“Animal político”, Professor Miranda marcou época no Paraná Clube
A morte do ex-presidente José Carlos de Miranda, nesta sexta-feira (17), levou também parte especial da história de um Paraná Clube que não existe mais. Entre luzes e sombras, o Professor Miranda foi figura simbólica que dividiu opiniões e guardou lugar nas galerias do Tricolor. Professor aposentado, ex-presidente do originário Colorado, o mandatário da campanha […]
A morte do ex-presidente José Carlos de Miranda, nesta sexta-feira (17), levou também parte especial da história de um Paraná Clube que não existe mais. Entre luzes e sombras, o Professor Miranda foi figura simbólica que dividiu opiniões e guardou lugar nas galerias do Tricolor.
Professor aposentado, ex-presidente do originário Colorado, o mandatário da campanha da Libertadores de 2007 é relembrado por aqueles que dividiram com ele os corredores da Kennedy como, acima de tudo, um animal político por natureza.
Articulador hábil, quando notava um adversário ganhando força na arena interna tricolor, logo o trazia para seu lado. Tal qual um gestor público, Miranda gostava de distribuir cargos, transformando inimigos em aliados. Foi assim também na relação com os rivais.
Em frente aos microfones, era provocativo. Assumia a persona do cartola à moda antiga. “Vencer o Athletico é melhor do que um orgasmo”, disparou em 2007, após eliminar o Furacão no Estadual. A expressão “time do fim da rua”, aliás, era uma de suas preferidas.
Atrás dos holofotes, no entanto, mantinha relação cordial com as diretorias de Athletico e Coxa. Na volta à Vila Capanema, ajudou na venda de camarotes do estádio. Uma das ligações que fez foi para Petraglia, convencendo o figurão rubro-negro a comprar um deles. Dito e feito.
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“Vocês contratam os jogadores. Eu contrato o treinador”
Miranda deixava a montagem dos times sob a responsabilidade de seus diretores. Os técnicos, no entanto, era ele quem escolhia. Na sala presidencial, erguia a caneta em uma das mãos e brincava: “Vocês contratam os jogadores. Eu contrato o treinador”.
Em uma anedota de 2004, Miranda demitiu o folclórico Paulo Campos e apostou no jovem Gilson Kleina. A troca não deu certo e Paulo Campos acabaria recontratado algumas semanas depois. /https%3A%2F%2Fmedia.umdoisesportes.com.br%2Fmain%2F2026%2F04%2Fcaio-junior-professor-miranda.jpg)
Já em 2006, apesar de forte resistência interna, após a saída de Barbieri, foi de Miranda a escolha por Caio Júnior, que então trabalhava como comentarista esportivo na rádio Banda B. Após um início ruim, membros da diretoria queriam a demissão do ex-atacante, que acabou bancado pelo cartola e levando o clube à histórica 5ª posição do Brasileirão.
Em sua trajetória, o ex-presidente teve como aliados nomes como os de Paulo Welter e Vavá. Mas, leal a ele mesmo até o fim, teve apenas Zé Domingos. Em 2007, quando Miranda tentava alterar o estatuto para concorrer a um terceiro mandato no Paraná, acabou alvo de uma articulação política e foi forçado a renunciar.
Após vitórias e polêmicas, o refúgio final em Morretes
Miranda foi derrubado no Paraná. Inclusive por ex-aliados. Ao deixar o clube, já tinha nas costas o peso do polêmico e problemático caso Thiago Neves. A venda da promessa renderia prejuízo milionário ao futuro paranista. E duras acusações ao ex-presidente, principal envolvido no negócio. Virou sombra indissociável de seu passado.
Mesmo nos tempos de presidência, o cartola não deixou de morar em Morretes, indo e vindo todos os dias para Curitiba. Abatido após a renúncia, foi justamente aos pés da Serra do Mar, onde mantinha a Pousada Dona Siroba, que Miranda buscou refúgio. Viveu um período de reclusão. Saiu de cena. Deixou até de ir à Vila.
No futuro, discretamente, voltaria aos poucos à vida do clube, especialmente como integrante do Conselho Consultivo.
Entre os torcedores paranistas, a polêmica figura de José Carlos de Miranda ainda inflama as opiniões. No entanto, em seus últimos anos, entre amigos, em almoços em Morretes, Miranda negava arrependimentos. Assumia acertos e erros. E garantia, acima de tudo, ter feito o máximo pelo clube que amava.

