'Comprem agora': ministro espanhol alerta que guerra pode disparar preço de passagens aéreas

Avião da Ryanair no aeroporto de Eindhoven, na Holanda REUTERS/Piroschka van de Wouw Enquanto líderes mundiais evitam tratar publicamente dos impactos econômicos diretos da guerra no Oriente Médio, um ministro europeu decidiu quebrar o silêncio. Na segunda‑feira (27), o ministro espanhol da Indústria e do Turismo, Jordi Hereu, fez um alerta incomum à população: comprar passagens aéreas o quanto antes, antecipando uma escalada de preços tida como inevitável, impulsionada pelo encarecimento do petróleo e do querosene de aviação. Impulsionada pela guerra envolvendo os Estados Unidos e o Irã, a ameaça de subida meteórica no preço do querosene pode provocar uma alta generalizada das tarifas aéreas, sobretudo no início do verão no hemisfério norte.  Vídeos em alta no g1 A advertência, feita em entrevista ao jornal econômico Expansion, colocou no centro do debate um tema sobre o qual governos e companhias vinham falando apenas em tom técnico – ou evitando deliberadamente: o risco concreto de aumento abrupto do transporte aéreo, e até de cancelamentos em cadeia por falta de combustível. Turismo recorde, mas com base frágil A Espanha vive um paradoxo. Em 2025, o país recebeu um número recorde de 97 milhões de turistas, alta de 3,5% em relação a 2024, consolidando‑se como um dos principais destinos turísticos do mundo. Segundo Jordi Hereu, o país poderia manter um ritmo de crescimento semelhante em 2026, sustentado pela forte demanda internacional. Mas esse cenário otimista começa a ser tensionado por um fator externo sobre o qual o setor não tem controle: o custo do combustível de aviação. O ministro foi explícito ao afirmar que a alta do querosene ameaça elevar as tarifas aéreas e pressionar negativamente a demanda, sobretudo em voos de média e longa distância. “Comprem agora” A recomendação feita por Hereu foi direta e pouco usual para um integrante de governo: “O que recomendamos é que as pessoas comprem seus bilhetes desde já, porque é verdade que as companhias aéreas estão usando atualmente querosene comprado há algum tempo. Existe, portanto, um risco real de flutuação dos preços.” O ministro acrescentou que já é evidente que os preços subiram e que isso pode afetar a disposição dos consumidores em viajar, apesar da força do turismo espanhol. Ele afirmou ainda que autoridades espanholas e europeias estão tomando medidas para evitar uma escassez de combustível, sinalizando que o problema já é tratado como estrutural, e não hipotético. Segundo a organização europeia Transport & Environment, a alta recente do petróleo já acrescentou mais de US$ 100 (cerca de € 85) ao custo de voos de longa distância com origem na Europa. Esse aumento tende a ser repassado ao preço final das passagens, alimentando uma espiral de reajustes em plena temporada alta. As companhias aéreas, até agora, vinham absorvendo parte do impacto graças a contratos de compra antecipada de combustível. Mas esse amortecedor tem data de validade. Companhias começam a cancelar voos O cenário deixou o plano teórico e entrou na prática. A Transavia, companhia de baixo custo do grupo Air France‑KLM, confirmou que vai ajustar sua malha aérea em maio e junho para otimizar custos diante da disparada do preço do querosene, consequência direta da guerra no Oriente Médio. A empresa informou que será obrigada a cancelar parte dos voos previstos para maio e junho de 2026, ainda que essas cancelamentos representem menos de 2% da programação total nesse período. Segundo a Transavia, os clientes afetados estão sendo avisados individualmente por SMS e e‑mail, com direito, conforme a escolha, a remarcação sem custo, crédito ou reembolso integral. Para a maioria dos voos cancelados, uma alternativa de remarcação em até 24 horas está sendo oferecida. Em declaração à AFP no domingo, confirmando informação divulgada pela rádio RMC, um porta‑voz da companhia afirmou que, “em razão do contexto geopolítico atual no Oriente Médio e de suas repercussões sobre o preço do combustível de aviação, a Transavia França está adaptando sua programação de voos e é obrigada a proceder ao cancelamento de vários voos previstos para os meses de maio e junho de 2026”. Ryanair alerta: junho é o ponto crítico O diretor‑executivo da Ryanair, Michael O’Leary, afirmou que não se espera escassez de querosene em maio na Europa, mas que junho já é uma incógnita. Segundo ele, as próprias petroleiras admitem não conseguir garantir totalmente o fornecimento para esse período. O’Leary foi direto ao associar os preços elevados à condução do conflito: “Enquanto a guerra no Oriente Médio continuar e Trump continuar a lidar com isso tão mal, os preços do combustível permanecerão necessariamente mais altos.” Segundo o executivo, 10% a 20% do abastecimento da Ryanair está em risco. Ele destacou que o Reino Unido é o país mais exposto a cancelamentos, por depender em parte de fornecimento do Kuwait, diretamente impactado pelo bloqueio de Ormuz. A França, por ora, afirma não enfrentar dificuld

Abr 27, 2026 - 16:30
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'Comprem agora': ministro espanhol alerta que guerra pode disparar preço de passagens aéreas

