Quando Boa Vista desfilava: a era das escolas de samba que marcou o carnaval
Escolas de Samba marcaram história no carnaval de Boa Vista É difícil de acreditar, mas houve um tempo em que o carnaval de Boa Vista tinha desfiles de escolas de samba e carros alegóricos. Nessa história que hoje parece lenda digna de virar enredo carnavalesco, um dos protagonistas é o manauara Jorge Aragão, um dos precursores da tradição em Roraima. O aposentado chegou à capital roraimense em 1973, há 53 anos. Segundo ele, naquele ano, a folia em Boa Vista era tímida. Acostumado ao fervor das escolas de samba de Manaus, brilhou os olhos ao conhecer as agremiações locais — Corte Momo e Aparecida — as mais conhecidas à época. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp “Todo mundo se conhecia, sabia quem era, quem não era, porque a cidade ainda estava crescendo. Mas já estava legal, estava muito bacana. Tinha um carnavalzinho de rua bacana, o pessoal saía com as fantasias, com as máscaras.” Entenda: Desde 2012, Boa Vista não realiza desfiles de escolas de samba. Atualmente, o carnaval na capital é celebrado com blocos de rua espalhados por diferentes bairros da cidade. Escolas de samba locais em Roraima Arquivo Escolas de samba El Dourado e Praça da Bandeira Jorge viu nas agremiações a oportunidade de ajudar a fortalecer a festa. Mas um incêndio nas fantasias da escola Aparecida quase transformou a alegria em frustração, e os desfiles foram cancelados. Naquele período, segundo o aposentado, muitos militares vinham para o Batalhão de Engenharia de Construção (Bec) para trabalhar na construção da estrada que ligaria Manaus a Boa Vista. Entre eles, havia muitos cariocas que gostavam de samba e pagode. Eles chegaram a participar juntos de um bloco, fantasiados com perucas coloridas. “E aí, eu, o meu amigo Melo e o Ventura, que foi jogador de futebol — eu tenho muita saudade desses dois —, que são os caras que a gente entrou trazendo o carnaval, nós resolvemos fazer um carnaval.” Os amigos chegaram a participar juntos de um bloco, fantasiados com perucas coloridas Arquivo Decididos manter a festa de pé, eles construíram dois carros alegóricos na casa da família Canuto, tradicional em Boa Vista. Assim nascia a escola de samba El Dourado. A iniciativa foi a semente para o surgimento de outras escolas na capital. Além da El Dourado, surgiram agremiações como Aquarela, Mecejana, Império Roraimense e outras. As alegorias homenageavam figuras folclóricas, artistas, personagens históricos, lendas do estado e de outras regiões, além de temas em evidência na época, com destaques políticos e sociais. Com o passar dos anos e a falta de repasses de verbas, algumas escolas encerraram as atividades. Permaneceram por mais tempo as chamadas “trindade das escolas”: Mecejana, Império Roraimense e El Dourado. “Por exemplo, hoje nós temos lojas em todos os lugares. Se você for fazer alguma coisa de carnaval, tem muita coisa que você pode aproveitar nas lojas daqui. Naquela época não tinha, sempre mandava buscar em Manaus. A El Dourado sempre mandava buscar. Eu viajava pra lá pra comprar o material". Em 1994, Jorge ajudou a fundar uma nova escola: Praça da Bandeira. O nome foi escolhido em homenagem ao tradicional espaço no Centro da cidade, onde blocos de rua reuniam foliões durante o carnaval. Documentos escritos pelo próprio Jorge registram que a Praça da Bandeira foi campeã do 2º grupo e, em 1996, vice-campeã do 1º grupo. Depois disso, conquistou seis títulos consecutivos, de 1997 a 2002. Aos poucos, as escolas encerraram as atividades. O último desfile ocorreu em 2012. “Você via um carro alegórico, você via as pessoas, as meninas dançando, desfilando bonito. O cara cantando samba-enredo, a bateria, que é muito importante. Mas aí conseguiram acabar. Mas é assim mesmo, tudo muda, tudo passa". Hoje, mais de uma década depois, o sentimento permanece. As escolas de samba podem não ocupar mais a avenida, mas seguem vivas na memória de quem construiu essa história — como Jorge, que viveu o carnaval de Boa Vista de corpo e alma. "O sentimento continua gravado no coração, a força de vontade, a sensação de ter feito um bom trabalho para a comunidade de Roraima, mostrado o que é o carnaval de escola de samba. Ficou na história". Escola de samba Praça da Bandeira Arquivo Desfiles em Boa Vista Arquivo Fantasias de carnaval Arquivo Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

