Coritiba perde a alma e paga preço em nova eliminação

Às vezes penso que a decisão por pênaltis, em uma etapa do campeonato, segue a linha dos fatos e dos jogos que a antecederam. O que quero dizer é o seguinte: a disputa por pênaltis será vencida pelo time que foi melhor e que merecia ganhar com a bola rolando. Essa tese, tomada como regra […]

Fev 22, 2026 - 12:00
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Coritiba perde a alma e paga preço em nova eliminação

Às vezes penso que a decisão por pênaltis, em uma etapa do campeonato, segue a linha dos fatos e dos jogos que a antecederam. O que quero dizer é o seguinte: a disputa por pênaltis será vencida pelo time que foi melhor e que merecia ganhar com a bola rolando.

Essa tese, tomada como regra ou como exceção, explica bem a classificação do Operário sobre o Coritiba para a final do Paranaense. Em Ponta Grossa, bastou ao Fantasma acertar a defesa para reagir e empatar (2 a 2); e, no Couto Pereira, bastou manter-se organizado para controlar o placar e obrigar o Coxa a correr atrás do empate (2 a 2).

Assim, a vitória nos pênaltis foi apenas o corolário justo da superioridade do Operário. Mas os efeitos desses fatos não devem se encerrar assim, amparados por uma tese passível de contradição. Entendo que é preciso investigar um pouco as razões pelas quais o Coritiba, com um time tecnicamente superior, mais camisa e tradição, tenha sido dominado e derrotado no Couto.

Quando a bola do pênalti cobrado por Maicon bateu na trave e saiu, atingiu também o passado, provocando uma dúvida com fundo saudosista: quando, em decisões como essa, nos tempos de Evangelino, o Coritiba deixava de vencer e avançar a uma final?

Afasto o saudosismo dessa dúvida, porque as diferenças não são apenas de técnica, de treinador ou de época. São de alma. Em nenhum momento, nesta disputa com o Operário, o Coritiba demonstrou vontade de superar suas deficiências técnicas e táticas. O meia Josué foi o símbolo e o resumo da conduta do time: indiferente, protocolar, sem alma e insensível ao apelo das 16 mil pessoas que foram ao Couto Pereira.

Josué beija a bola antes de cobrança de pênalti pelo Coritiba.
Josué em cobrança de pênalti pelo Coritiba. Foto: Luís Garcia/IconSport.

O novo fracasso no Estadual coincidiu com a confirmação da notícia de que a Outfield, que detém o controle do futebol do clube, adquiriu, ao lado do goleiro Courtois, do Real Madrid, a maioria das ações do Le Mans, da França.


Estou convencido de que o Coritiba já não é mais o mesmo. Secundário no projeto da investidora, tornou-se apenas mais um.

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