Novas negociações entre Líbano e Israel devem começar nesta terça
Fumaça sobe ao sul do Líbano após ataque israelense neste sábado (20) Avi Ohayon/Reuters O Líbano segue para uma nova rodada de negociações com Israel nesta terça-feira (23), em Washington, com Beirute determinada a avançar com as tratativas diretas, mesmo que estas pareçam ofuscadas pela decisão do Irã de incluir o Líbano em suas próprias negociações com os Estados Unidos. Autoridades libanesas insistem que negociações frente a frente com Israel são a única maneira de garantir o fim da guerra que assola o país desde 2 de março, quando o grupo armado Hezbollah disparou contra Israel em apoio ao Irã, desencadeando ataques aéreos e terrestres israelenses que já mataram mais de 4.000 pessoas no Líbano. No entanto, quatro rodadas de negociações libanesas-israelenses desde abril não conseguiram produzir um cessar-fogo duradouro. Em vez disso, a trégua mais longa nos combates ocorreu esta semana, após o Irã e os EUA fecharem um memorando de entendimento que estipulava a interrupção dos combates em todas as frentes, incluindo o Líbano. Agora no g1 Esse acordo revigorou o Hezbollah, que é apoiado pelo Irã, e representou um golpe para o Estado libanês, cujos líderes — incluindo o presidente Joseph Aoun — haviam alertado repetidamente que Teerã não pode negociar em nome do Líbano. Uma autoridade libanesa e dois diplomatas estrangeiros que acompanham a situação do Líbano disseram à Reuters que o acordo entre Irã e EUA tirou o tapete do Estado libanês, deixando-o em sua posição mais fraca até o momento e colocando em dúvida a utilidade de suas conversas com Israel esta semana. A autoridade libanesa expressou ceticismo de que qualquer progresso tangível resulte das negociações, que devem durar três dias. "Continua existindo um problema fundamental de confiança entre nós e os israelenses nessas conversas. Não podemos atender às exigências deles, e eles rejeitam todas as nossas", afirmou a autoridade. Líbano buscará cronograma para retirada israelense O Líbano afirmou que um de seus principais objetivos nas negociações será garantir a retirada militar de Israel, mas autoridades de alto escalão israelenses declararam que as tropas permanecerão no sul do Líbano por tempo indeterminado. Israel divulga mapa com 'zona de segurança' no sul do Líbano, com 10 km de distância para a fronteira do país Forças de Defesa de Israel / Divulgação A autoridade libanesa disse que Beirute exigirá que Israel apresente um cronograma "razoável" para sua retirada durante as reuniões. "Esta é a única chance que temos de gerar dinamismo nestas negociações e neste cabo de guerra com o Irã", disse a autoridade. Israel, por sua vez, vê o propósito das próximas conversas como o "desarmamento do Hezbollah e a conquista de um acordo de paz genuíno" com o Líbano, de acordo com um pronunciamento do porta-voz do governo israelense, David Mencer, na véspera das novas negociações. Mencer afirmou que o único impedimento para um acordo com o Líbano é o Hezbollah, "razão pela qual acreditamos que eles devem ser desarmados e desmantelados". O governo libanês tem agido com cautela desde 2025 para desarmar o Hezbollah sem confrontar o grupo diretamente, temendo que isso possa desencadear um conflito civil. O Hezbollah rejeitou o desarmamento total e pediu ao governo que se retire das negociações diretas com Israel. Hezbollah aposta no Irã como negociador Karim Safieddine, pesquisador do Tahrir Institute for Middle East Policy, baseado em Washington, disse à Reuters que existe o risco de Israel adotar uma postura ainda mais inflexível nas negociações de Washington, dada a insatisfação de suas autoridades com o acordo EUA-Irã. Embora esse acordo tenha trazido uma calmaria relativa ao Líbano, não houve "mudança estrutural" nas posições libanesa e israelense que indicasse a possibilidade de progressos na mesa de negociações, avaliou Safieddine. Fumaça sobe do sul do Líbano após um ataque israelense, vista de Marjayoun REUTERS/Stringer Aoun propôs negociações diretas pela primeira vez em março, mas elas só começaram em meados de abril, depois que os EUA anunciaram um cessar-fogo para viabilizar um processo diplomático que, segundo Washington, levaria formalmente a um acordo de paz. Desde então, os ataques aéreos israelenses nos subúrbios ao sul de Beirute cessaram em grande parte, mas combates intensos continuaram no sul do Líbano à medida que as tropas israelenses avançavam mais profundamente nos vilarejos libaneses. Os EUA anunciaram uma nova iniciativa de cessar-fogo no início de junho, novamente como parte das negociações libanesas-israelenses, mas ela dependia de o Hezbollah interromper os ataques e foi rejeitada pelo grupo. O Hezbollah espera que o Irã exija a retirada israelense enquanto conduz negociações com os EUA para um acordo final, e afirma que o governo libanês deveria apostar nessa via em vez de suas negociações diretas.

