Leilão de imóveis dos Correios revela histórico de abandono de prédios públicos e desperdício de dinheiro
Em meio a uma crise financeira sem precedentes, os Correios puseram à venda imóveis em todo o Brasil. São prédios, lojas e agências da empresa. A lista divulgada revelou um histórico de abandono e de desperdício de dinheiro público. Um prédio comercial que fica no Centro de São Paulo. Não tem janelas, portas, divisórias e está cheio de entulhos, com sinais de vandalismo e depredação. O abandono mostra o desperdício de dinheiro público. São 5,4 mil m². O lance inicial é de R$ 7,2 milhões. Uma antiga agência em Porto Alegre também está em situação precária. Assim como uma casa em Arneiroz, no Ceará. Outro imóvel colocado à venda é uma loja de 26 m² em um prédio em Campo Grande. Em Belo Horizonte, a empresa vai leiloar um prédio comercial por R$ 8,3 milhões, que está em boas condições. Nos últimos seis anos, os Correios conseguiram pouco mais de R$ 45 milhões com a venda de imóveis. O leilão inclui 26 prédios administrativos, terrenos, galpões, lojas e apartamentos funcionais. A estatal espera arrecadar R$ 1,5 bilhão até dezembro. Os leilões estão programados para os dias 12 e 26 de fevereiro, e 5 de março. Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, avalia como acertada a decisão de vender os imóveis, mas considera a expectativa dos Correios fora da realidade. Os imóveis estão abandonados e perderam muito valor: “A gente está em um momento em que são imóveis difíceis de serem vendidos, terrenos, imóveis antigos, no momento em que a economia está desacelerando também. Não vai ser tão simples colocar à venda esses imóveis nesse valor que os Correios estão imaginando. Então, assim, é um tapa-buraco muito pequeno do que os Correios precisam. No final, a gente vai ter que pensar em alternativas para a empresa. Não é uma solução simples que passa só por um ajuste de curto prazo agora. Precisa pensar em uma coisa muito mais estrutural. Acho que a privatização seria esse caminho”. A venda dos imóveis faz parte do plano de reestruturação dos Correios. Em 2022, a empresa fechou as contas com mais de R$ 700 milhões no vermelho. O rombo em 2024 foi de R$ 2,5 bilhões e de R$ 6 bilhões nos primeiros nove meses de 2025. A situação dos Correios se deteriorou muito nos últimos anos. Na quinta-feira (5), o Jornal Nacional mostrou uma tabela incompleta que apresentava despesas menores que as receitas no resultado operacional. Mas a tabela tratava apenas de alguns gastos, ignorando parte das despesas. Leilão de imóveis dos Correios revela histórico de abandono de prédios públicos e desperdício de dinheiro Jornal Nacional/ Reprodução Segundo os dados da própria estatal, as receitas totais passaram de R$ 19 bilhões em 2020 para menos de R$ 21 bilhões em 2024. Mas as despesas e custos cresceram bem mais nos últimos anos. Saltaram de R$ 17 bilhões para R$ 23 bilhões em 2025. Como os gastos foram maiores que as receitas, os Correios acumulam prejuízo desde 2022. A projeção é que o rombo em 2025 seja de R$ 10 bilhões. Na avaliação do economista Paulo Feldman, professor da USP, a situação dos Correios é tão grave que, além da redução drástica de despesas, a empresa deve mudar o foco do negócio: “Alguns segmentos, principalmente o de entregas de mercadorias, deveriam ser abertos para empresas privadas. Porque o nosso Correios não terá condição de competir de forma adequada e isso prejudica o país. Precisamos de agilidade na entrega de mercadorias e, nesse momento, os Correios não vão conseguir ter essa agilidade. Então, qual é a saída? Abrir para o setor privado". LEIA TAMBÉM Em crise financeira histórica, Correios abrem prazo para funcionários pedirem demissão Correios preveem queda de receitas e aumento de despesas em 2026, mostra orçamento TCU autoriza inspeção nos Correios para apurar possíveis irregularidades na gestão

