Augusto Mafuz: Athletico foi um espetáculo e acertou as contas com o Coritiba
Na Arena da Baixada, pelo Brasileirão: Athletico 2 x 0 Coritiba, em Atletiba inusitado. A supremacia tática e individual do Furacão foi tamanha, que submeteu os coxas à obrigação de aceitarem a derrota como consequência natural do jogo. Há uma explicação para a excelência do jogo do Athletico: o treinador Odair Hellmann, em uma análise […]
Na Arena da Baixada, pelo Brasileirão: Athletico 2 x 0 Coritiba, em Atletiba inusitado. A supremacia tática e individual do Furacão foi tamanha, que submeteu os coxas à obrigação de aceitarem a derrota como consequência natural do jogo.
Há uma explicação para a excelência do jogo do Athletico: o treinador Odair Hellmann, em uma análise de consciência, finalmente concluiu que Zapelli e Portilla tornavam o meio campo inerte, sem vida. Trocando-os por Dudu e Jadson, fez o time mais conservador e ganhar uma nova dinâmica de jogo. Com Jadson marcando no meio e protegendo a zaga e Dudu ocupando todos os espaços, inclusive entrando na área coxa, o Athletico foi o que jamais tinha sido nesse Brasileirão. Um espetáculo, coisa de louco.
O Coritiba não jogava nem mais e nem menos do que vem jogando no campeonato. Jogava com pouco ritmo e pouco risco, esperando um erro atleticano. O Athletico é que foi diferente, e em alguns momentos da etapa inicial parecia alcançar a perfeição.
Um grande jogador, em poucos minutos, pode destruir um plano de jogo com uma jogada.
Dudu, por exemplo. Com o jogo girando em torno de Luiz Gustavo e Dudu, o gol era uma questão de pouco tempo. Quando Julimar cruzou para Dudu, ele fez o que Zapelli normalmente não sabe: entrar na área, finalizar bem e fazer o gol. Um gol atleticano de puro sangue. Não é pouco, mas há mais.
Congelado, o Coritiba não conseguia sequer andar em campo. E na etapa final não foi diferente. O Athletico era tão superior, com conforto e autoridade, que nem mesmo a saída de Luiz Gustavo por contusão, e com Portilla em seu lugar, mudou o o roteiro.
Mas faltava uma coisa: o gol que a torcida queria, o de Viveros. Divertindo-se com o calor que o colombiano dava em Jacy e Maicon, veio a explosão. Esquivel cruzou para Benavídez, que de cabeça lançou em um espaço vazio na área
coxa. Viveiros ocupou-o e fez 2 a 0 – e ainda comemorou provocando o rival.
O único chute que o Coritiba deu ao gol atleticano foi no final, com Chermont. O goleiro Santos transformou chute em pura ilusão. No futebol, o último jogo e o último resultado, em regra, condicionam as opiniões do jornalismo e da torcida. No caso do Athletico, aplica-se a exceção.
O seu jogo desse Atletiba seguirá como referência desde que o treinador Hellmann tenha se convencido que o meio campo com Jadson, Luiz Gustavo e Dudu dá outra vida ao time.
O Coritiba deu impressão que foi confiando mais invencibilidade do passado do que no futebol do presente. Esqueceu-se que a história passada não reflete no agora.
Bem por isso, saindo da Baixada, um caminhoneiro, vestido de rubro-negro, todo faceiro, manobrava o seu caminhão com a traseira mostrando uma mensagem: “Na subida você me aperta, na descida nós se acerta.” O Athletico acertou as contas com o Coritiba.


/https%3A%2F%2Fmedia.umdoisesportes.com.br%2Fmain%2F2024%2F11%2F29150758%2Farte-mafuz.png)