Quem poderia substituir Keir Starmer como primeiro-ministro do Reino Unido

Premiê britânico resiste à pressão e diz que não pretende renunciar O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, está sob forte pressão. Apesar de ter dito a ministros de seu governo, nesta terça-feira (12), que não irá renunciar, ele enfrenta grande resistência dentro do próprio partido, o Trabalhista. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Mais de 80 parlamentares governistas afirmaram em uma carta que ele não é a pessoa certa para liderar o país e vencer as próximas eleições nacionais, e defendem que ele deixe o cargo e seja substituído. Mas quem poderia ocupar o posto do premiê britânico? A agência de notícias Reuters fez uma lista dos nomes cotados para substituir Starmer: Wes Streeting O secretário de Saúde britânico, Wes Streeting REUTERS/Jack Taylor Streeting, de 43 anos, atua como ministro da Saúde e Assistência Social desde que o Partido Trabalhista chegou ao poder em julho de 2024 – um cargo que o coloca no comando do Serviço Nacional de Saúde (NHS), financiado pelo Estado e com um orçamento superior a 200 bilhões de libras. Streeting é visto como um centrista dentro do Partido Trabalhista e defende a contenção fiscal em linha com a abordagem adotada por Starmer. Ele também apoiou a política do governo de aumentar o financiamento da defesa. Streeting era visto como um protegido de Peter Mandelson, o ex-embaixador do Reino Unido nos EUA, nomeado por Starmer e posteriormente demitido devido a suas ligações com o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein. Streeting afirmou sentir vergonha de ter conhecido Mandelson, mas negou que fossem amigos próximos. Em seu primeiro ano como ministro da saúde, ele aprovou um aumento salarial de 22% para médicos residentes ao longo de dois anos, numa tentativa de pôr fim a um impasse salarial. Desde então, os médicos retomaram a greve. Streeting representa um distrito eleitoral no leste de Londres desde 2015. A disputa pela vaga é acirrada e, em 2024, ele venceu por apenas 528 votos, o que torna o distrito vulnerável para a próxima eleição. Ele descreve sua criação como sendo da classe trabalhadora e seria o primeiro primeiro-ministro abertamente gay da Grã-Bretanha. Filho de pais adolescentes, ele contou como seu avô e sua avó passaram um tempo na prisão, e sua mãe nasceu enquanto sua avó estava encarcerada. Ele frequentou a Universidade de Cambridge – uma educação que, segundo ele, financiou com trabalhos no comércio varejista – e é ex-presidente da União Nacional de Estudantes. Andy Burnham Burnham, de 56 anos, é o prefeito de Manchester, no norte da Inglaterra, e um dos políticos mais influentes do Partido Trabalhista. Atualmente, ele está impedido de concorrer a qualquer cargo de liderança por não ser membro do parlamento, mas tem feito esforços recentes para retornar. Em janeiro, ele foi impedido de concorrer a uma vaga na Câmara dos Comuns pelo Comitê Executivo Nacional do Partido Trabalhista. Seus apoiadores, que tendem a vir da ala esquerda do partido, acusaram Starmer e seus aliados de vetar a candidatura de um potencial rival pela liderança. Burnham foi brevemente vice-ministro das Finanças do Reino Unido no governo do ex-primeiro-ministro Gordon Brown, na década de 2000, e concorreu duas vezes à liderança do partido, tendo perdido por larga margem para o veterano da esquerda Jeremy Corbyn em 2015. Ele se tornou prefeito de Manchester em 2017, mas continua sendo uma figura influente para alguns grupos de centro-esquerda dentro do Partido Trabalhista, particularmente aqueles que criticam a postura mais centrista de Starmer. Ele tentou tranquilizar os investidores, garantindo que estariam seguros sob sua visão econômica, após ter sido citado dizendo que a Grã-Bretanha precisava parar de estar "endividada com o mercado de títulos". Ele afirmou que seus comentários foram mal interpretados. Angela Rayner Uma das figuras mais reconhecidas do partido, Rayner, de 46 anos, renunciou ao cargo de vice-primeira-ministra, vice-líder do Partido Trabalhista e secretária de Habitação em 2025, após admitir que havia