Saída negociada evita julgamento sobre suspeição de Toffoli: como ministro foi convencido a deixar caso Master
Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF), a avaliação é de que a saída encontrada para a crise envolvendo o ministro Dias Toffoli e o caso Master foi a única possível para tentar conter o desgaste institucional. Em reunião tensa, ministros tiveram acesso ao material da Polícia Federal (PF) e convenceram o colega de que o afastamento voluntário era a única via para evitar anulações e conter o desgaste da Corte. O ministro Edson Fachin compartilhou com os demais integrantes da Corte o material enviado pela PF com o aval do próprio Toffoli, que também autorizou o acesso à defesa por ele apresentada. No início da reunião, os ministros dedicaram os primeiros minutos à leitura dos documentos. Segundo relatos ao blog, houve críticas à PF feitas por ministros por avaliarem que havia um nível de cruzamento de informações típico de investigação formal. Ministros adotaram um tom de crítica à PF, em um gesto a Toffoli: convergiram para o entendimento de que, embora o ofício da PF tratasse o episódio como “encontro fortuito”, o conteúdo — na visão deles — mostrava um trabalho investigativo, com troca de mensagens, convites e uma relação que vai além de contatos ocasionais. E reiteraram perante Toffoli que é necessária autorização judicial para investigar ministros — exatamente o que a PF está buscando, como o blog relatou mais cedo. Feito esse registro, o problema central foi debatido: o desgaste institucional com a permanência de Toffoli. Nos bastidores, o consenso entre os ministros era de que os indícios de conexões com Vorcaro e companhia já colocavam em xeque a permanência de Toffoli no caso. Não se tratava, como relatado por ministros ao blog, de um encontro social ou institucional, mas de uma relação que envolvia interlocução direta, mensagens e convites. LEIA MAIS Dias Toffoli deixa relatoria do caso Master no STF Quaest: 82% concordam que o STF precisa de um código de ética para os ministros Entenda a relação entre o Banco Master e a empresa da família Toffoli Caso Master: decisão de saída de Toffoli foi unanime Depois de uma longa conversa, Toffoli foi convencido de que precisava deixar o caso. A saída construída foi descrita como a única politicamente possível: ele não seria declarado suspeito ou impedido, mas se afastaria da relatoria. A avaliação foi a de que o caso era grave e que, se ele insistisse em permanecer, o cenário poderia se agravar ainda mais com a abertura formal de um incidente de suspeição, o que levaria o tema a julgamento e prolongaria uma sangria institucional no STF, com risco de anulação de medidas já tomadas. Entenda o que é suspeição Arte/g1 Inicialmente, Toffoli resistiu e argumentou que havia atendido aos pedidos da PF e da Procuradoria-Geral da República. No entanto, ao longo da reunião, foi convencido a sair. Na avaliação de ministros, sua permanência no caso colocaria em risco todo o material já produzido. O entendimento foi o de que, no limite, se não houvesse uma saída voluntária, a discussão sobre suspeição poderia ser colocada em jogo, com consequências jurídicas imprevisíveis. Ao final, prevaleceu a avaliação de que não existe uma saída ideal: apenas a saída possível. O gesto feito ao ministro foi o de preservar sua posição institucional, sem declaração formal de suspeição ou impedimento, ao mesmo tempo em que se garantiu a preservação de tudo o que já havia sido coletado, justamente para evitar questionamentos futuros. Fora da reunião, porém, persiste o mal-estar de parte dos ministros com o governo Lula (PT). Como o blog já havia mostrado, há a percepção de que o governo teria "largado a mão" da defesa institucional do Supremo no auge da crise. A leitura interna é de que, embora a solução tenha preservado o que já foi produzido na investigação e evitado um confronto direto, o custo político para a imagem da Corte — e, especialmente, para Toffoli — já está dado.

Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF), a avaliação é de que a saída encontrada para a crise envolvendo o ministro Dias Toffoli e o caso Master foi a única possível para tentar conter o desgaste institucional. Em reunião tensa, ministros tiveram acesso ao material da Polícia Federal (PF) e convenceram o colega de que o afastamento voluntário era a única via para evitar anulações e conter o desgaste da Corte. O ministro Edson Fachin compartilhou com os demais integrantes da Corte o material enviado pela PF com o aval do próprio Toffoli, que também autorizou o acesso à defesa por ele apresentada. No início da reunião, os ministros dedicaram os primeiros minutos à leitura dos documentos. Segundo relatos ao blog, houve críticas à PF feitas por ministros por avaliarem que havia um nível de cruzamento de informações típico de investigação formal. Ministros adotaram um tom de crítica à PF, em um gesto a Toffoli: convergiram para o entendimento de que, embora o ofício da PF tratasse o episódio como “encontro fortuito”, o conteúdo — na visão deles — mostrava um trabalho investigativo, com troca de mensagens, convites e uma relação que vai além de contatos ocasionais. E reiteraram perante Toffoli que é necessária autorização judicial para investigar ministros — exatamente o que a PF está buscando, como o blog relatou mais cedo. Feito esse registro, o problema central foi debatido: o desgaste institucional com a permanência de Toffoli. Nos bastidores, o consenso entre os ministros era de que os indícios de conexões com Vorcaro e companhia já colocavam em xeque a permanência de Toffoli no caso. Não se tratava, como relatado por ministros ao blog, de um encontro social ou institucional, mas de uma relação que envolvia interlocução direta, mensagens e convites. LEIA MAIS Dias Toffoli deixa relatoria do caso Master no STF Quaest: 82% concordam que o STF precisa de um código de ética para os ministros Entenda a relação entre o Banco Master e a empresa da família Toffoli Caso Master: decisão de saída de Toffoli foi unanime Depois de uma longa conversa, Toffoli foi convencido de que precisava deixar o caso. A saída construída foi descrita como a única politicamente possível: ele não seria declarado suspeito ou impedido, mas se afastaria da relatoria. A avaliação foi a de que o caso era grave e que, se ele insistisse em permanecer, o cenário poderia se agravar ainda mais com a abertura formal de um incidente de suspeição, o que levaria o tema a julgamento e prolongaria uma sangria institucional no STF, com risco de anulação de medidas já tomadas. Entenda o que é suspeição Arte/g1 Inicialmente, Toffoli resistiu e argumentou que havia atendido aos pedidos da PF e da Procuradoria-Geral da República. No entanto, ao longo da reunião, foi convencido a sair. Na avaliação de ministros, sua permanência no caso colocaria em risco todo o material já produzido. O entendimento foi o de que, no limite, se não houvesse uma saída voluntária, a discussão sobre suspeição poderia ser colocada em jogo, com consequências jurídicas imprevisíveis. Ao final, prevaleceu a avaliação de que não existe uma saída ideal: apenas a saída possível. O gesto feito ao ministro foi o de preservar sua posição institucional, sem declaração formal de suspeição ou impedimento, ao mesmo tempo em que se garantiu a preservação de tudo o que já havia sido coletado, justamente para evitar questionamentos futuros. Fora da reunião, porém, persiste o mal-estar de parte dos ministros com o governo Lula (PT). Como o blog já havia mostrado, há a percepção de que o governo teria "largado a mão" da defesa institucional do Supremo no auge da crise. A leitura interna é de que, embora a solução tenha preservado o que já foi produzido na investigação e evitado um confronto direto, o custo político para a imagem da Corte — e, especialmente, para Toffoli — já está dado.