Avião da Ryanair no aeroporto de Eindhoven, na Holanda REUTERS/Piroschka van de Wouw Enquanto líderes mundiais evitam tratar publicamente dos impactos econômicos diretos da guerra no Oriente Médio, um ministro europeu decidiu quebrar o silêncio. Na segunda‑feira (27), o ministro espanhol da Indústria e do Turismo, Jordi Hereu, fez um alerta incomum à população: comprar passagens aéreas o quanto antes, antecipando uma escalada de preços tida como inevitável, impulsionada pelo encarecimento do petróleo e do querosene de aviação. Impulsionada pela guerra envolvendo os Estados Unidos e o Irã, a ameaça de subida meteórica no preço do querosene pode provocar uma alta generalizada das tarifas aéreas, sobretudo no início do verão no hemisfério norte.  Vídeos em alta no g1 A advertência, feita em entrevista ao jornal econômico Expansion, colocou no centro do debate um tema sobre o qual governos e companhias vinham falando apenas em tom técnico – ou evitando deliberadamente: o risco concreto de aumento abrupto do transporte aéreo, e até de cancelamentos em cadeia por falta de combustível. Turismo recorde, mas com base frágil A Espanha vive um paradoxo. Em 2025, o país recebeu um número recorde de 97 milhões de turistas, alta de 3,5% em relação a 2024, consolidando‑se como um dos principais destinos turísticos do mundo. Segundo Jordi Hereu, o país poderia manter um ritmo de crescimento semelhante em 2026, sustentado pela forte demanda internacional. Mas esse cenário otimista começa a ser tensionado por um fator externo sobre o qual o setor não tem controle: o custo do combustível de aviação. O ministro foi explícito ao afirmar que a alta do querosene ameaça elevar as tarifas aéreas e pressionar negativamente a demanda, sobretudo em voos de média e longa distância. “Comprem agora” A recomendação feita por Hereu foi direta e pouco usual para um integrante de governo: “O que recomendamos é que as pessoas comprem seus bilhetes desde já, porque é verdade que as companhias aéreas estão usando atualmente querosene comprado há algum tempo. Existe, portanto, um risco real de flutuação dos preços.” O ministro acrescentou que já é evidente que os preços subiram e que isso pode afetar a disposição dos consumidores em viajar, apesar da força do turismo espanhol. Ele afirmou ainda que autoridades espanholas e europeias estão tomando medidas para evitar uma escassez de combustível, sinalizando que o problema já é tratado como estrutural, e não hipotético. Segundo a organização europeia Transport & Environment, a alta recente do petróleo já acrescentou mais de US$ 100 (cerca de € 85) ao custo de voos de longa distância com origem na Europa. Esse aumento tende a ser repassado ao preço final das passagens, alimentando uma espiral de reajustes em plena temporada alta. As companhias aéreas, até agora, vinham absorvendo parte do impacto graças a contratos de compra antecipada de combustível. Mas esse amortecedor tem data de validade. Companhias começam a cancelar voos O cenário deixou o plano teórico e entrou na prática. A Transavia, companhia de baixo custo do grupo Air France‑KLM, confirmou que vai ajustar sua malha aérea em maio e junho para otimizar custos diante da disparada do preço do querosene, consequência direta da guerra no Oriente Médio. A empresa informou que será obrigada a cancelar parte dos voos previstos para maio e junho de 2026, ainda que essas cancelamentos representem menos de 2% da programação total nesse período. Segundo a Transavia, os clientes afetados estão sendo avisados individualmente por SMS e e‑mail, com direito, conforme a escolha, a remarcação sem custo, crédito ou reembolso integral. Para a maioria dos voos cancelados, uma alternativa de remarcação em até 24 horas está sendo oferecida. Em declaração à AFP no domingo, confirmando informação divulgada pela rádio RMC, um porta‑voz da companhia afirmou que, “em razão do contexto geopolítico atual no Oriente Médio e de suas repercussões sobre o preço do combustível de aviação, a Transavia França está adaptando sua programação de voos e é obrigada a proceder ao cancelamento de vários voos previstos para os meses de maio e junho de 2026”. Ryanair alerta: junho é o ponto crítico O diretor‑executivo da Ryanair, Michael O’Leary, afirmou que não se espera escassez de querosene em maio na Europa, mas que junho já é uma incógnita. Segundo ele, as próprias petroleiras admitem não conseguir garantir totalmente o fornecimento para esse período. O’Leary foi direto ao associar os preços elevados à condução do conflito: “Enquanto a guerra no Oriente Médio continuar e Trump continuar a lidar com isso tão mal, os preços do combustível permanecerão necessariamente mais altos.” Segundo o executivo, 10% a 20% do abastecimento da Ryanair está em risco. Ele destacou que o Reino Unido é o país mais exposto a cancelamentos, por depender em parte de fornecimento do Kuwait, diretamente impactado pelo bloqueio de Ormuz. A França, por ora, afirma não enfrentar dificuldades imediatas de abastecimento, mas o governo admitiu que poderá liberar parte de seus estoques estratégicos se surgirem problemas de volume. A declaração foi feita pela porta‑voz do governo francês, Maud Bregeon, em 19 de abril. Mesmo assim, a incerteza cresce, principalmente em relação ao mês de junho. Dependência europeia do Golfo e o bloqueio do estreito de Ormuz O problema estrutural é conhecido: a Europa importa normalmente cerca de metade do seu querosene dos países do Golfo. Desde o início da guerra entre os Estados Unidos e o Irã, no fim de fevereiro, essa dependência se tornou um ponto crítico. O estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente 20% de toda a produção mundial de hidrocarbonetos, está bloqueado por Teerã, interrompendo fluxos logísticos essenciais para o abastecimento energético global — e, por consequência, para a aviação civil. Em Bruxelas, o comissário europeu Dan Jorgensen reconheceu que a União Europeia está se aproximando “muito rapidamente” de uma potencial crise de abastecimento, com o risco concreto de um verão marcado por passagens mais caras e cancelamentos de voos. Com AFP