Em meio a uma crise financeira sem precedentes, os Correios puseram à venda imóveis em todo o Brasil. São prédios, lojas e agências da empresa. A lista divulgada revelou um histórico de abandono e de desperdício de dinheiro público. Um prédio comercial que fica no Centro de São Paulo. Não tem janelas, portas, divisórias e está cheio de entulhos, com sinais de vandalismo e depredação. O abandono mostra o desperdício de dinheiro público. São 5,4 mil m². O lance inicial é de R$ 7,2 milhões. Uma antiga agência em Porto Alegre também está em situação precária. Assim como uma casa em Arneiroz, no Ceará. Outro imóvel colocado à venda é uma loja de 26 m² em um prédio em Campo Grande. Em Belo Horizonte, a empresa vai leiloar um prédio comercial por R$ 8,3 milhões, que está em boas condições. Nos últimos seis anos, os Correios conseguiram pouco mais de R$ 45 milhões com a venda de imóveis. O leilão inclui 26 prédios administrativos, terrenos, galpões, lojas e apartamentos funcionais. A estatal espera arrecadar R$ 1,5 bilhão até dezembro. Os leilões estão programados para os dias 12 e 26 de fevereiro, e 5 de março. Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, avalia como acertada a decisão de vender os imóveis, mas considera a expectativa dos Correios fora da realidade. Os imóveis estão abandonados e perderam muito valor: “A gente está em um momento em que são imóveis difíceis de serem vendidos, terrenos, imóveis antigos, no momento em que a economia está desacelerando também. Não vai ser tão simples colocar à venda esses imóveis nesse valor que os Correios estão imaginando. Então, assim, é um tapa-buraco muito pequeno do que os Correios precisam. No final, a gente vai ter que pensar em alternativas para a empresa. Não é uma solução simples que passa só por um ajuste de curto prazo agora. Precisa pensar em uma coisa muito mais estrutural. Acho que a privatização seria esse caminho”. A venda dos imóveis faz parte do plano de reestruturação dos Correios. Em 2022, a empresa fechou as contas com mais de R$ 700 milhões no vermelho. O rombo em 2024 foi de R$ 2,5 bilhões e de R$ 6 bilhões nos primeiros nove meses de 2025. A situação dos Correios se deteriorou muito nos últimos anos. Na quinta-feira (5), o Jornal Nacional mostrou uma tabela incompleta que apresentava despesas menores que as receitas no resultado operacional. Mas a tabela tratava apenas de alguns gastos, ignorando parte das despesas. Leilão de imóveis dos Correios revela histórico de abandono de prédios públicos e desperdício de dinheiro Jornal Nacional/ Reprodução Segundo os dados da própria estatal, as receitas totais passaram de R$ 19 bilhões em 2020 para menos de R$ 21 bilhões em 2024. Mas as despesas e custos cresceram bem mais nos últimos anos. Saltaram de R$ 17 bilhões para R$ 23 bilhões em 2025. Como os gastos foram maiores que as receitas, os Correios acumulam prejuízo desde 2022. A projeção é que o rombo em 2025 seja de R$ 10 bilhões. Na avaliação do economista Paulo Feldman, professor da USP, a situação dos Correios é tão grave que, além da redução drástica de despesas, a empresa deve mudar o foco do negócio: “Alguns segmentos, principalmente o de entregas de mercadorias, deveriam ser abertos para empresas privadas. Porque o nosso Correios não terá condição de competir de forma adequada e isso prejudica o país. Precisamos de agilidade na entrega de mercadorias e, nesse momento, os Correios não vão conseguir ter essa agilidade. Então, qual é a saída? Abrir para o setor privado". LEIA TAMBÉM Em crise financeira histórica, Correios abrem prazo para funcionários pedirem demissão Correios preveem queda de receitas e aumento de despesas em 2026, mostra orçamento TCU autoriza inspeção nos Correios para apurar possíveis irregularidades na gestão

