Isso é Fantástico: entenda o Roblox e como proteger os filhos na plataforma

O Roblox está no centro de uma polêmica que mexe diretamente com quem tem filho. Nos últimos meses, a plataforma, que reúne 144 milhões de jogadores todos os dias, virou palco de protestos depois de mudar suas regras de interação. O chat, bate-papo, passou a ser restrito. A idade agora precisa ser verificada, e crianças pequenas só podem conversar com autorização dos responsáveis. À primeira vista, parece uma boa medida de proteção, mas a discussão vai além. O Roblox é só um jogo? Ou funciona, na prática, como uma rede social frequentada por crianças e adolescentes? Neste episódio do podcast do Fantástico, vamos entender o que realmente acontece dentro do Roblox e quais são os riscos. Renata Capucci recebe a produtora do Fantástico Esther Radaelli, que produziu a reportagem, e o psicólogo Cristiano Nabuco, que estuda e entende profundamente a relação entre crianças e as tecnologias que elas adoram — mas que também preocupam tantos pais. A produtora Esther Radaelli contou o caso de uma mãe que a filha relatou ter sofrido um assédio online. “É uma violência muito tenebrosa e que acontece no quarto. Às vezes com a família muito próxima. Ela é muito preocupada com a filha, inclusive tinha um aplicativo de monitoramento de tudo que a filha fazia no celular antes disso acontecer. Mas o criminoso que a filha conheceu no Roblox a orientava como burlar esses aplicativos. Então, a mãe não recebia notificação de que ela estava conversando com essa pessoa. E aí essa mãe percebe uma mudança de comportamento na filha. A menina começou a ficar arredia, mais triste, com olheiras. Quando ela descobre que a filha estava passando por tudo isso, ela fala: “Meu Deus, a minha filha do meu lado”. Especialistas dão dicas de como acompanhar os filhos no Roblox: Metaversos exigem preocupações do mundo real. “Então, de forma prática, para as famílias, é importante, primeiro de tudo, jogar junto. Jogue junto com a criança. Conheça o jogo. Pensa que é um parque de diversão. Você não vai deixar a criança ir num parque de diversão sozinha. No parque de diversão tem montanha-russa, queda livre, dependendo do tipo do brinquedo não é apropriado para a realidade da criança e para saber isso os pais estão lá no parquinho para ver ou algum adulto de confiança. No digital não pode ser diferente. Você precisa conhecer o jogo”. Falsa sensação de segurança dentro de casa: “Os bairros estão cada vez mais violentos e isso gera uma falsa sensação de segurança em casa. Mas ela está diante de uma tela de um aparelho digital, um celular ou um tablet, que a coloca em contato com estranhos de qualquer lugar do mundo, seja agressores sexuais, seja expondo a ela conteúdos de extrema violência, de violência contra meninas e mulheres, violência contra animais, violência de todo tipo, num nível extremamente radical, incluindo conteúdos de adulto, conteúdos em próprios para menores de 18 anos, dentro do seu próprio quarto, supostamente protegido em casa. Então, a gente tem que reequilibrar essa balança, permitir com que as crianças tenham mais momentos de experiência fora de casa, de preferência em contato com a natureza, com outras crianças em parques, em espaços coletivos, que possam ter adultos próximos, mediando, olhando, passando o olho, como a gente fala, reapropriar esses espaços públicos de presença das crianças de uma forma segura e acompanhada, e ampliar o olhar que a gente tem para essa experiência digital, porque hoje ela não sai de casa, porque considera-se inseguro, mas ela fica em casa, num ambiente completamente inseguro, que são os ambientes digitais sem a devida moderação por parte das famílias”, destaca Rodrigo Nesme, psicólogo e especialista em educação digital/Instituto Alana. A delegada de Polícia/coordenadora do Núcleo de Observação e Análise Digital, Lysandrea Salvariego Colabuono, reitera a orientação de que estar em casa não significa estar seguro: “A vítima, quando ela está em casa com o celular, ela se sente muito segura, porque ela está no ambiente dela. Aquele ambiente é dela. Então, ali ela se solta. E o pai e a mãe, de longe, não conseguem ter essa percepção, porque a filha ou o filho está ali, né? Próximo, muito próximo do olhar deles. Letramento digital: “O que a gente costuma dizer, na verdade, é que estes pais deveriam estar mais conscientes dos riscos. Porque simplesmente você virar para uma criança e falar: ‘Olha, não converse com estranhos, não mande fotos suas’. Isso já seria de uma serventia imensa. Porque as crianças simplesmente não sabem e, por consequência, não têm radar, como diz o ditado. A gente chama isso, muitas vezes, de letramento digital. O pai sentar ao lado do filho. “Filho, o que você tá fazendo aqui?”, “O que você tá jogando?” “Mostra pra mim, deixa eu jogar com você.”. Seria, mais ou menos, o mesmo de quando uma criança chegava, há alguns anos, e falava: “Olha, eu estou querendo dormir na casa de um amigo da escola ou do primo”. Quem é, quem vai estar lá, quem é essa pessoa? Você tem um m

