Ídolo expõe racha e ‘trairagem’ na base do Athletico e detona João Correia: “Arrogante”
Campeão brasileiro pelo Athletico em 2001, o ex-lateral-direito Alessandro foi demitido do cargo como auxiliar técnico do time sub-17 em janeiro de 2026. Em entrevista para o portal Trétis, o ídolo histórico do Furacão expôs um racha entre os profissionais da base rubro-negra e criticou o português João Correia, treinador do time sub-20. “Eu não […]
Campeão brasileiro pelo Athletico em 2001, o ex-lateral-direito Alessandro foi demitido do cargo como auxiliar técnico do time sub-17 em janeiro de 2026. Em entrevista para o portal Trétis, o ídolo histórico do Furacão expôs um racha entre os profissionais da base rubro-negra e criticou o português João Correia, treinador do time sub-20.
“Eu não quero falar muito do treinador do sub-20 porque é muito pessoal, mas é um cara que todo mundo sabe. O jogador não gosta dele, isso é fato. Mas eu nunca cheguei para os jogadores e falei assim: ‘ó, detona ele’. Nunca. Falei: ‘calma, conversa com o cara'”, começou o ex-atleta.
“Mas como dize,, os portugueses são arrogantes para caramba. Só porque hoje está uma onda de treinadores estrangeiros no Brasil, os caras chegaram aqui hoje e ‘o Brasil é meu’. Eles acham que é isso”, detonou.
Alessandro trabalhou com outros treinadores nacionalmente reconhecidos, como Tiago Nunes, campeão da Sul-Americana e da Copa do Brasil pelo Furacão, e Rafael Guanaes, treinador do Mirassol que virou sensação no Brasileirão 2025. Mas deu os maiores elogios para Rodrigo Bellão, demitido do Athletico em dezembro de 2024 e que é o atual técnico do time sub-20 do Botafogo./https%3A%2F%2Fmedia.umdoisesportes.com.br%2Fmain%2F2026%2F01%2F26180226%2Fjoao-correia-tecnico-aspirantes-athletico-galo-maringa.jpg)
Bellão era o técnico do time sub-17 do Athletico, mas teve uma ascensão e acabou promovido para auxiliar da comissão permanente do Furacão no fim de 2024. Ele chegou a ser cotado para ser o treinador da equipe principal no Campeonato Paranaense 2025, mas foi desligado após Rodrigo Possebon assumir a diretoria de futebol com a demissão de Paulo Autuori após o rebaixamento.
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Atual dirigente do Paraná demitiu Bellão no Athletico
A demissão de Bellão foi uma escolha de Possebon, ex-jogador do Manchester United e que ocupa atualmente o cargo de executivo no Paraná Clube. Contratado pelo Athletico em julho de 2024 para chefiar as categorias de base, Possebon vinha do trabalho como diretor no Barra FC, de Santa Catarina, e possibilitou a chegada de João Correia em Curitiba, no início de agosto daquele mesmo ano. /https%3A%2F%2Fmedia.umdoisesportes.com.br%2Fmain%2F2025%2F06%2F11113312%2Fathletico-demite-diretor-rodrigo-posebon.jpg)
“O que ele [Bellão] fez no Athletico, eu nunca vi ninguém fazer no tempo que fiquei na base. De humanidade, formar jogador com caráter, tecnicamente evoluindo e com bons treinamentos, enérgicos. Ele contribuiu muito para o Athletico ter o sucesso que está tendo hoje, com esses jogadores”.
“O que fizeram com ele acontece no futebol. Foi traíragem mesmo. Ele era querido por todo mundo dentro do clube, só que tem uns que querem puxar o tapete do cara. Ele teve problema mesmo com o treinador do sub-20, que é o português aí, que é um cara arrogante. O cara só pensa nele, gestão ruim. Não pensa no ser humano, pensa nele. Tomara que ele melhore esse lado dele porque eles tiveram problema entre os dois, e sobrou pra mim. Mas o Bellão, pra mim, é um fenômeno”, apontou Alessandro.
Resultado ou formação? Como Petraglia se preocupa na base do Athletico
Uma das frases mais ditas pelo técnico João Correia ao longo do Estadual era de que o resultado não era o mais importante, apesar de ter mirado o título após o jogo da semifinal. Contudo, Alessandro contou que o presidente Mario Celso Petraglia está preocupado com o aproveitamento dos jovens da base na equipe principal para conseguir vendas.
