Documento mostra como o Brasil pretende enfrentar as mudanças do clima nos próximos 10 anos

Governo federal apresenta plano para enfrentar as mudanças climáticas O governo federal divulgou nesta sexta-feira (6) um documento em que declara como o Brasil pretende enfrentar as mudanças do clima nos próximos dez anos. O Plano Clima tem dois objetivos: diminuir a poluição e preparar a população para eventos extremos - como ondas de calor, secas e enchentes. A meta final é cumprir a promessa que o Brasil fez aos países do Acordo do Clima, assinado em Paris, de reduzir os gases de efeito estufa para ajudar a frear o aquecimento global. Para isso, o governo quer a participação de todos os setores da economia. O Brasil se comprometeu a cortar de 59% a 67% das emissões de gases até 2035. Ou seja: o plano estabelece um teto de poluição, mas esse teto é móvel. Em um cenário mais rigoroso, o país só poderia emitir cerca de 850 milhões de toneladas de gás carbônico por ano. No cenário menos rigoroso, mais de 1 bilhão de toneladas. Em 2022, por exemplo, o Brasil lançou no ar cerca de 2 bilhões de toneladas de gases que aumentam a temperatura da Terra. O plano funciona como uma balança: permite a alguns setores poluir mais por alguns anos. É o caso do setor de produção energia — que inclui a produção de petróleo — e pode aumentar as emissões em até um terço até 2030. Por outro lado, o desmatamento segue o caminho oposto: tem que cair até zerar em 2030. Documento mostra como o Brasil pretende enfrentar as mudanças do clima nos próximos 10 anos Jornal Nacional/ Reprodução O documento não cita o fim dos combustíveis fósseis e ainda afirma que fatores políticos, econômicos e internacionais podem atrasar a troca do petróleo por fontes de energia mais limpas, especialmente com a economia crescendo. Claudio Angelo, coordenador do Observatório do Clima, elogia a elaboração do plano, mas afirma que as metas do governo ainda são tímidas: “É positivo que o Brasil tenha feito o plano. Agora, de fato, a ambição está muito aquém do que o país pode fazer. Qual é a meta? Quem tem duas, não tem nenhuma. A gente precisa tomar uma decisão sobre de que lado da ambição nós queremos estar". O Ministério do Meio Ambiente avalia que essa variação na meta existe porque os cenários econômicos podem mudar: “A gente faz uma abordagem que leva em conta essa realidade da incerteza, dos riscos de que todos os investimentos não se materializem ou não ocorram no tempo necessário para que eles produzam efeito. É lógico que a gente é orientado para a meta mais ambiciosa, chegar em 2035 com no máximo 850 milhões de toneladas, mas consideramos esse ambiente de incerteza", diz Aloisio Melo, secretário de Mudança do Clima. LEIA TAMBÉM Governo aprova Plano Clima, base da estratégia no combate a mudanças climáticas Sem frear o petróleo, plano climático do Brasil faz sentido?

Fev 6, 2026 - 23:00
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Documento mostra como o Brasil pretende enfrentar as mudanças do clima nos próximos 10 anos

Governo federal apresenta plano para enfrentar as mudanças climáticas O governo federal divulgou nesta sexta-feira (6) um documento em que declara como o Brasil pretende enfrentar as mudanças do clima nos próximos dez anos. O Plano Clima tem dois objetivos: diminuir a poluição e preparar a população para eventos extremos - como ondas de calor, secas e enchentes. A meta final é cumprir a promessa que o Brasil fez aos países do Acordo do Clima, assinado em Paris, de reduzir os gases de efeito estufa para ajudar a frear o aquecimento global. Para isso, o governo quer a participação de todos os setores da economia. O Brasil se comprometeu a cortar de 59% a 67% das emissões de gases até 2035. Ou seja: o plano estabelece um teto de poluição, mas esse teto é móvel. Em um cenário mais rigoroso, o país só poderia emitir cerca de 850 milhões de toneladas de gás carbônico por ano. No cenário menos rigoroso, mais de 1 bilhão de toneladas. Em 2022, por exemplo, o Brasil lançou no ar cerca de 2 bilhões de toneladas de gases que aumentam a temperatura da Terra. O plano funciona como uma balança: permite a alguns setores poluir mais por alguns anos. É o caso do setor de produção energia — que inclui a produção de petróleo — e pode aumentar as emissões em até um terço até 2030. Por outro lado, o desmatamento segue o caminho oposto: tem que cair até zerar em 2030. Documento mostra como o Brasil pretende enfrentar as mudanças do clima nos próximos 10 anos Jornal Nacional/ Reprodução O documento não cita o fim dos combustíveis fósseis e ainda afirma que fatores políticos, econômicos e internacionais podem atrasar a troca do petróleo por fontes de energia mais limpas, especialmente com a economia crescendo. Claudio Angelo, coordenador do Observatório do Clima, elogia a elaboração do plano, mas afirma que as metas do governo ainda são tímidas: “É positivo que o Brasil tenha feito o plano. Agora, de fato, a ambição está muito aquém do que o país pode fazer. Qual é a meta? Quem tem duas, não tem nenhuma. A gente precisa tomar uma decisão sobre de que lado da ambição nós queremos estar". O Ministério do Meio Ambiente avalia que essa variação na meta existe porque os cenários econômicos podem mudar: “A gente faz uma abordagem que leva em conta essa realidade da incerteza, dos riscos de que todos os investimentos não se materializem ou não ocorram no tempo necessário para que eles produzam efeito. É lógico que a gente é orientado para a meta mais ambiciosa, chegar em 2035 com no máximo 850 milhões de toneladas, mas consideramos esse ambiente de incerteza", diz Aloisio Melo, secretário de Mudança do Clima. LEIA TAMBÉM Governo aprova Plano Clima, base da estratégia no combate a mudanças climáticas Sem frear o petróleo, plano climático do Brasil faz sentido?