Dia contra a Homofobia: Piauí registra sete casos em 2026 e subnotificação preocupa entidades
Um participante agita uma bandeira do arco-íris durante o comício da comunidade LGBT no centro de São Petersburgo, na Rússia, em 3 de agosto de 2019 REUTERS/Anton Vaganov O Dia Internacional contra a Homofobia, celebrado neste domingo (17), chama atenção para o combate à violência e à discriminação contra a população LGBTQIA+. No Piauí, levantamento de boletins de ocorrência mostra que o estado registrou ao menos 42 casos de homofobia entre 2025 e os primeiros meses de 2026. Em 2025, foram 35 registros ao longo do ano, com maior incidência em janeiro, com cinco casos. Já em 2026, até terça-feira (12), foram registrados sete casos: três em fevereiro, três em março e um em maio. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp Apesar dos números, a Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) alerta que os dados não refletem a realidade completa, já que muitos casos não são denunciados. Vídeos em alta no g1 Violência além dos números Na avaliação do Grupo Matizes, que atua na defesa dos direitos LGBTQIA+ no estado, houve avanços no registro dos casos, como a criação de uma delegacia especializada e o mapeamento anual feito pela Secretaria de Segurança. Ainda assim, a entidade aponta falta de políticas públicas efetivas para enfrentar o problema. “A gente avançou em alguns aspectos, como a existência da delegacia e o mapeamento dos casos, mas sentimos falta de políticas concretas para coibir a violência contra a população LGBT”, afirma a coordenadora do grupo, Marinalva Santana. Outro ponto que chama atenção é o aumento de casos dentro do ambiente familiar, especialmente após a pandemia. Segundo o grupo, há registros frequentes de jovens e adolescentes que sofrem agressões ou são expulsos de casa por familiares, o que agrava a vulnerabilidade. Diante disso, uma das principais demandas é a criação de uma casa de acolhimento para vítimas de violência, com suporte profissional. "Por isso que a gente tem reivindicado como uma política fundamental, uma casa de acolhimento para pessoas LGBT. Exatamente para que pessoas que são vítimas de violência praticado pela própria família, inclusive expulsando essas pessoas de casa, possam ter um suporte", comentou Marinalva. Subnotificação ainda é desafio A subnotificação é um dos principais desafios para dimensionar a violência no estado. Muitas vítimas deixam de denunciar por não acreditarem na punição dos agressores ou por medo de exposição, principalmente em cidades menores. “Muitas pessoas não denunciam porque acham que não vai dar em nada, além do medo de exposição, especialmente em cidades pequenas”, comentou Marinalva. Para o Grupo Matizes, o enfrentamento à homofobia no Piauí ainda esbarra na falta de políticas públicas contínuas e efetivas. A entidade avalia que, embora existam iniciativas e campanhas, elas não alcançam, na prática, a população que mais precisa. Como denunciar O g1 listou os canais de ajuda que a população pode acionar para denunciar casos de homofobia ou qualquer discriminação contra a população LGBTQIA+. Se a ocorrência estiver em andamento, é necessário acionar o 190, da Polícia Militar do Piauí. A Delegacia de Direitos Humanos funciona de segunda à sexta-feira, de 8h às 18h, e está localizada na Rua Governador Arthur de Vasconcelos, 971, bairro Porenquanto, Zona Norte de Teresina. O Centro de Referência LGBTQIAPN+ Raimundo Pereira também acolhe e encaminha denúncias de discriminação ou violência de forma estruturada e personalizada, de acordo com a necessidade de cada caso. O espaço funciona de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 13h30, na Rua Álvaro Mendes, nº 2090, no centro de Teresina. O telefone para contato é (86) 99443-3844, disponível das 8h às 18h. Também é possível realizar denúncias anônimas no site oficial da Polícia Civil do Piauí, pelo link portal.pi.gov.br/pc/denuncia-anonima. Parada LGBT de Brasília José Cruz/Agência Brasil *Yngridy Vieira, estagiária sob supervisão de Ilanna Serena. VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube

