Donos do Pinheirão disparam contra Governo do Paraná: “Desperdício de dinheiro público”
O empresário João Destro Filho, que representa o pai no processo do estádio Pinheirão, mostrou o descontentamento com a desapropriação do terreno, localizado no bairro Tarumã e com 124 mil metros quadrados. A disputa judicial pode chegar ao fim nesta quarta-feira (8), data de uma audiência de conciliação entre os empresários e o governo do […]
O empresário João Destro Filho, que representa o pai no processo do estádio Pinheirão, mostrou o descontentamento com a desapropriação do terreno, localizado no bairro Tarumã e com 124 mil metros quadrados.
A disputa judicial pode chegar ao fim nesta quarta-feira (8), data de uma audiência de conciliação entre os empresários e o governo do Paraná, que trabalha para a construção de um centro de eventos no local. No processo, a administração estadual desapropriou o terreno, tomando posse do imóvel, em outubro de 2024.
“Apesar de toda discussão, somos contra a desapropriação por qualquer valor que seja. Gastar dinheiro público em algo que a iniciativa privada poderia fazer é desperdício do suado dinheiro do contribuinte paranaense. Estaremos explicando pessoalmente todos estes detalhes aos envolvidos nessa quarta”, avaliou, ao UmDois Esportes.
Destro Filho defende que o governo estadual pague o que vale o terreno. O empresário justificou que a área do Pinheirão valorizou muito ao longo do tempo, principalmente com as obras feitas na Avenida Victor Ferreira do Amaral. Com área 124 mil metros quadrados e está localizado no bairro Tarumã, o terreno plano propicia obras sem impeditivos de altura, o que aumenta ainda mais o valor imobiliário.
“Por exemplo, um terreno em uma área de preservação ambiental, com topografia irregular, com bosque, lá na Serra do Mar, tem baixíssimo valor imobiliário”, comparou.
“Um imóvel raríssimo pelo seu tamanho e localização, como do Pinheirão, com quatro frentes, sendo uma destas frentes para uma grande Avenida [Victor Ferreira do Amaral], recém-reformada, com potencial construtivo para 2,5 vezes a sua área, plano, sem árvores ou bosque, sem nascente e nenhum impeditivo físico, com possibilidade de construção com altura livre, são componentes que fazem valer muito mais”, completou.
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Processo tem impasse no valor do terreno do Pinheirão
A disputa judicial está com um impasse no valor do terreno do estádio, que já foi casa de Athletico, Paraná Clube e também abrigou jogos históricos do Coritiba./https%3A%2F%2Fmedia.umdoisesportes.com.br%2Fmain%2F2024%2F09%2F04160825%2FPSX_20240903_132555.jpg)
A perícia determinada pela Justiça determinou o valor de R$ 132,1 milhões ao terreno do estádio Pinheirão. A quantia apontada pelo laudo pericial foi mais que o dobro apontado pelo governo paranaense e quase três vezes menor que o alegado pelo empresário. A administração estadual estimou o valor em R$ 64,9 milhões, enquanto Destro defende que o antigo estádio tem valor de R$ 358,6 milhões.
O Governo do Paraná impugnou a perícia e contestou os critérios utilizados pelo perito na avaliação do terreno. Apesar da solicitação de um novo laudo pericial, o Estado manifestou interesse na audiência de conciliação, o que pode significar um acordo entre as duas partes.
Vale lembrar que, com a extinção do Pinheirão, o governo estadual pretende construir uma uma arena de eventos, um centro de exposições para até 25 mil pessoas e um complexo comercial, com setor hoteleiro e boulevard com restaurantes e academia.
Por que o estádio foi desapropriado?
O Estado anunciou a desapropriação da área após anunciar um projeto que previa a extinção do Pinheirão.
No processo de desapropriação, o Estado ajuíza uma ação, deposita em juízo o valor do imóvel e o proprietário pode, então, concordar ou recorrer da avaliação. No entanto, a Justiça já concede a posse do imóvel ao Estado, o que já foi feito. Com isso, o valor final a ser pago ao dono do terreno, que no caso é o empresário João Destro, vai ser definido judicialmente ou caso as partes cheguem a um acordo./https%3A%2F%2Fmedia.umdoisesportes.com.br%2Fmain%2F2024%2F09%2F04160700%2FPSX_20240903_132537.jpg)
Inicialmente, o governo estadual sinalizou pagar R$ 64,9 milhões pelo terreno do Pinheirão. Na sequência, o plano do Estado seria arrecadar até R$ 1 bilhão da iniciativa privada para ser aplicado na construção do complexo. A arena multiuso, por exemplo, teria capacidade para 25 mil pessoas e teria hotéis, restaurantes e centros comerciais no entorno.
Estádio foi arrematado “por impulso” em leilão há 14 anos
Em 2012, o empresário João Destro desembolsou R$ 57,5 milhões pelo Pinheirão. Ele classificou a compra, na época, como algo que aconteceu “por impulso”. No entanto, revelou à Gazeta do Povo que gastava outros R$ 6 milhões anuais com limpeza e segurança da área, além de impostos. Desde o leilão, a área teve valorização imobiliária mesmo com estádio abandonado há 17 anos.
O estádio foi leiloado para quitar uma dívida de R$ 22 milhões da Federação Paranaense de Futebol com o IPTU, imposto referente à prefeitura de Curitiba, e o INSS, do governo federal.
Em 2024, o valor para manter o estádio é superior ao pago para vencer o leilão. Em 2018, Destro disse, em entrevista para a Gazeta do Povo, que os gastos com IPTU, segurança e limpeza, chegam a R$ 6 milhões. Questionado em 2024 sobre os valores atuais, o empresário disse que atualmente “continua mais ou menos a mesma coisa”. Ou seja, Destro já superou a marca dos R$ 60 milhões para a manutenção do elefante branco.
O valor final a ser pago pelo governo a Destro vai depender da avaliação da Justiça. Os trâmites judiciais já atrasaram o início das obra do governo do Paraná, incialmente prevista para começar nos últimos meses de 2025 ou início deste ano.
“Maracanã de Curitiba”: Pinheirão virou fantasma da cidade
O projetodo estádio foi idealizado por José Milani, presidente da Federação Paranaense de Futebol na década de 60, que imaginava ter um “Maracanã” de Curitiba./https%3A%2F%2Fmedia.umdoisesportes.com.br%2Fmain%2F2025%2F04%2F09165945%2Fpinheirao_montagem.png)
Contudo, o Pinheirão foi inaugurado no dia 16 de junho de 1985 com um jogo da Seleção do Paraná, que era uma mistura entre atletas do Athletico e do Coritiba. O time, no entanto, perdeu por 2 a 1 para a Seleção de Santa Catarina. Depois, o evento ainda contou com show da cantora Fafá de Belém.
O pontapé inicial da partida foi de Onaireves Moura, que foi presidente da Federação Paranaense de Futebol entre 1985 e 2007 e está preso desde 2022 após ter sido considerado foragido três anos antes. Ele foi condenado a 22 anos e quatro meses de prisão por apropriação indébita, estelionato e formação de quadrilha ou bando. Além disso, Onaireves ainda foi eleito como deputado federal na década de 90, mas foi cassado por aliciar outros parlamentares.
Já o último ato do estádio de futebol é melancólico. No dia 11 de março de 2007, o Pinheirão foi lacrado pela Justiça e teve, como último jogo, a derrota do extinto J. Malucelli para o Cianorte, por 2 a 1, na última rodada da primeira fase do Campeonato Paranaense.
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