Messi desmente Jorge Luis Borges: vale a pena ter esperança
O sentimento era pelo retorno imediato dos Muchachos sem a quarta estrela. Explica-se, então, o sorriso dos brasileiros, a cada gol do Egito. Era uma forma de consolo para o próprio fracasso que, alongado, irá bater nos 30 anos na próxima Copa. Mas, de repente, Messi! Um pênalti perdido provocou mágoa à sua alma argentina. Sabia-se […]
O sentimento era pelo retorno imediato dos Muchachos sem a quarta estrela. Explica-se, então, o sorriso dos brasileiros, a cada gol do Egito. Era uma forma de consolo para o próprio fracasso que, alongado, irá bater nos 30 anos na próxima Copa.
Mas, de repente, Messi!
Um pênalti perdido provocou mágoa à sua alma argentina. Sabia-se que a perna esquerda do seu corpo já está envelhecida aos 39 anos, mas não a da sua alma argentina. Essa continua jovem, forte e capaz de realizar coisas que só Pelé era capaz. Provocada, o que se viu, então, em Atlanta, foi Messi comandar a maior virada que a história das Copas tem para contar até hoje.
Faltando 11 minutos para terminar o jogo em que a Argentina perdia por 2 a 0, Messi lançou Romero, que marcou 2×1; e quando alguns torcedores (brasileiros, talvez) cantavam o tango de Gardel, “Adiós Muchachos, compañeros de mi vida”, chutou com raiva e amor de dentro da área, ele próprio fez 2 a 2.
E vibrou saltando como Pelé saltava, socando o ar como Pelé socava. E viu a última bola cabeceada por Enzo Fernandes fazer 3 a 2. E daí chorou como Pelé chorava.
Messi me comoveu. A sua grandeza transcende rivalidade, ideologia, fronteiras e sentimentos. Provoca uma metamorfose em todos os que amam o futebol.
Com Messi, talvez, o maior dos escritores argentinos, Jorge Luis Borges, não escreveria que “a esperança é o mais sórdido dos sentimentos”.


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