Um participante agita uma bandeira do arco-íris durante o comício da comunidade LGBT no centro de São Petersburgo, na Rússia, em 3 de agosto de 2019 REUTERS/Anton Vaganov O Dia Internacional contra a Homofobia, celebrado neste domingo (17), chama atenção para o combate à violência e à discriminação contra a população LGBTQIA+. No Piauí, levantamento de boletins de ocorrência mostra que o estado registrou ao menos 42 casos de homofobia entre 2025 e os primeiros meses de 2026. Em 2025, foram 35 registros ao longo do ano, com maior incidência em janeiro, com cinco casos. Já em 2026, até terça-feira (12), foram registrados sete casos: três em fevereiro, três em março e um em maio. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp Apesar dos números, a Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) alerta que os dados não refletem a realidade completa, já que muitos casos não são denunciados. Vídeos em alta no g1 Violência além dos números Na avaliação do Grupo Matizes, que atua na defesa dos direitos LGBTQIA+ no estado, houve avanços no registro dos casos, como a criação de uma delegacia especializada e o mapeamento anual feito pela Secretaria de Segurança. Ainda assim, a entidade aponta falta de políticas públicas efetivas para enfrentar o problema. “A gente avançou em alguns aspectos, como a existência da delegacia e o mapeamento dos casos, mas sentimos falta de políticas concretas para coibir a violência contra a população LGBT”, afirma a coordenadora do grupo, Marinalva Santana. Outro ponto que chama atenção é o aumento de casos dentro do ambiente familiar, especialmente após a pandemia. Segundo o grupo, há registros frequentes de jovens e adolescentes que sofrem agressões ou são expulsos de casa por familiares, o que agrava a vulnerabilidade. Diante disso, uma das principais demandas é a criação de uma casa de acolhimento para vítimas de violência, com suporte profissional. "Por isso que a gente tem reivindicado como uma política fundamental, uma casa de acolhimento para pessoas LGBT. Exatamente para que pessoas que são vítimas de violência praticado pela própria família, inclusive expulsando essas pessoas de casa, possam ter um suporte", comentou Marinalva. Subnotificação ainda é desafio A subnotificação é um dos principais desafios para dimensionar a violência no estado. Muitas vítimas deixam de denunciar por não acreditarem na punição dos agressores ou por medo de exposição, principalmente em cidades menores. “Muitas pessoas não denunciam porque acham que não vai dar em nada, além do medo de exposição, especialmente em cidades pequenas”, comentou Marinalva. Para o Grupo Matizes, o enfrentamento à homofobia no Piauí ainda esbarra na falta de políticas públicas contínuas e efetivas. A entidade avalia que, embora existam iniciativas e campanhas, elas não alcançam, na prática, a população que mais precisa. Como denunciar O g1 listou os canais de ajuda que a população pode acionar para denunciar casos de homofobia ou qualquer discriminação contra a população LGBTQIA+. Se a ocorrência estiver em andamento, é necessário acionar o 190, da Polícia Militar do Piauí. A Delegacia de Direitos Humanos funciona de segunda à sexta-feira, de 8h às 18h, e está localizada na Rua Governador Arthur de Vasconcelos, 971, bairro Porenquanto, Zona Norte de Teresina. O Centro de Referência LGBTQIAPN+ Raimundo Pereira também acolhe e encaminha denúncias de discriminação ou violência de forma estruturada e personalizada, de acordo com a necessidade de cada caso. O espaço funciona de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 13h30, na Rua Álvaro Mendes, nº 2090, no centro de Teresina. O telefone para contato é (86) 99443-3844, disponível das 8h às 18h. Também é possível realizar denúncias anônimas no site oficial da Polícia Civil do Piauí, pelo link portal.pi.gov.br/pc/denuncia-anonima. Parada LGBT de Brasília José Cruz/Agência Brasil *Yngridy Vieira, estagiária sob supervisão de Ilanna Serena. VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube

