Museu lança exposição com camisas de futebol contra ódio e racismo

O Museu do Holocausto de Curitiba inaugura na próxima segunda-feira (13) a exposição “Camisas Contra o Ódio”, uma mostra inédita que une futebol e reflexão social por meio de 36 uniformes de clubes e seleções de diferentes partes do mundo. A iniciativa reúne peças que carregam mensagens contra o antissemitismo, o racismo, a violência de […]

Abr 8, 2026 - 06:30
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Museu lança exposição com camisas de futebol contra ódio e racismo

O Museu do Holocausto de Curitiba inaugura na próxima segunda-feira (13) a exposição “Camisas Contra o Ódio”, uma mostra inédita que une futebol e reflexão social por meio de 36 uniformes de clubes e seleções de diferentes partes do mundo. A iniciativa reúne peças que carregam mensagens contra o antissemitismo, o racismo, a violência de gênero, a intolerância religiosa e outros tipos de discriminação.

Dividida em seis módulos temáticos, a exposição conta com camisas de equipes brasileiras como Athletico, Coritiba, Corinthians, Flamengo, Vasco da Gama e Fluminense, além das seleções masculina e feminina do Brasil. O acervo também inclui clubes internacionais como o Borussia Dortmund, da Alemanha, o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, e o Darfur United, equipe simbólica formada por refugiados do Sudão, além de times israelenses.

Os uniformes foram utilizados por atletas de destaque, como Vinícius Júnior, Hulk e Germán Cano, além da jogadora Geyse Ferreira. As peças trazem mensagens que vão desde homenagens às vítimas do Holocausto até campanhas antirracistas, evidenciando o papel do esporte como ferramenta de mobilização social.

Segundo Carlos Reiss, coordenador-geral do museu, a ideia surgiu a partir de uma camisa do Corinthians utilizada em 2019 em uma campanha de memória do Holocausto. A peça foi adquirida por Amnon Czerny, sobrevivente que viveu em Curitiba, e posteriormente doada à instituição. A partir disso, o acervo cresceu com o apoio de clubes e entidades, que aderiram à proposta de transformar o futebol em espaço de conscientização.


““Percebemos que os clubes começaram a incorporar, por conta própria, datas de memória do Holocausto em seus calendários, como o 27 de janeiro e o 9 de novembro, data que marca a Noite dos Cristais e atualmente o Dia Internacional de Combate ao Fascismo e ao Antissemitismo. Começamos a fazer contato e os clubes foram super receptivos. A coisa extrapolou: construímos o acervo e queríamos mostrar todo esse material, por isso a exposição.”


Além da proposta educativa, a exposição dialoga com um cenário preocupante. Dados do Observatório da Discriminação Racial no Futebol apontam crescimento expressivo de casos nos últimos anos. Em Curitiba, um episódio recente envolvendo o zagueiro Léo, do Athletico, vítima de racismo em 2025, reforça a urgência do debate. Em resposta, Athletico e Coritiba entraram em campo com camisas com mensagens antirracistas — ambas agora integrando a mostra.

Com caráter itinerante e acessível, “Camisas Contra o Ódio” busca atingir torcedores, estudantes e o público em geral, reforçando o papel do futebol como agente de transformação social.

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