Professores de escola rural no DF denunciam perseguição e assédio moral de diretora; veja relatos

Professores de escola rural no DF denunciam perseguição e assédio moral Professores da Escola Classe Café sem Troco, na zona rural do Distrito Federal, denunciam assédio moral e perseguição por parte da gestão da unidade. Os relatos começaram há mais de dois anos, mas as retaliações se intensificaram após as primeiras denúncias, ainda em outubro. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 no WhatsApp. Segundo os servidores, as condições de trabalho se tornaram ainda piores no mês passado, com o retorno da diretora. Ela estava afastada desde fevereiro para responder a processo administrativo. Passados os 60 dias de afastamento, a investigada retornou sem que o processo fosse concluído pela corregedoria. A falta de soluções levou a equipe da escola a enviar uma carta à governadora Celina Leão (PP). No documento, eles classificam as condutas como “autoritárias e persecutórias, além de possíveis situações de assédio moral, dificuldades de diálogo e problemas na condução da gestão”. “A diretora retornou à escola sem que tivéssemos conhecimento do resultado do processo administrativo, causando grande apreensão entre nós. Alguns de nós, ao tomarmos conhecimento de seu retorno, não nos sentimos em condições psicológicas de comparecer à escola naquele dia”, diz o texto. Manifestação de professores em frente à EC Café sem troco Arquivo pessoal A situação de trabalho fez com que oito dos 13 funcionários que denunciaram a conduta apresentassem atestados por razões médicas. Alguns já voltaram ao trabalho, enquanto outros permanecem afastados. Eles afirmam que o quadro foi motivado pelas situações de assédio moral. "Só de pensar na possibilidade dela retornar para a escola, eu comecei a dar crise de ansiedade. Eu passei mal dentro da sala de aula, eu achei que eu estava infartando, com meu coração acelerando e ânsia de vômito. Na madrugada desse dia, eu acabei indo parar no hospital, achei até que eu estava com um início de infarto. Fiz todos os exames e não era nada disso, era uma crise de ansiedade generalizada aguda. Hoje estou à base de medicamentos, tomo remédio de manhã e remédio à noite para dormir", relata uma das funcionárias. Procurada, a Secretaria de Educação se limitou a informar que o processo corre em sigilo, mas não justificou a demora. A comunidade informa que também pediu apoio ao Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF), que ofereceu aconselhamento jurídico. A entidade, no entanto, não pode entrar no caso, já que a denunciada também é servidora assegurada pelo sindicato. O Sinpro informou que esteve em reunião com os professores no fim de setembro, mas não respondeu ao g1 sobre as medidas tomadas após o encontro. A situação de trabalho fez com que oito dos 13 funcionários que denunciaram a conduta apresentassem atestados por razões médicas. Arquivo pessoal Acusações Os funcionários da Escola Classe Café sem Troco acusam a gestora de intimidar e perseguir funcionários com opiniões contrárias, além de marcar reuniões privadas para coagir funcionários "sem testemunhas". Duas das denúncias chegaram a ser registradas em boletim de ocorrência. A primeira, em 2025, afirma que a investigada proibiu um dos educadores de usar uma sala da escola para atender os alunos. Após a proibição, o servidor passou a utilizar um espaço no meio do corredor da escola, mas o local foi coberto de entulhos sem aviso ou justificativa. Mas as acusações não envolvem apenas o tratamento aos funcionários. Entre as denúncias, estão: uso dos canais de comunicação para propagandas políticas; modificação das metodologias de ensino e alfabetização sem o aval da secretaria ; distribuição das turmas de forma autoritária, o que também foi questionado pelos pais dos alunos. Ela também mantinha uma venda de doces e balinhas na escola, prática proibida por lei, e chegou a utilizar o grupo de pais e mestres para propagandas políticas. Investigada mantinha venda de doces e balinhas na escola, prática proibida por lei. Arquivo pessoal Interferência Em 2024, os profissionais contam que receberam uma cartilha de alfabetização produzida pela própria gestora em substituição aos livros oficiais da Secretaria de Educação. Áudios obtidos pelo g1 (ouça no topo deste texto) mostram falas da diretora, em que cita as cartilhas e afirma que a alfabetização das séries iniciais passaria a seguir o método usado por ela. Os funcionários relatam ainda interferências dentro da sala de aula. Um dos docentes, que não quis se identificar, conta que a diretora criou um projeto de "apadrinhamento" para acompanhar as aulas de perto. "Eu, percebi que ela entrava lá na minha turma e, em vez de fazer uma dinâmica, ela dava uma aula para os meus alunos. Ela dava aula do jeito dela e olhava para mim como se tivesse me dizendo assim: 'Tá vendo? É assim que eu quero que você dê a sua aula', entendeu?", conta. A professora relata ainda que ela coagiu profissionais que davam aula no quinto ano a não reprovarem alunos. O motivo era driblar os ind

Out 17, 2026 - 02:30
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Professores de escola rural no DF denunciam perseguição e assédio moral de diretora; veja relatos