Fev 8, 2026 - 22:30
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Isso é Fantástico: entenda o Roblox e como proteger os filhos na plataforma

O Roblox está no centro de uma polêmica que mexe diretamente com quem tem filho. Nos últimos meses, a plataforma, que reúne 144 milhões de jogadores todos os dias, virou palco de protestos depois de mudar suas regras de interação. O chat, bate-papo, passou a ser restrito. A idade agora precisa ser verificada, e crianças pequenas só podem conversar com autorização dos responsáveis. À primeira vista, parece uma boa medida de proteção, mas a discussão vai além. O Roblox é só um jogo? Ou funciona, na prática, como uma rede social frequentada por crianças e adolescentes? Neste episódio do podcast do Fantástico, vamos entender o que realmente acontece dentro do Roblox e quais são os riscos. Renata Capucci recebe a produtora do Fantástico Esther Radaelli, que produziu a reportagem, e o psicólogo Cristiano Nabuco, que estuda e entende profundamente a relação entre crianças e as tecnologias que elas adoram — mas que também preocupam tantos pais. A produtora Esther Radaelli contou o caso de uma mãe que a filha relatou ter sofrido um assédio online. “É uma violência muito tenebrosa e que acontece no quarto. Às vezes com a família muito próxima. Ela é muito preocupada com a filha, inclusive tinha um aplicativo de monitoramento de tudo que a filha fazia no celular antes disso acontecer. Mas o criminoso que a filha conheceu no Roblox a orientava como burlar esses aplicativos. Então, a mãe não recebia notificação de que ela estava conversando com essa pessoa. E aí essa mãe percebe uma mudança de comportamento na filha. A menina começou a ficar arredia, mais triste, com olheiras. Quando ela descobre que a filha estava passando por tudo isso, ela fala: “Meu Deus, a minha filha do meu lado”. Especialistas dão dicas de como acompanhar os filhos no Roblox: Metaversos exigem preocupações do mundo real. “Então, de forma prática, para as famílias, é importante, primeiro de tudo, jogar junto. Jogue junto com a criança. Conheça o jogo. Pensa que é um parque de diversão. Você não vai deixar a criança ir num parque de diversão sozinha. No parque de diversão tem montanha-russa, queda livre, dependendo do tipo do brinquedo não é apropriado para a realidade da criança e para saber isso os pais estão lá no parquinho para ver ou algum adulto de confiança. No digital não pode ser diferente. Você precisa conhecer o jogo”. Falsa sensação de segurança dentro de casa: “Os bairros estão cada vez mais violentos e isso gera uma falsa sensação de segurança em casa. Mas ela está diante de uma tela de um aparelho digital, um celular ou um tablet, que a coloca em contato com estranhos de qualquer lugar do mundo, seja agressores sexuais, seja expondo a ela conteúdos de extrema violência, de violência contra meninas e mulheres, violência contra animais, violência de todo tipo, num nível extremamente radical, incluindo conteúdos de adulto, conteúdos em próprios para menores de 18 anos, dentro do seu próprio quarto, supostamente protegido em casa. Então, a gente tem que reequilibrar essa balança, permitir com que as crianças tenham mais momentos de experiência fora de casa, de preferência em contato com a natureza, com outras crianças em parques, em espaços coletivos, que possam ter adultos próximos, mediando, olhando, passando o olho, como a gente fala, reapropriar esses espaços públicos de presença das crianças de uma forma segura e acompanhada, e ampliar o olhar que a gente tem para essa experiência digital, porque hoje ela não sai de casa, porque considera-se inseguro, mas ela fica em casa, num ambiente completamente inseguro, que são os ambientes digitais sem a devida moderação por parte das famílias”, destaca