“O presidente sempre deixou bem claro que está despreocupado de quem vai ganhar o Brasileiro sub-20. Ele tá preocupado de formar o jogador para botar no profissional e vender. Se você formar o profissional no sub-20 e ganhar o Campeonato Brasileiro, beleza. Mas eu tenho que entregar ele pronto para o treinador do profissional. O treinador do [sub] 20 tem que fazer o que? Reunir todas as comissões das categorias. Eu sou o final do processo, vamos reunir o que a gente acha que precisa melhorar. Não existe. O que foi é cada um por si. Ali é assim”, disparou Alessandro./https%3A%2F%2Fmedia.umdoisesportes.com.br%2Fmain%2F2025%2F09%2F13110227%2Fathletico-renovacao-vitinho-lateral-promessa-base.jpg)
O ex-auxiliar do Athletico deixou claro que as categorias de base não têm essa integração entre as comissões técnicas de cada categoria.
“Eu preciso que o 17 esteja bem para o 20 pegar. Precisa de diálogo de comissões, e não tem. O Athletico é forte na base. Só que precisa das pessoas terem humildade de entender, deixar o ego para trás, e ajudar as pessoas. Não pensar em si. Jogador tem direito de não chegar bem no treino, mas você procura saber por que está mal? As pessoas têm que ter humildade. Tomara que eles tenham em reconhecer isso aí porque o Athletico dá todas as condições. Mas as pessoas trazem o seu ego”, completou.
Vale lembrar ainda que Petraglia contratou o argentino Jorge Raffo, com bagagem de Boca Junios, Shakhtar Donetski e grupo City, como novo diretor da base, o que deve desencadear novas mudanças internas no clube.
“João Cruz, Dudu, Arthur Dias e Dérik são frutos de trabalhos de anos, não de João Correia“
Alessandro considera que o sucesso recente de João Correia ao conseguir fazer a transição entre os jovens do time sub-20 para o elenco profissional é fruto de outros profissionais que estiveram na base do Athletico nos últimos anos, como Bellão e também Caco Espinoza, demitido da função de técnico do time sub-20 semanas antes da chegada de João Correia.
Foi Bellão, por exemplo, quem apostou em Arthur Dias como zagueiro. Como o UmDois Esportes já noticiou, ele foi o responsável por mudar a posição do atual zagueiro titular do Furacão, que era atacante e iria ser mandado embora do CT do Caju. Foi Bellão também que ajudou na formação dos meias João Cruz e Dudu Kogitski, além do atacante Felipe Chiqueti, todos aproveitados por João Correia neste Campeonato Paranaense.
“Não pense que hoje o João Cruz, o Dudu, o Arthur e o Léo Dérik que é agora que estão saindo. Isso é de três, quatro anos atrás, que o trabalho foi feito. [O trabalho] Não é de agora, é lá de trás. Isso aí eu meto a mão no fogo, eu te garanto que não é de agora. O treinador do 20 tem sua participação, de outra maneira e tal. Mas de fazer o que esses garotos estão fazendo no profissional hoje, ele não foi. Tenho certeza absoluta”, disparou Alessandro.
Alessandro defendeu o Athletico de 2000 a 2004, tendo conquistado o título Brasileiro de 2001 e o bicampeonato Paranaense (2001 e 2002). Além disso, também chegou a ser convocado para a seleção brasileira que disputou a Copa América de 2001.
Em novembro de 2015, fez a última partida com a camisa rubro-negra na vitória por 3 a 0 sobre o Flamengo, por 3 a 0, na Arena da Baixada, em jogo da penúltima rodada do Campeonato Brasileiro. Após campanha da torcida na internet, o técnico Cristóvão Borges escalou Alessandro, que estava no clube desde maio daquele ano para aprimorar a forma física.
Com um contrato sem custos ao Athletico, o jogador teve boa atuação aos 38 anos e foi muito homenageado. O jogo de despedida teve presença de ex-companheiros do título nacional, como Alex Mineiro, Cocito e Fabiano. Já em 2016, Alessandro foi para o Operário, onde encerrou a carreira.
Com 179 jogos pelo Rubro-Negro, Alessandro diz que se mantém na torcida e agora vai acompanhar de perto o filho, João Vitor, que também deixou o Athletico e foi contratado para o time sub-20 do Corinthians.
“Dever cumprido. Saio com meu coração aliviado. Triste da maneira que foi, de eu ter saído, mas aliviado porque deixei um legado muito bacana. Agradeço muito porque aprendi muita coisa. Não é porque é experiente que passa para os mais novos, eles também passam. Não tenho raiva de ninguém, não levo nada no meu coração. Agora vou acompanhar meu filho, ajudando ele no processo, aí depois vou estar no mercado. Daqui a pouco boto meu currículo por aí”, completou.

