Camisa 9 do Brasil, Matheus Cunha foi desperdiçado por clube brasileiro

Camisa 9 da seleção brasileira e provável titular na estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026, diante de Marrocos, neste sábado (13), às 19h, no MetLife Stadium, o atacante Matheus Cunha tem uma história peculiar até chegar ao posto que ocupa atualmente como destaque do Manchester United, da Inglaterra. Natural de João Pessoa, […]

Jun 13, 2026 - 12:30
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Camisa 9 do Brasil, Matheus Cunha foi desperdiçado por clube brasileiro

Camisa 9 da seleção brasileira e provável titular na estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026, diante de Marrocos, neste sábado (13), às 19h, no MetLife Stadium, o atacante Matheus Cunha tem uma história peculiar até chegar ao posto que ocupa atualmente como destaque do Manchester United, da Inglaterra.

Natural de João Pessoa, na Paraíba, Cunha deixou o Nordeste ainda adolescente para tentar realizar o sonho de se tornar jogador profissional no Sul do país. Aos 14 anos, saiu de casa para atuar nas categorias de base do Coritiba.

Em entrevistas, o atacante já afirmou que essa foi a maior mudança de sua vida. Deixou uma cidade litorânea, a família e a rotina no Nordeste para viver em Curitiba, uma metrópole distante de casa, em busca de espaço no futebol.

Mas Matheus seguiu seu caminho e construiu sua trajetória no Alto da Glória. Destacado pelo profissionalismo e pela disciplina, companheiros da época já afirmavam ter certeza de que o atacante faria sucesso no futebol profissional antes mesmo de sua estreia. Curiosamente, porém, ela nunca aconteceu no Couto Pereira. Sua trajetória no Coritiba terminou antes mesmo de ele atuar pela equipe principal.

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Venda virou símbolo de “erro” histórico

Em destaque nas categorias de base e atuando frequentemente acima de sua faixa etária, Cunha também era visto como uma grande promessa pelos treinadores e coordenadores do Coritiba. No entanto, tudo mudou em 2017, quando o então presidente do clube, Rogério Bacellar, negociou o jovem de 18 anos com o Sion, da Suíça, por R$ 700 mil.

Na época, o próprio jogador enxergou a transferência como uma oportunidade importante. O Coritiba havia adquirido parte dos direitos econômicos do atleta por cerca de R$ 150 mil. Cunha ainda recebia salário mínimo nas categorias de base, e a mudança para a Europa representava um passo fundamental para sua carreira.

Matheus Cunha fala sobre sonho em jogar a Copa. Foto: Rafael Ribeiro/CBF.

O dinheiro dessa primeira venda, no entanto, pode-se dizer, traumatizou parte da torcida coxa-branca. A diretoria utilizou o valor para ajudar a pagar a compra em definitivo do meio-campista Matheus Galdezani junto ao Mirassol, por R$ 3,5 milhões, após um início promissor do jogador, marcado pela conquista do Campeonato Paranaense e por um gol contra o Palmeiras no Campeonato Brasileiro.

Porém, pouco tempo depois, Galdezani caiu drasticamente de rendimento e não permaneceu no clube para a temporada seguinte, após o rebaixamento da equipe para a Série B. Ele foi emprestado para Atlético-MG, Internacional e Bahia antes de entrar na Justiça e rescindir seu contrato com o Coritiba, alegando atraso no pagamento de salários.

Enquanto isso, Matheus Cunha crescia e avançava etapa por etapa no futebol europeu. Depois da Suíça, foi para a Alemanha, onde defendeu RB Leipzig e Hertha Berlin. Na sequência, passou pelo Atlético de Madrid, da Espanha, e pelo Wolverhampton, da Inglaterra, até assinar com o Manchester United na atual temporada em uma transferência avaliada em 62,5 milhões de libras, cerca de R$ 480 milhões na cotação da época.

Mesmo sem jogar, atacante rendeu dinheiro ao Coritiba

Matheus Cunha não chegou a estrear no profissional do Coritiba. (Foto: Divulgação/Coritiba)

Apesar de a venda inicial ser lembrada pelo prejuízo esportivo, Matheus Cunha continuou gerando receitas ao Coritiba nos anos seguintes. Ainda assim, os valores ficaram muito abaixo do que o clube poderia ter arrecadado caso tivesse mantido uma participação maior nos direitos econômicos do atleta.

Após a venda ao Sion, o Coritiba negociou, em 2018, os 15% restantes dos direitos econômicos do atacante por 1,2 milhão de euros, cerca de R$ 5 milhões na época.

Na mesma temporada, o clube suíço vendeu Cunha ao RB Leipzig, da Alemanha, por 15 milhões de euros, aproximadamente R$ 66 milhões. Como clube formador, o Coxa recebeu uma fatia da negociação por meio do mecanismo de solidariedade da Fifa, cerca de R$ 1,4 milhão.

O mesmo ocorreu em outras transferências internacionais. Quando Cunha deixou o Hertha Berlin para defender o Atlético de Madrid em uma negociação na casa dos 30 milhões de euros, cerca de R$ 189 milhões na cotação da época, o Coritiba, assim como o Sion, também teve direito a valores por ter participado da formação do jogador entre os 12 e os 23 anos. O Coxa recebeu aproximadamente R$ 2,5 milhões.

Posteriormente, na transferência do Atlético de Madrid para o Wolverhampton, em uma operação estimada em cerca de 50 milhões de euros, o equivalente a R$ 220 milhões na época, o clube paranaense recebeu mais R$ 3 milhões.

A transferência mais recente, do Wolverhampton para o Manchester United, a mais cara da última janela de transferências, também rendeu dinheiro ao Coritiba. O negócio girou em torno de 72 milhões de euros, cerca de R$ 480 milhões na época, o que garantiu ao clube algo próximo de R$ 7 milhões.

Ou seja, desde que foi vendido, em julho de 2017, Matheus Cunha já rendeu aproximadamente R$ 18 milhões aos cofres do Coritiba.

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