Professores de escola rural no DF denunciam perseguição e assédio moral Professores da Escola Classe Café sem Troco, na zona rural do Distrito Federal, denunciam assédio moral e perseguição por parte da gestão da unidade. Os relatos começaram há mais de dois anos, mas as retaliações se intensificaram após as primeiras denúncias, ainda em outubro. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 no WhatsApp. Segundo os servidores, as condições de trabalho se tornaram ainda piores no mês passado, com o retorno da diretora. Ela estava afastada desde fevereiro para responder a processo administrativo. Passados os 60 dias de afastamento, a investigada retornou sem que o processo fosse concluído pela corregedoria. A falta de soluções levou a equipe da escola a enviar uma carta à governadora Celina Leão (PP). No documento, eles classificam as condutas como “autoritárias e persecutórias, além de possíveis situações de assédio moral, dificuldades de diálogo e problemas na condução da gestão”. “A diretora retornou à escola sem que tivéssemos conhecimento do resultado do processo administrativo, causando grande apreensão entre nós. Alguns de nós, ao tomarmos conhecimento de seu retorno, não nos sentimos em condições psicológicas de comparecer à escola naquele dia”, diz o texto. Manifestação de professores em frente à EC Café sem troco Arquivo pessoal A situação de trabalho fez com que oito dos 13 funcionários que denunciaram a conduta apresentassem atestados por razões médicas. Alguns já voltaram ao trabalho, enquanto outros permanecem afastados. Eles afirmam que o quadro foi motivado pelas situações de assédio moral. "Só de pensar na possibilidade dela retornar para a escola, eu comecei a dar crise de ansiedade. Eu passei mal dentro da sala de aula, eu achei que eu estava infartando, com meu coração acelerando e ânsia de vômito. Na madrugada desse dia, eu acabei indo parar no hospital, achei até que eu estava com um início de infarto. Fiz todos os exames e não era nada disso, era uma crise de ansiedade generalizada aguda. Hoje estou à base de medicamentos, tomo remédio de manhã e remédio à noite para dormir", relata uma das funcionárias. Procurada, a Secretaria de Educação se limitou a informar que o processo corre em sigilo, mas não justificou a demora. A comunidade informa que também pediu apoio ao Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF), que ofereceu aconselhamento jurídico. A entidade, no entanto, não pode entrar no caso, já que a denunciada também é servidora assegurada pelo sindicato. O Sinpro informou que esteve em reunião com os professores no fim de setembro, mas não respondeu ao g1 sobre as medidas tomadas após o encontro. A situação de trabalho fez com que oito dos 13 funcionários que denunciaram a conduta apresentassem atestados por razões médicas. Arquivo pessoal Acusações Os funcionários da Escola Classe Café sem Troco acusam a gestora de intimidar e perseguir funcionários com opiniões contrárias, além de marcar reuniões privadas para coagir funcionários "sem testemunhas". Duas das denúncias chegaram a ser registradas em boletim de ocorrência. A primeira, em 2025, afirma que a investigada proibiu um dos educadores de usar uma sala da escola para atender os alunos. Após a proibição, o servidor passou a utilizar um espaço no meio do corredor da escola, mas o local foi coberto de entulhos sem aviso ou justificativa. Mas as acusações não envolvem apenas o tratamento aos funcionários. Entre as denúncias, estão: uso dos canais de comunicação para propagandas políticas; modificação das metodologias de ensino e alfabetização sem o aval da secretaria ; distribuição das turmas de forma autoritária, o que também foi questionado pelos pais dos alunos. Ela também mantinha uma venda de doces e balinhas na escola, prática proibida por lei, e chegou a utilizar o grupo de pais e mestres para propagandas políticas. Investigada mantinha venda de doces e balinhas na escola, prática proibida por lei. Arquivo pessoal Interferência Em 2024, os profissionais contam que receberam uma cartilha de alfabetização produzida pela própria gestora em substituição aos livros oficiais da Secretaria de Educação. Áudios obtidos pelo g1 (ouça no topo deste texto) mostram falas da diretora, em que cita as cartilhas e afirma que a alfabetização das séries iniciais passaria a seguir o método usado por ela. Os funcionários relatam ainda interferências dentro da sala de aula. Um dos docentes, que não quis se identificar, conta que a diretora criou um projeto de "apadrinhamento" para acompanhar as aulas de perto. "Eu, percebi que ela entrava lá na minha turma e, em vez de fazer uma dinâmica, ela dava uma aula para os meus alunos. Ela dava aula do jeito dela e olhava para mim como se tivesse me dizendo assim: 'Tá vendo? É assim que eu quero que você dê a sua aula', entendeu?", conta. A professora relata ainda que ela coagiu profissionais que davam aula no quinto ano a não reprovarem alunos. O motivo era driblar os indicadores de reprovação para obter uma nota alta no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). ➡️ O Distrito Federal não atingiu a meta nacional no Ideb em 2025. Indicador avalia o desempenho dos estudantes em português e matemática, além das taxas de aprovação apuradas pelo Censo Escolar, gerando uma nota de zero a dez para cada etapa de ensino. Outra servidora também relata que foi impedida de executar o plano pedagógico e que foi constrangida publicamente pela investigada. "Como forma de punição e isolamento, fui colocada em uma sala insalubre, marcada pelo forte cheiro de mofo, arquivos cobertos de poeira, mau cheiro, ausência total de ventilação por ser um ambiente extremamente quente e abafado, e completamente sem sinal de internet", conta. O que diz a Secretaria de Educação? Procurada, a Secretaria de Educação chamou a denúncia de troca de livros por cartilhas próprias de "improcedente". "O material utilizado na Escola Classe Café sem Troco é do Alfaletrando e integra o material institucional autorizado pela Secretaria. A direção da unidade escolar não adotou nem impôs, por iniciativa própria, qualquer material didático sem a devida anuência ou autorização da SEEDF. O material utilizado está autorizado pela Secretaria e sua adoção observa as orientações institucionais, não havendo, portanto, irregularidade quanto ao uso de material não autorizado, conforme relatado na denúncia", diz a nota. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.