Josias Lacour: Uma bela e longa história com final inesperado
Em 1976, todos os dias, ao meio-dia em ponto, na TV Iguaçu, Dirceu Graeser (1939–1983) dava início ao programa Viva o Futebol, que rapidamente se transformaria em uma febre na comunicação esportiva do Paraná. Na bancada do programa, algo novo surgia na imprensa esportiva de Curitiba, até então dominada pela chamada “imprensa atleticana”, como costumava […]
Em 1976, todos os dias, ao meio-dia em ponto, na TV Iguaçu, Dirceu Graeser (1939–1983) dava início ao programa Viva o Futebol, que rapidamente se transformaria em uma febre na comunicação esportiva do Paraná.
Na bancada do programa, algo novo surgia na imprensa esportiva de Curitiba, até então dominada pela chamada “imprensa atleticana”, como costumava dizer o saudoso Evangelino da Costa Neves. As novidades tinham nome, sobrenome, talento e, sobretudo, cores imparciais no coração: Paulo Mosimann, o “Foguetinho”, verde do Coritiba, e Josias Lacour, vermelho-sangue do Colorado.
Bem formados no berço e na faculdade, ousados, requisito indispensável à época para ser repórter esportivo, os dois antecipavam, já ali, um futuro de sucesso. O restante, há quase 50 anos, ficou registrado como uma bela história do jornalismo esportivo paranaense.
O talento e o exemplo de uma amizade leal se projetaram de tal forma que Josias e Foguetinho pareciam um só nome, uma só pessoa, indissociáveis.
“Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade”, escreveu Fernando Pessoa.
Essa história encantadora chegou ao fim. De forma surpreendente, Josias foi embora. A morte inesperada é o que mais desconcerta. Há pouco tempo, ele estava na Baixada, lançando a história do goleiro Roberto “Mão de Anjo”. Em outro dia, encontrei-o na Mercearia Bonatto, no lançamento do livro de Amarildo, ex-jogador do Pinheiros, Toledo, Botafogo, Celta de Vigo e Lazio, amigo de infância, de bairro e de fé. E agora, chega a notícia de que foi embora e não volta mais.
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Somos, de fato, egoístas. Não queremos perder nada, muito menos amigos. E talvez não devesse ser assim. Em sua obra póstuma Um Sopro de Vida, Clarice Lispector escreveu:
“Mas parece que chegou o instante de aceitar em cheio a misteriosa vida dos que um dia vão morrer”.
Josias é um desfalque, como jornalista e como ser humano. Não há registro, em sua trajetória, de que tenha negado algo a alguém. Talvez por isso, por cuidar mais dos outros do que de si, tenha partido de forma tão inesperada.
Esta coluna é uma homenagem à memória de Josias Lacour e um gesto de solidariedade aos seus familiares.


