Cientistas testam primeira soja editada geneticamente no Brasil
Objetivo é fazer grãos resistirem à seca e ao calor do país. Técnica permite alterar o código genético de um ser vivo, fazendo a chamada edição gênica. Cientistas testam a primeira soja editada geneticamente para resistir mais à seca e ao calor do Brasil
Cientistas estão testando a primeira soja editada geneticamente para resistir mais à seca e ao calor do Brasil.
Dizem que o campo é uma empresa a céu aberto, por isso clima é sempre um desafio. Edivaldo é gerente dessa fazenda em Sertanópolis, no Paraná. Na última safra, o calor causou uma perda de 70% da produção de soja.
"Parecia que tava pegado fogo na lavoura verde, chegava até cheirar folha queimada de tão quente que tava o sol."
Para lidar com as mudanças climáticas, pesquisadores da Embrapa estão desenvolvendo uma soja mais resistente a altas temperaturas e à seca, usando o CRISPR, uma técnica que permite alterar o código genético de um ser vivo, fazendo a chamada edição gênica.
É fácil confundir transgenia com edição gênica, mas existe uma diferença importante entre essas duas técnicas. A transgenia envolve uma troca entre duas espécies diferentes. Vamos supor que esses blocos aqui representam o milho e esses representam uma bactéria. Os cientistas vão então tirar um gene da bactéria e colocar no milho para conseguir uma característica desejada.
Já a edição gênica envolve só os genes presentes naturalmente numa mesma espécie. Aqui a gente tem uma variedade de soja bastante resistente à seca e uma variedade de soja muito produtiva. Então, dá para colocar um gene desta variedade nessa outra aqui para conseguir uma soja ideal.
"Eu poderia ter obtido isso cruzando essas duas plantas, só que demoraria 12, 14, 15 anos, né? Com a evolução tecnológica, eu posso fazer isso em um, dois anos, no máximo."
Primeiro, o cientista escolhe com quais plantas vai trabalhar, pega as folhas e faz uma extração com nitrogênio líquido. O nitrogênio líquido rompe as células e expõe o DNA. Parece um algodãozinho. Aquilo é o DNA de uma planta. Então eles recortam o gene da variedade tolerante à seca e colocam na mais produtiva.
Tem pesquisadores testando essa técnica em vários cantos do Brasil. No Tocantins, cientistas apagam os genes que formam essas espinhas nos tambaquis, espécie nativa da Amazônia. "Hoje nós já temos os primeiros tambaquis editados. Esses peixes ainda têm que crescer, entrar em maturação sexual. Isso leva 3 anos e meio."
Em Minas, a ideia é produzir bois da raça Angus com pelo mais curto para tolerar melhor o calor. "Em dois anos, o que nós fizemos aqui provavelmente já pode estar dentro do mercado."
A Universidade de São Paulo tenta criar porcos que possam doar órgãos para seres humanos. Os cientistas inativam alguns genes para diminuir as chances do nosso corpo rejeitar o transplante, num tipo de cirurgia que já foi feita nos Estados Unidos. "Difícil estimar um prazo para isso, mas é uma esperança bastante real pros próximos anos."
A agrônoma Sara Gapito, doutora em recursos genéticos vegetais, alerta que essas novidades podem ter riscos e devem passar por avaliação de uma agência regulatória independente.
"Edição de genomas é uma técnica revolucionária, mas é necessário, como qualquer técnica nova, que análises de riscos robustas sejam feitas para que esses produtos entrem com segurança no mercado e nas prateleiras dos brasileiros."
Objetivo é fazer grãos resistirem à seca e ao calor do país. Técnica permite alterar o código genético de um ser vivo, fazendo a chamada edição gênica. Cientistas testam a primeira soja editada geneticamente para resistir mais à seca e ao calor do Brasil
Cientistas estão testando a primeira soja editada geneticamente para resistir mais à seca e ao calor do Brasil.
Dizem que o campo é uma empresa a céu aberto, por isso clima é sempre um desafio. Edivaldo é gerente dessa fazenda em Sertanópolis, no Paraná. Na última safra, o calor causou uma perda de 70% da produção de soja.
"Parecia que tava pegado fogo na lavoura verde, chegava até cheirar folha queimada de tão quente que tava o sol."
Para lidar com as mudanças climáticas, pesquisadores da Embrapa estão desenvolvendo uma soja mais resistente a altas temperaturas e à seca, usando o CRISPR, uma técnica que permite alterar o código genético de um ser vivo, fazendo a chamada edição gênica.
É fácil confundir transgenia com edição gênica, mas existe uma diferença importante entre essas duas técnicas. A transgenia envolve uma troca entre duas espécies diferentes. Vamos supor que esses blocos aqui representam o milho e esses representam uma bactéria. Os cientistas vão então tirar um gene da bactéria e colocar no milho para conseguir uma característica desejada.
Já a edição gênica envolve só os genes presentes naturalmente numa mesma espécie. Aqui a gente tem uma variedade de soja bastante resistente à seca e uma variedade de soja muito produtiva. Então, dá para colocar um gene desta variedade nessa outra aqui para conseguir uma soja ideal.
"Eu poderia ter obtido isso cruzando essas duas plantas, só que demoraria 12, 14, 15 anos, né? Com a evolução tecnológica, eu posso fazer isso em um, dois anos, no máximo."
Primeiro, o cientista escolhe com quais plantas vai trabalhar, pega as folhas e faz uma extração com nitrogênio líquido. O nitrogênio líquido rompe as células e expõe o DNA. Parece um algodãozinho. Aquilo é o DNA de uma planta. Então eles recortam o gene da variedade tolerante à seca e colocam na mais produtiva.
Tem pesquisadores testando essa técnica em vários cantos do Brasil. No Tocantins, cientistas apagam os genes que formam essas espinhas nos tambaquis, espécie nativa da Amazônia. "Hoje nós já temos os primeiros tambaquis editados. Esses peixes ainda têm que crescer, entrar em maturação sexual. Isso leva 3 anos e meio."
Em Minas, a ideia é produzir bois da raça Angus com pelo mais curto para tolerar melhor o calor. "Em dois anos, o que nós fizemos aqui provavelmente já pode estar dentro do mercado."
A Universidade de São Paulo tenta criar porcos que possam doar órgãos para seres humanos. Os cientistas inativam alguns genes para diminuir as chances do nosso corpo rejeitar o transplante, num tipo de cirurgia que já foi feita nos Estados Unidos. "Difícil estimar um prazo para isso, mas é uma esperança bastante real pros próximos anos."
A agrônoma Sara Gapito, doutora em recursos genéticos vegetais, alerta que essas novidades podem ter riscos e devem passar por avaliação de uma agência regulatória independente.
"Edição de genomas é uma técnica revolucionária, mas é necessário, como qualquer técnica nova, que análises de riscos robustas sejam feitas para que esses produtos entrem com segurança no mercado e nas prateleiras dos brasileiros."