Escolas de Samba marcaram história no carnaval de Boa Vista É difícil de acreditar, mas houve um tempo em que o carnaval de Boa Vista tinha desfiles de escolas de samba e carros alegóricos. Nessa história que hoje parece lenda digna de virar enredo carnavalesco, um dos protagonistas é o manauara Jorge Aragão, um dos precursores da tradição em Roraima. O aposentado chegou à capital roraimense em 1973, há 53 anos. Segundo ele, naquele ano, a folia em Boa Vista era tímida. Acostumado ao fervor das escolas de samba de Manaus, brilhou os olhos ao conhecer as agremiações locais — Corte Momo e Aparecida — as mais conhecidas à época. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp “Todo mundo se conhecia, sabia quem era, quem não era, porque a cidade ainda estava crescendo. Mas já estava legal, estava muito bacana. Tinha um carnavalzinho de rua bacana, o pessoal saía com as fantasias, com as máscaras.” Entenda: Desde 2012, Boa Vista não realiza desfiles de escolas de samba. Atualmente, o carnaval na capital é celebrado com blocos de rua espalhados por diferentes bairros da cidade. Escolas de samba locais em Roraima Arquivo Escolas de samba El Dourado e Praça da Bandeira Jorge viu nas agremiações a oportunidade de ajudar a fortalecer a festa. Mas um incêndio nas fantasias da escola Aparecida quase transformou a alegria em frustração, e os desfiles foram cancelados. Naquele período, segundo o aposentado, muitos militares vinham para o Batalhão de Engenharia de Construção (Bec) para trabalhar na construção da estrada que ligaria Manaus a Boa Vista. Entre eles, havia muitos cariocas que gostavam de samba e pagode. Eles chegaram a participar juntos de um bloco, fantasiados com perucas coloridas. “E aí, eu, o meu amigo Melo e o Ventura, que foi jogador de futebol — eu tenho muita saudade desses dois —, que são os caras que a gente entrou trazendo o carnaval, nós resolvemos fazer um carnaval.” Os amigos chegaram a participar juntos de um bloco, fantasiados com perucas coloridas Arquivo Decididos manter a festa de pé, eles construíram dois carros alegóricos na casa da família Canuto, tradicional em Boa Vista. Assim nascia a escola de samba El Dourado. A iniciativa foi a semente para o surgimento de outras escolas na capital. Além da El Dourado, surgiram agremiações como Aquarela, Mecejana, Império Roraimense e outras. As alegorias homenageavam figuras folclóricas, artistas, personagens históricos, lendas do estado e de outras regiões, além de temas em evidência na época, com destaques políticos e sociais. Com o passar dos anos e a falta de repasses de verbas, algumas escolas encerraram as atividades. Permaneceram por mais tempo as chamadas “trindade das escolas”: Mecejana, Império Roraimense e El Dourado. “Por exemplo, hoje nós temos lojas em todos os lugares. Se você for fazer alguma coisa de carnaval, tem muita coisa que você pode aproveitar nas lojas daqui. Naquela época não tinha, sempre mandava buscar em Manaus. A El Dourado sempre mandava buscar. Eu viajava pra lá pra comprar o material". Em 1994, Jorge ajudou a fundar uma nova escola: Praça da Bandeira. O nome foi escolhido em homenagem ao tradicional espaço no Centro da cidade, onde blocos de rua reuniam foliões durante o carnaval. Documentos escritos pelo próprio Jorge registram que a Praça da Bandeira foi campeã do 2º grupo e, em 1996, vice-campeã do 1º grupo. Depois disso, conquistou seis títulos consecutivos, de 1997 a 2002. Aos poucos, as escolas encerraram as atividades. O último desfile ocorreu em 2012. “Você via um carro alegórico, você via as pessoas, as meninas dançando, desfilando bonito. O cara cantando samba-enredo, a bateria, que é muito importante. Mas aí conseguiram acabar. Mas é assim mesmo, tudo muda, tudo passa". Hoje, mais de uma década depois, o sentimento permanece. As escolas de samba podem não ocupar mais a avenida, mas seguem vivas na memória de quem construiu essa história — como Jorge, que viveu o carnaval de Boa Vista de corpo e alma. "O sentimento continua gravado no coração, a força de vontade, a sensação de ter feito um bom trabalho para a comunidade de Roraima, mostrado o que é o carnaval de escola de samba. Ficou na história". Escola de samba Praça da Bandeira Arquivo Desfiles em Boa Vista Arquivo Fantasias de carnaval Arquivo Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

