Brasil participa de reunião com vice-presidente dos EUA e avalia planos para aliança de minerais críticos

O Brasil participou de reunião nos Estados Unidos nesta quarta-feira (4) na qual o vice-presidente norte-americano, JD Vance, revelou planos para reunir aliados em um bloco comercial para minerais críticos. O governo brasileiro ainda avalia se integrará o grupo, segundo integrantes do Planalto. O Itamaraty confirmou à Reuters que o Brasil esteve presente na reunião por meio de sua Embaixada, mas não informou se o país poderá aderir à iniciativa ou como poderia se dar uma eventual participação. Já uma fonte do governo brasileiro explicou que o Brasil está aberto a parcerias, mas se essa trouxer valor agregado ao país. Além disso, afirmou que, pela dimensão do tema, ele precisa ser tratado de forma bilateral e que uma decisão não será tomada de forma célere. O governo Trump intensificou os esforços para garantir o abastecimento dos EUA de minerais críticos depois que a China abalou os mercados globais no ano passado ao reter terras raras necessárias para montadoras norte-americanas e outros fabricantes industriais. Nesse cenário, o Brasil tem sido alvo do interesse norte-americano e de outros países, diante de seu grande potencial para exploração de minerais críticos, como terras raras, cobre, níquel, nióbio, dentre outros. A fonte também mencionou que o governo está se preparando para iniciar conversas para uma viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington e que, se esse tema for de interesse dos EUA, poderá ser colocado à mesa. O Ministério de Minas e Energia, por sua vez, disse à Reuters nesta quarta-feira que está aberto ao diálogo e a iniciativas internacionais "em consonância com os interesses nacionais e com os princípios do desenvolvimento econômico e social do país". Sem responder diretamente sobre a reunião nesta quarta-feira, a pasta afirmou ainda que a atuação brasileira é pautada pelo fortalecimento da cooperação internacional, pela atração de investimentos, pelo desenvolvimento tecnológico e industrial no país e pela inserção do Brasil nas cadeias globais de valor, em diálogo com diferentes parceiros, incluindo Estados Unidos, União Europeia, China e outros atores estratégicos. Comissões de diversas partes do mundo têm procurado mineradoras no Brasil e marcado reuniões com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que representa as principais empresas do setor no país, como Vale, BHP e Anglo American. No caso de terras raras, o Brasil tem a segunda maior reserva global, atrás apenas da China, mas poucos projetos em desenvolvimento. Na segunda-feira, Trump lançou um pacote estratégico norte-americano de minerais críticos, chamado Projeto Vault, apoiado por US$10 bilhões em financiamento inicial do Banco de Exportação e Importação dos EUA e US$2 bilhões em financiamento privado. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse que 55 países participaram das negociações em Washington, entre eles Coreia do Sul, Índia, Tailândia, Japão, Alemanha, Austrália e República Democrática do Congo, todos com diferentes capacidades de refino ou mineração. (Por Marta Nogueira e Lisandra Paraguassu)

Fev 4, 2026 - 20:00
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O Brasil participou de reunião nos Estados Unidos nesta quarta-feira (4) na qual o vice-presidente norte-americano, JD Vance, revelou planos para reunir aliados em um bloco comercial para minerais críticos. O governo brasileiro ainda avalia se integrará o grupo, segundo integrantes do Planalto. O Itamaraty confirmou à Reuters que o Brasil esteve presente na reunião por meio de sua Embaixada, mas não informou se o país poderá aderir à iniciativa ou como poderia se dar uma eventual participação. Já uma fonte do governo brasileiro explicou que o Brasil está aberto a parcerias, mas se essa trouxer valor agregado ao país. Além disso, afirmou que, pela dimensão do tema, ele precisa ser tratado de forma bilateral e que uma decisão não será tomada de forma célere. O governo Trump intensificou os esforços para garantir o abastecimento dos EUA de minerais críticos depois que a China abalou os mercados globais no ano passado ao reter terras raras necessárias para montadoras norte-americanas e outros fabricantes industriais. Nesse cenário, o Brasil tem sido alvo do interesse norte-americano e de outros países, diante de seu grande potencial para exploração de minerais críticos, como terras raras, cobre, níquel, nióbio, dentre outros. A fonte também mencionou que o governo está se preparando para iniciar conversas para uma viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington e que, se esse tema for de interesse dos EUA, poderá ser colocado à mesa. O Ministério de Minas e Energia, por sua vez, disse à Reuters nesta quarta-feira que está aberto ao diálogo e a iniciativas internacionais "em consonância com os interesses nacionais e com os princípios do desenvolvimento econômico e social do país". Sem responder diretamente sobre a reunião nesta quarta-feira, a pasta afirmou ainda que a atuação brasileira é pautada pelo fortalecimento da cooperação internacional, pela atração de investimentos, pelo desenvolvimento tecnológico e industrial no país e pela inserção do Brasil nas cadeias globais de valor, em diálogo com diferentes parceiros, incluindo Estados Unidos, União Europeia, China e outros atores estratégicos. Comissões de diversas partes do mundo têm procurado mineradoras no Brasil e marcado reuniões com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que representa as principais empresas do setor no país, como Vale, BHP e Anglo American. No caso de terras raras, o Brasil tem a segunda maior reserva global, atrás apenas da China, mas poucos projetos em desenvolvimento. Na segunda-feira, Trump lançou um pacote estratégico norte-americano de minerais críticos, chamado Projeto Vault, apoiado por US$10 bilhões em financiamento inicial do Banco de Exportação e Importação dos EUA e US$2 bilhões em financiamento privado. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse que 55 países participaram das negociações em Washington, entre eles Coreia do Sul, Índia, Tailândia, Japão, Alemanha, Austrália e República Democrática do Congo, todos com diferentes capacidades de refino ou mineração. (Por Marta Nogueira e Lisandra Paraguassu)