pago menos impostos do que o devido na compra de um imóvel e ter sido considerada culpada de violar o código de conduta ministerial. A questão ainda não foi totalmente resolvida com as autoridades, o que dificulta qualquer possível candidatura à liderança. Recentemente, ela pediu o retorno de Burnham ao parlamento, o que pode indicar que ela própria não se candidatará. Ela é vista como mais próxima das raízes sindicais e de esquerda do partido do que o centrista Starmer. Quando esteve no cargo, defendeu leis que ampliaram os direitos dos trabalhadores, apoiou aumentos do salário mínimo e pediu maiores investimentos públicos. Embora publicamente tenha concordado com os apelos do Partido Trabalhista por contenção fiscal, reportagens da mídia em maio de 2025, quando ela ainda era ministra, afirmaram que ela havia defendido impostos mais altos e, desde que deixou o governo, tem pedido "medidas ousadas" para proteger os britânicos d

Mai 12, 2026 - 14:00
 0  2
Quem poderia substituir Keir Starmer como primeiro-ministro do Reino Unido

Premiê britânico resiste à pressão e diz que não pretende renunciar O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, está sob forte pressão. Apesar de ter dito a ministros de seu governo, nesta terça-feira (12), que não irá renunciar, ele enfrenta grande resistência dentro do próprio partido, o Trabalhista. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Mais de 80 parlamentares governistas afirmaram em uma carta que ele não é a pessoa certa para liderar o país e vencer as próximas eleições nacionais, e defendem que ele deixe o cargo e seja substituído. Mas quem poderia ocupar o posto do premiê britânico? A agência de notícias Reuters fez uma lista dos nomes cotados para substituir Starmer: Wes Streeting O secretário de Saúde britânico, Wes Streeting REUTERS/Jack Taylor Streeting, de 43 anos, atua como ministro da Saúde e Assistência Social desde que o Partido Trabalhista chegou ao poder em julho de 2024 – um cargo que o coloca no comando do Serviço Nacional de Saúde (NHS), financiado pelo Estado e com um orçamento superior a 200 bilhões de libras. Streeting é visto como um centrista dentro do Partido Trabalhista e defende a contenção fiscal em linha com a abordagem adotada por Starmer. Ele também apoiou a política do governo de aumentar o financiamento da defesa. Streeting era visto como um protegido de Peter Mandelson, o ex-embaixador do Reino Unido nos EUA, nomeado por Starmer e posteriormente demitido devido a suas ligações com o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein. Streeting afirmou sentir vergonha de ter conhecido Mandelson, mas negou que fossem amigos próximos. Em seu primeiro ano como ministro da saúde, ele aprovou um aumento salarial de 22% para médicos residentes ao longo de dois anos, numa tentativa de pôr fim a um impasse salarial. Desde então, os médicos retomaram a greve. Streeting representa um distrito eleitoral no leste de Londres desde 2015. A disputa pela vaga é acirrada e, em 2024, ele venceu por apenas 528 votos, o que torna o distrito vulnerável para a próxima eleição. Ele descreve sua criação como sendo da classe trabalhadora e seria o primeiro primeiro-ministro abertamente gay da Grã-Bretanha. Filho de pais adolescentes, ele contou como seu avô e sua avó passaram um tempo na prisão, e sua mãe nasceu enquanto sua avó estava encarcerada. Ele frequentou a Universidade de Cambridge – uma educação que, segundo ele, financiou com trabalhos no comércio varejista – e é ex-presidente da União Nacional de Estudantes. Andy Burnham Burnham, de 56 anos, é o prefeito de Manchester, no norte da Inglaterra, e um dos políticos mais influentes do Partido Trabalhista. Atualmente, ele está impedido de concorrer a qualquer cargo de liderança por não ser membro do parlamento, mas tem feito esforços recentes para retornar. Em janeiro, ele foi impedido de concorrer a uma vaga na Câmara dos Comuns pelo Comitê Executivo Nacional do Partido Trabalhista. Seus apoiadores, que tendem a vir da ala esquerda do partido, acusaram Starmer e seus aliados de vetar a candidatura de um potencial rival pela liderança. Burnham foi