Um padre, o amor pelo Athletico e uma profecia em plena Baixada
Quem vê o atleticano Adriano da Levedove andando pelas ruas do Água Verde e vestido de rubro-negro, não imagina que é ele quem celebra a Santa Missa todos os domingos no Santuário Sagrado Coração de Jesus, na região da Arena da Baixada. Mas quem frequenta suas missas conhece muito bem sua paixão pelo Athletico, comumente […]
Quem vê o atleticano Adriano da Levedove andando pelas ruas do Água Verde e vestido de rubro-negro, não imagina que é ele quem celebra a Santa Missa todos os domingos no Santuário Sagrado Coração de Jesus, na região da Arena da Baixada. Mas quem frequenta suas missas conhece muito bem sua paixão pelo Athletico, comumente citado em suas orações.
No último domingo (22), horas antes do Atletiba do Brasileirão, o padre Adriano se despediu da comunidade palpitando sobre o resultado do clássico. “Ide em paz, que o Senhor vos acompanhe e hoje vai ser 2 a 0 para o Athletico”. Sou testemunha da profecia.
“Recebi mensagens me chamando de padre Dináh”, brincou.
“Foi puro chute mesmo. Não teve estratégia, nem revelação divina. Foi daqueles palpites que a gente solta na brincadeira e, dessa vez, encaixou certinho. Acho que o mais curioso é isso: quando a gente acerta, parece que tem alguma coisa especial, mas foi coincidência mesmo. Eu mesmo me surpreendi quando vi o placar final. Se eu tivesse esse ‘dom’, já tinha tentado a sorte nas loterias (risos), mas não é o caso”, completou o padre.
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Padre Adriano foi pela primeira vez à Arena da Baixada no Atletiba
E, curiosamente, a vitória do Athletico por 2 a 0 sobre o Coritiba, pelo Brasileirão, foi o primeiro jogo do padre na Arena da Baixada. Não foi por falta de vontade, nem de convite. Muito envolvido nas atividades da Igreja, principalmente aos finais de semana, que são mais intensos de compromissos, a ida ao estádio sempre foi postergada.
Outro fator é que o pároco estava atuando nas igrejas do interior nos últimos 11 anos, entre Campo Largo, Palmeira e Porto Amazonas. Faz cerca de um ano que ele é reitor do santuário vizinho da Baixada. Desde o despertar da paixão pelo Furacão, lá em 2001, até hoje, haviam se passado 25 anos sem conhecer o local, que passou por grande mudança para a Copa do Mundo de 2014.
“Um querido amigo, o Neto Malucelli, que é natural de Palmeira, mas mora em Curitiba, praticamente me intimou a ir com ele e com o filho, o Eduardo Malucelli. Como não tinha atividades naquele horário e ainda era um clássico, aceitei o convite. Acabou sendo um presente, pois logo na minha primeira vez na Arena, vi um grande jogo, com um belíssimo desempenho do time. E ainda na semana do aniversário do clube, foi como uma bela recepção”, comemorou./https%3A%2F%2Fmedia.umdoisesportes.com.br%2Fmain%2F2026%2F03%2Fpadre-adriano-primeira-vez-arena-atletiba.jpg)
Padre Adriano ainda explicou como faz para conciliar as atividades na igreja e o tempo livre para assistir ao Athletico — e outros jogos de futebol.
“Conciliar não é tão simples. O futebol acaba entrando nos espaços que sobram. Muitas vezes os jogos coincidem com os horários das missas. Aí eu brinco: enquanto eles jogam, eu rezo (risos). Gosto de acompanhar como dá, às vezes pela TV, outras pelo rádio ou até pelo celular, entre um compromisso e outro. Não escondo que, em algumas ocasiões, no final da missa, dou uma espiadinha rápida só pra ver o resultado. E, quem sabe, poder dizer: ‘Ide em paz… que o Athletico está ganhando!’, brincou.
“Quanto às orações… não chega a ser pelo resultado do jogo, mas rezo sim, e muito pelos jogadores. Para que não se percam no processo profissional. O futebol é uma paixão dos brasileiros e eles se tornam referência para os torcedores”, explicou.
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Natural de São Paulo, onde viveu até os 21 anos, o padre Adriano não é torcedor do Athletico desde a infância. Mas foi uma família e o time de 2001 que encantaram o coração do religioso.
“Quando cheguei em Curitiba, em janeiro de 2001, fui morar no bairro Santo Inácio. Na rua do seminário uma coisa me chamou a atenção, enquanto muitas casas tinham bandeiras de outros times, uma casa em especial sempre colocava a bandeira do Athletico na janela”, lembrou.
“Logo me simpatizei com aquela família, e a proximidade foi, aos poucos, me levando a acompanhar os jogos. Não foi conversão, foi um amor que foi se consolidando. Foi um vínculo que nasceu já na vida adulta, muito mais pela experiência vivida aqui em Curitiba, do que por tradição de infância. Aos poucos, fui criando carinho, acompanhando mais de perto e quando percebi, já estava usando a camisa do Furacão”, acrescentou.
Desde aquele ano mágico, o Athletico só aumentou sua galeria de troféus. Depois do título do Campeonato Brasileiro, chegou ao bicampeonato da Sul-Americana, o título da Copa do Brasil, além de dois vice-campeonatos da Libertadores. Neste dia 26 de março de 2026, o clube completa 102 anos e, assim como foi nos últimos anos, principalmente no ano passado para que o clube retornasse à Série A, o Furacão seguirá nas orações do padre Adriano e dos outros milhares de rubro-negros.