Rodrigo Nesme, psicólogo e especialista em educação digital/Instituto Alana. A delegada de Polícia/coordenadora do Núcleo de Observação e Análise Digital, Lysandrea Salvariego Colabuono, reitera a orientação de que estar em casa não significa estar seguro: “A vítima, quando ela está em casa com o celular, ela se sente muito segura, porque ela está no ambiente dela. Aquele ambiente é dela. Então, ali ela se solta. E o pai e a mãe, de longe, não conseguem ter essa percepção, porque a filha ou o filho está ali, né? Próximo, muito próximo do olhar deles. Letramento digital: “O que a gente costuma dizer, na verdade, é que estes pais deveriam estar mais conscientes dos riscos. Porque simplesmente você virar para uma criança e falar: ‘Olha, não converse com estranhos, não mande fotos suas’. Isso já seria de uma serventia imensa. Porque as crianças simplesmente não sabem e, por consequência, não têm radar, como diz o ditado. A gente chama isso, muitas vezes, de letramento digital. O pai sentar ao lado do filho. “Filho, o que você tá fazendo aqui?”, “O que você tá jogando?” “Mostra pra mim, deixa eu jogar com você.”. Seria, mais ou menos, o mesmo de quando uma criança chegava, há alguns anos, e falava: “Olha, eu estou querendo dormir na casa de um amigo da escola ou do primo”. Quem é, quem vai estar lá, quem é essa pessoa? Você tem um mínimo de interesse exatamente para resguardar”, orienta o psicólogo Cristiano Nabuco. Cristiano Nabucco, psicólogo especialista em estudos das dependências tecnológicas, reforça que o primeiro a ser feito para proteger os filhos é seguir as recomendações da OMS: "De zero aos dois anos, zero tempo de telas. A partir dos três aos cinco anos, uma hora de tela, mas longe das refeições e longe do horário do sono. Dos seis aos dez, mais ou menos a mesma orientação. Todos esses problemas que nós vivemos hoje não aconteceriam se houvesse um entendimento mínimo a respeito desses efeitos. Essas plataformas criaram um problema que nós, sociedade civil, somos obrigados a ter que resolver”. O que diz o Roblox: "Na Roblox, estamos profundamente comprometidos em liderar em segurança através de proteções rigorosas que vão muito além do que outras plataformas fazem. Não permitimos que os usuários compartilhem imagens ou vídeos no chat, a comunicação na Roblox não é criptografada para que possamos monitorá-la, e utilizamos filtros de texto avançados projetados para bloquear linguagem inadequada e o compartilhamento de informações pessoais. Nossas políticas proíbem expressamente conteúdo inadequado, prejudicial ou que retrate ou promova atividades ilegais. Não permitimos a glorificação de drogas, gangues ou a recriação de eventos sensíveis do mundo real, como tiroteios em escolas. Trabalhamos proativamente para detectar e remover tal conteúdo, incluindo o uso de verificações humanas e automatizadas para conteúdo violador, tanto antes quanto depois da publicação de um jogo. A Roblox também fornece ferramentas de denúncia fáceis de usar para que os usuários possam relatar conteúdo que possa infringir nossas regras, e trabalhamos em estreita colaboração com as autoridades policiais brasileiras para apoiar suas investigações. Estamos constantemente inovando e adicionando novas ferramentas de segurança. Apenas em 2025, lançamos mais de 145 melhorias de segurança para ajudar a proteger nossos jogadores e criadores, incluindo a exigência de que os usuários verifiquem sua idade com tecnologia de estimativa facial de idade antes que possam usar qualquer um dos nossos recursos de mensagens. A tecnologia de estimativa facial de idade foi projetada para precisão e privacidade, e para limitar a comunicação entre adultos e menores por padrão. Vimos uma forte adesão em 45% de nossa comunidade, que contém mais de 140 milhões de usuários ativos diários em todo o mundo. Estamos satisfeitos com o ponto em que estamos no processo de implementação global, mas como estamos construindo algo que nunca existiu antes, é um processo que demandará tempo. As verificações de idade obrigatórias para acessar o chat são um aspecto das medidas de segurança e práticas de moderação em várias camadas que operam em escala na Roblox. Também incentivamos os pais a conversarem com seus filhos sobre os riscos online. Embora nenhum sistema seja perfeito, nosso compromisso com a segurança nunca termina, e continuamos a evoluir e fortalecer nossas proteções todos os dias."