brevemente vice-ministro das Finanças do Reino Unido no governo do ex-primeiro-ministro Gordon Brown, na década de 2000, e concorreu duas vezes à liderança do partido, tendo perdido por larga margem para o veterano da esquerda Jeremy Corbyn em 2015. Ele se tornou prefeito de Manchester em 2017, mas continua sendo uma figura influente para alguns grupos de centro-esquerda dentro do Partido Trabalhista, particularmente aqueles que criticam a postura mais centrista de Starmer. Ele tentou tranquilizar os investidores, garantindo que estariam seguros sob sua visão econômica, após ter sido citado dizendo que a Grã-Bretanha precisava parar de estar "endividada com o mercado de títulos". Ele afirmou que seus comentários foram mal interpretados. Angela Rayner Uma das figuras mais reconhecidas do partido, Rayner, de 46 anos, renunciou ao cargo de vice-primeira-ministra, vice-líder do Partido Trabalhista e secretária de Habitação em 2025, após admitir que havia pago menos impostos do que o devido na compra de um imóvel e ter sido considerada culpada de violar o código de conduta ministerial. A questão ainda não foi totalmente resolvida com as autoridades, o que dificulta qualquer possível candidatura à liderança. Recentemente, ela pediu o retorno de Burnham ao parlamento, o que pode indicar que ela própria não se candidatará. Ela é vista como mais próxima das raízes sindicais e de esquerda do partido do que o centrista Starmer. Quando esteve no cargo, defendeu leis que ampliaram os direitos dos trabalhadores, apoiou aumentos do salário mínimo e pediu maiores investimentos públicos. Embora publicamente tenha concordado com os apelos do Partido Trabalhista por contenção fiscal, reportagens da mídia em maio de 2025, quando ela ainda era ministra, afirmaram que ela havia defendido impostos mais altos e, desde que deixou o governo, tem pedido "medidas ousadas" para proteger os britânicos dos efeitos da guerra com o Irã. Rayner cresceu em relativa pobreza num conjunto habitacional social na cidade de Stockport, perto de Manchester. Mãe adolescente, trabalhou como cuidadora e dirigente sindical antes de entrar para o parlamento em 2015. Ela atribui a essa experiência o mérito de lhe proporcionar uma compreensão autêntica das dificuldades enfrentadas pelos britânicos mais pobres, e é considerada por muitos no Partido Trabalhista como uma comunicadora eficaz, cuja trajetória lhe permite alcançar setores do partido que Starmer – londrino e ex-advogado de direitos humanos – não consegue. Ed Miliband O Ministro da Energia, Miliband, de 56 anos, é um dos ministros mais antigos do gabinete de Starmer e tem sido associado a um possível retorno à liderança do partido, após um período anterior na oposição, entre 2010 e 2015. Ele afirmou que essa experiência o "imunizou" contra a vontade de repetir o feito. Ele tem sido o principal defensor, no governo, da implementação de políticas de energia líquida zero. Ele já havia atuado no governo de 2006 a 2010, sob as administrações de Tony Blair e Gordon Brown, e derrotou tanto seu irmão David quanto Burnham na eleição para a liderança do partido em 2010, oferecendo uma visão mais de centro-esquerda para o partido do que seu irmão centrista. Shabana Mahmood Parlamentar desde 2010, Mahmood, de 45 anos, ascendeu rapidamente na hierarquia ministerial e foi promovida a ministra do Interior em setembro, após ter atuado como ministra da Justiça. Ela é a primeira mulher muçulmana a ocupar qualquer um dos cargos. Considerada à direita do partido, ela tem defendido uma postura mais rígida em relação à imigração, que, segundo ela, é fundamental para enfrentar o partido de direita Reform UK e abordar as preocupações dos eleitores sobre o tema. No entanto, críticos afirmam que sua postura rígida significa que o Partido Trabalhista está perdendo o apoio dos progressistas que tradicionalmente o apoiavam para alternativas de esquerda, como os Verdes. Ela também é impopular entre a ala esquerda do partido. Al Carns Eleito recentemente em 2024, o ministro adjunto da Defesa, Al Carns, de 46 anos, tem sido apontado como um candidato externo que poderia se mostrar popular