Fumaça sobe ao sul do Líbano após ataque israelense neste sábado (20) Avi Ohayon/Reuters O Líbano segue para uma nova rodada de negociações com Israel nesta terça-feira (23), em Washington, com Beirute determinada a avançar com as tratativas diretas, mesmo que estas pareçam ofuscadas pela decisão do Irã de incluir o Líbano em suas próprias negociações com os Estados Unidos. Autoridades libanesas insistem que negociações frente a frente com Israel são a única maneira de garantir o fim da guerra que assola o país desde 2 de março, quando o grupo armado Hezbollah disparou contra Israel em apoio ao Irã, desencadeando ataques aéreos e terrestres israelenses que já mataram mais de 4.000 pessoas no Líbano. No entanto, quatro rodadas de negociações libanesas-israelenses desde abril não conseguiram produzir um cessar-fogo duradouro. Em vez disso, a trégua mais longa nos combates ocorreu esta semana, após o Irã e os EUA fecharem um memorando de entendimento que estipulava a interrupção dos combates em todas as frentes, incluindo o Líbano. Agora no g1 Esse acordo revigorou o Hezbollah, que é apoiado pelo Irã, e representou um golpe para o Estado libanês, cujos líderes — incluindo o presidente Joseph Aoun — haviam alertado repetidamente que Teerã não pode negociar em nome do Líbano. Uma autoridade libanesa e dois diplomatas estrangeiros que acompanham a situação do Líbano disseram à Reuters que o acordo entre Irã e EUA tirou o tapete do Estado libanês, deixando-o em sua posição mais fraca até o momento e colocando em dúvida a utilidade de suas conversas com Israel esta semana. A autoridade libanesa expressou ceticismo de que qualquer progresso tangível resulte das negociações, que devem durar três dias. "Continua existindo um problema fundamental de confiança entre nós e os israelenses nessas conversas. Não podemos atender às exigências deles, e eles rejeitam todas as nossas", afirmou a autoridade. Líbano buscará cronograma para retirada israelense O Líbano afirmou que um de seus principais objetivos nas negociações será garantir a retirada militar de Israel, mas autoridades de alto escalão israelenses declararam que as tropas permanecerão no sul do Líbano por tempo indeterminado. Israel divulga mapa com 'zona de segurança' no sul do Líbano, com 10 km de distância para a fronteira do país Forças de Defesa de Israel / Divulgação A autoridade libanesa disse que Beirute exigirá que Israel apresente um cronograma "razoável" para sua retirada durante as reuniões. "Esta é a única chance que temos de gerar dinamismo nestas negociações e neste cabo de guerra com o Irã", disse a autoridade. Israel, por sua vez, vê o propósito das próximas conversas como o "desarmamento do Hezbollah e a conquista de um acordo de paz genuíno" com o Líbano, de acordo com um pronunciamento do porta-voz do governo israelense, David Mencer, na véspera das novas negociações. Mencer afirmou que o único impedimento para um acordo com o Líbano é o Hezbollah, "razão pela qual acreditamos que eles devem ser desarmados e desmantelados". O governo libanês tem agido com cautela desde 2025 para desarmar o Hezbollah sem confrontar o grupo diretamente, temendo que isso possa desencadear um conflito civil. O Hezbollah rejeitou o desarmamento total e pediu ao governo que se retire das negociações diretas com Israel. Hezbollah aposta no Irã como negociador Karim Safieddine, pesquisador do Tahrir Institute for Middle East Policy, baseado em Washington, disse à Reuters que existe o risco de Israel adotar uma postura ainda mais inflexível nas negociações de Washington, dada a insatisfação de suas autoridades com o acordo EUA-Irã. Embora esse acordo tenha trazido uma calmaria relativa ao Líbano, não houve "mudança estrutural" nas posições libanesa e israelense que indicasse a possibilidade de progressos na mesa de negociações, avaliou Safieddine. Fumaça sobe do sul do Líbano após um ataque israelense, vista de Marjayoun REUTERS/Stringer Aoun propôs negociações diretas pela primeira vez em março, mas elas só começaram em meados de abril, depois que os EUA anunciaram um cessar-fogo para viabilizar um processo diplomático que, segundo Washington, levaria formalmente a um acordo de paz. Desde então, os ataques aéreos israelenses nos subúrbios ao sul de Beirute cessaram em grande parte, mas combates intensos continuaram no sul do Líbano à medida que as tropas israelenses avançavam mais profundamente nos vilarejos libaneses. Os EUA anunciaram uma nova iniciativa de cessar-fogo no início de junho, novamente como parte das negociações libanesas-israelenses, mas ela dependia de o Hezbollah interromper os ataques e foi rejeitada pelo grupo. O Hezbollah espera que o Irã exija a retirada israelense enquanto conduz negociações com os EUA para um acordo final, e afirma que o governo libanês deveria apostar nessa via em vez de suas negociações diretas.

