Círio de Nazaré: diretoria avalia procissões, explica corte de corda e detalha impacto do calor em Belém

Diretor do Círio, Antônio Sousa esclarece sobre corte da corda da procissão de domingo, 11 A diretoria da festa do Círio de Nazaré apresentou um balanço das principais procissões deste ano, destacando o crescimento do público, o comportamento do clima e as polêmicas envolvendo a corda da Berlinda. Em entrevista, o diretor-coordenador do Círio, Antônio Souza, detalhou os desafios logísticos da Transladação (no sábado) e da grande procissão de domingo, além de responder sobre os cortes na corda que chamaram a atenção dos devotos. ✅ Receba as notícias do g1 Pará direto no WhatsApp Rompimento e corte da corda: o que aconteceu? Um dos pontos mais debatidos nas redes sociais foi o comportamento da corda, um dos maiores símbolos de fé do Círio. No sábado, durante a Transladação, imagens registraram o rompimento da estrutura. Já no domingo, vídeos mostraram integrantes da Guarda de Nossa Senhora de Nazaré efetuando o corte de trechos da corda. Antônio Souza esclareceu que a corda, produzida pelo quarto ano consecutivo em Castanhal, no nordeste paraense, passou por testes rigorosos de resistência antes das procissões. "Essa corda foi tracionada com toda a força por dois caminhões Scania e não teve nenhum problema. Além disso, reforçamos todos os nós. O que acontece na Transladação é a força humana, que é imensurável. Há um levantamento de que cerca de 8 mil mãos puxam a corda ao mesmo tempo. É o poder da fé", explicou o coordenador. Sobre o corte realizado pelos guardas no domingo, Souza defendeu a atuação da equipe, classificando-a como um procedimento técnico e de segurança previamente alinhado com os órgãos de segurança pública. "Ninguém fica mais triste com o corte da corda do que a própria Guarda de Nazaré", afirmou. Ele explicou que a corda é dividida em estações. Quando há um rompimento espontâneo ou um corte indevido, pedaços soltos de corda tornam-se extremamente perigosos. "O romeiro não quer largar a corda, mas aquele pedaço já não está mais atrelado à Berlinda. Isso impede a procissão de caminhar e gera riscos. Por segurança, a Guarda retira esse pedaço solto para que a estação seguinte passe a liderar a tração. É um procedimento necessário para que o Círio não pare", detalhou. O coordenador lamentou que grupos de pessoas se organizem para cortar a corda antes do término oficial das procissões, muitas vezes para exibir os pedaços como "troféus" nas redes sociais. Ele classificou a atitude como um "vandalismo desnecessário", lembrando que, ao final do Círio, toda a corda é entregue voluntariamente aos promesseiros. Calor durante as procissões Havia uma grande preocupação por parte da organização e dos órgãos de saúde com as altas temperaturas em Belém, intensificadas pelo fenômeno El Niño. Planos de contingência e esquemas especiais de hidratação foram montados para atender o público. No entanto, a avaliação do domingo de Círio foi positiva. "Nos preparamos muito para o calor extremo, mas a resposta que tivemos foi de um dia tranquilo. O sol estava suportável, tivemos momentos de brisa e vento frio durante a caminhada, e a chegada na Praça Santuário ocorreu sob a sombra das árvores. Foi um domingo abençoado", celebrou o diretor. Lentidão na subida da Avenida Presidente Vargas Outro ponto analisado pela diretoria foi a lentidão registrada na subida da Avenida Presidente Vargas, um dos trechos mais tradicionais do percurso. A Berlinda levou cerca de 40 minutos para estabilizar e vencer a ladeira no início da procissão. Segundo Antônio Souza, o trecho é historicamente um dos mais críticos do Círio, ao lado da curva de entrada na Avenida Nazaré. "Na subida da Presidente Vargas, você está com todo o peso do núcleo da Berlinda concentrado contra as estações. Se houver qualquer perda de tração ou problema na corda nesse momento, a força diminui. A Berlinda só volta a andar com fluidez quando as estações da frente completam a subida e ganham força para puxar", explicou. Apesar do atraso pontual no trecho, a imagem da Santa chegou à Praça Santuário dentro do horário previsto. Próximas produções da corda Questionado se a corda do Círio continuará a ser produzida no Pará nos próximos anos, Antônio Souza informou que a diretoria fará uma avaliação minuciosa após o encerramento oficial da festividade. "Vamos avaliar todos os detalhes e testar novamente. Essa é uma decisão que a diretoria toma com muita responsabilidade para as próximas edições", concluiu. VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará

Out 12, 2026 - 19:30