entre outros parlamentares de primeiro mandato que desejam uma voz nova. Ele serviu nos Royal Marines e é um veterano do Afeganistão, tendo aconselhado vários ministros da Defesa do Partido Conservador em assuntos militares antes de entrar para a política. No ano passado, ele fez parte de uma equipe que escalou o Monte Everest em menos de sete dias, testando o uso de gás xenônio para ajudar a acelerar a aclimatação. Primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer. REUTERS/Jaimi Joy A pressão vivida por Starmer Starmer defendeu sua permanência como primeiro-ministro durante uma reunião de gabinete de emergência na residência oficial, e disse que o partido deveria se concentrar em reerguer o governo, porque sua renúncia neste momento apenas traria mais caos ao país. Só nesta terça, quatro ministros pediram demissão do cargo. "Eu assumo a responsabilidade por esses resultados eleitorais, e assumo a responsabilidade por entregar a mudança que prometemos. (...) O Partido Trabalhista tem um processo para desafiar um líder e esse processo não foi acionado. O país espera que continuemos governando. É isso que estou fazendo e o que devemos fazer como gabinete", afirmou Starmer, segundo um comunicado divulgado pelo seu gabinete. Além disso, segundo a BBC, o premiê também disse aos ministros que o mecanismo dentro do Partido Trabalhista para provocar sua sucessão não foi ativado e desafiou seus ministros a encontrarem um possível sucessor para rivalizar com ele pelo cargo. Um dos ministros disse na saída após o encontro que "nada foi acionado", em possível referência ao mecanismo de sucessão. Um outro ministro afirmou à emissora britânica BBC que "não havia clima" para um desafio direto a Starmer pelo cargo de premiê. O encontro entre Starmer e seus principais ministros ocorre em meio a uma crise sem precedentes do atual governo britânico. O premiê vem enfrentando diversos pedidos de renúncia nos últimos dias, e segundo a BBC, ao menos 81 dos 403 parlamentares trabalhistas já pediram que ele entregue o cargo imediatamente ou apresente um prazo para deixar o governo —esse número é o mínimo necessário para desafiar o premiê, porém é preciso haver um nome em consenso para o candidato. O "Telegraph", citando fontes de dentro do gabinete de Starmer, disse que os seis ministros que pediriam sua renúncia são: A ministra do Interior, Shabana Mahmood; O ministro da Defesa, John Healey O ministro da Energia, Ed Miliband; A ministra da Cultura, Lisa Nandy; A ministra das Relações Exteriores, Yvette Cooper; e o ministro da Saúde, Wes Streeting. O secretário da Habitação, Steve Reed, estava dentro da reunião e publicou nas redes sociais uma mensagem de apoio a Starmer ainda durante o encontro. "Essa instabilidade traz consequências para a vida das pessoas. Aqueles que mais serão prejudicados são os que nos elegeram há menos de dois anos. Devemos nos unir em torno do primeiro-ministro", afirmou. Em meio à crise, uma ministra e dois parlamentares do partido de Starmer renunciaram nesta terça-feira e pediram que o premiê fizesse o mesmo. Miatta Fahnbulleh, ministra júnior do departamento de Habitação, disse que nem ela nem o público acreditam que ele seja capaz de guiar o país em meio aos desafios atuais. Já Alex Davies-Jones disse que "o país falou, e precisamos ouvir". Jess Phillips afirmou que Starmer "é um bom homem, mas percebeu que isso não é o suficiente". Apesar das renúncias, autoridades de alto escalão ainda permanecem no governo britânico. Fontes afirmaram à BBC que mais renúncias de membros do governo Starmer devem renunciar ainda nesta terça. Em meio à turbulência política no Reino Unido, o rei Charles III fará na quarta-feira (13) um discurso do Estado da União no Parlamento, evento em que o governo britânico se alinha para as pautas que serão prioridade do legislativo para o próximo ano. LEIA TAMBÉM: A crise que coloca em risco o cargo do primeiro-ministro britânico Irã ameaça enriquecer urânio a 90% se sofrer novos ataques dos EUA Jogadoras tchecas eram filmadas no banho secretamente por treinador Globopop: clique para ver vídeos do palco do g1 Vídeos em alta no g1