", completou. No comunicado, o Banco Central ainda menciona que o cenário comprometeu a “situação econômico-financeira” da instituição e caracterizou sua insolvência. O BC destacou ainda que a insolvência do Will estava associada ao “vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A.”. Ou seja: embora o Will não tenha sido liquidado junto com o Master, a deterioração do conglomerado e a impossibilidade de separar completamente a gestão e o risco entre as empresas criaram um efeito retardado, mas inevitável. O Will reúne aproximadamente R$ 7 bilhões em passivos e cerca de R$ 8 bilhões em transações correntes com a bandeira. Com o controle do Master já liquidado e sem alternativas viáveis, o BC concluiu que foi inevitável liquidar o Will. A hipótese de venda, que poderia permitir a continuidade da instituição, também não se concretizou. Dessa forma, as possibilidades de manter o funcionamento da instituição também diminuíram. Nota do BC Veja a nota do Banco Central sobre a liquidação na íntegra: "​O Banco Central decretou hoje, 21 de janeiro de 2026, a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, controlada pelo Banco Master Múltiplo S/A, o qual vem operando sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) no contexto da liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, decretada em 18 de novembro de 2025. O Conglomerado Master era classificado como de crédito diversificado, porte pequeno e enquadrado no segmento S3 da regulação prudencial, tendo como instituição líder o Banco Master S/A. O conglomerado detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Na ocasião da decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, entendeu-se adequada e aderente ao interesse público a imposição do RAET ao Master Múltiplo S/A, ante a possibilidade de uma solução que preservasse o funcionamento de sua controlada Will Financeira. Tal solução, contudo, não se mostrou viável, verificando-se no dia 19 de janeiro de 2026 o descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard (Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos Ltda.) e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo. Assim, tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial. O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição objeto da liquidação decretada." Caso Banco Master Segundo a TV Globo apurou, Maurício Antônio Quadrado, ligado ao Will Bank, foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quarta-feira (14). De acordo com fontes da PF, ele é sócio oculto de Daniel Vorcaro, dono do banco Master. O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, foi liquidado em 18 de dezembro de 2025 pelo Banco Central. A instituição enfrentava dificuldades financeiras, com alto custo de captação e forte exposição a investimentos considerados arriscados. Tentativas de venda, como a proposta do BRB, não avançaram diante de questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência e menções ao banco em investigações. O alerta no mercado se intensificou quando o Master passou a oferecer CDBs com rentabilidades muito acima do padrão.