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Círio de Nazaré: diretoria avalia procissões, explica corte de corda e detalha impacto do calor em Belém
Diretor do Círio, Antônio Sousa esclarece sobre corte da corda da procissão de domingo, 11 A diretoria da festa do Círio de Nazaré apresentou um balanço das principais procissões deste ano, destacando o crescimento do público, o comportamento do clima e as polêmicas envolvendo a corda da Berlinda. Em entrevista, o diretor-coordenador do Círio, Antônio Souza, detalhou os desafios logísticos da Transladação (no sábado) e da grande procissão de domingo, além de responder sobre os cortes na corda que chamaram a atenção dos devotos. ✅ Receba as notícias do g1 Pará direto no WhatsApp Rompimento e corte da corda: o que aconteceu? Um dos pontos mais debatidos nas redes sociais foi o comportamento da corda, um dos maiores símbolos de fé do Círio. No sábado, durante a Transladação, imagens registraram o rompimento da estrutura. Já no domingo, vídeos mostraram integrantes da Guarda de Nossa Senhora de Nazaré efetuando o corte de trechos da corda. Antônio Souza esclareceu que a corda, produzida pelo quarto ano consecutivo em Castanhal, no nordeste paraense, passou por testes rigorosos de resistência antes das procissões. "Essa corda foi tracionada com toda a força por dois caminhões Scania e não teve nenhum problema. Além disso, reforçamos todos os nós. O que acontece na Transladação é a força humana, que é imensurável. Há um levantamento de que cerca de 8 mil mãos puxam a corda ao mesmo tempo. É o poder da fé", explicou o coordenador. Sobre o corte realizado pelos guardas no domingo, Souza defendeu a atuação da equipe, classificando-a como um procedimento técnico e de segurança previamente alinhado com os órgãos de segurança pública. "Ninguém fica mais triste com o corte da corda do que a própria Guarda de Nazaré", afirmou. Ele explicou que a corda é dividida em estações. Quando há um rompimento espontâneo ou um corte indevido, pedaços soltos de corda tornam-se extremamente perigosos. "O romeiro não quer largar a corda, mas aquele pedaço já não está mais atrelado à Berlinda. Isso impede a procissão de caminhar e gera riscos. Por segurança, a Guarda retira esse pedaço solto para que a estação seguinte passe a liderar a tração. É um procedimento necessário para que o Círio não pare", detalhou. O coordenador lamentou que grupos de pessoas se organizem para cortar a corda antes do término oficial das procissões, muitas vezes para exibir os pedaços como "troféus" nas redes sociais. Ele classificou a atitude como um "vandalismo desnecessário", lembrando que, ao final do Círio, toda a corda é entregue voluntariamente aos promesseiros. Calor durante as procissões Havia uma grande preocupação por parte da organização e dos órgãos de saúde com as altas temperaturas em Belém, intensificadas pelo fenômeno El Niño. Planos de contingência e esquemas especiais de hidratação foram montados para atender o público. No entanto, a avaliação do domingo de Círio foi positiva. "Nos preparamos muito para o calor extremo, mas a resposta que tivemos foi de um dia tranquilo. O sol estava suportável, tivemos momentos de brisa e vento frio durante a caminhada, e a chegada na Praça Santuário ocorreu sob a sombra das árvores. Foi um domingo abençoado", celebrou o diretor. Lentidão na subida da Avenida Presidente Vargas Outro ponto analisado pela diretoria foi a lentidão registrada na subida da Avenida Presidente Vargas, um dos trechos mais tradicionais do percurso. A Berlinda levou cerca de 40 minutos para estabilizar e vencer a ladeira no início da procissão. Segundo Antônio Souza, o trecho é historicamente um dos mais críticos do Círio, ao lado da curva de entrada na Avenida Nazaré. "Na subida da Presidente Vargas, você está com todo o peso do núcleo da Berlinda concentrado contra as estações. Se houver qualquer perda de tração ou problema na corda nesse momento, a força diminui. A Berlinda só volta a andar com fluidez quando as estações da frente completam a subida e ganham força para puxar", explicou. Apesar do atraso pontual no trecho, a imagem da Santa chegou à Praça Santuário dentro do horário previsto. Próximas produções da corda Questionado se a corda do Círio continuará a ser produzida no Pará nos próximos anos, Antônio Souza informou que a diretoria fará uma avaliação minuciosa após o encerramento oficial da festividade. "Vamos avaliar todos os detalhes e testar novamente. Essa é uma decisão que a diretoria toma com muita responsabilidade para as próximas edições", concluiu. VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará