A safra de jovens promissores do Athletico e um alerta antigo

Antes de ir embora do Athletico pela última vez, em 2024, Paulo Autuori comentou com precisão sobre o excesso de jogadores estrangeiros no futebol brasileiro. Em sua opinião, o aumento do limite de não-brasileiros – de cinco para nove atletas – é uma conta que não fecha. E que acaba sendo paga pelos próprios técnicos. […]

Fev 17, 2026 - 18:00
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A safra de jovens promissores do Athletico e um alerta antigo

Antes de ir embora do Athletico pela última vez, em 2024, Paulo Autuori comentou com precisão sobre o excesso de jogadores estrangeiros no futebol brasileiro. Em sua opinião, o aumento do limite de não-brasileiros – de cinco para nove atletas – é uma conta que não fecha. E que acaba sendo paga pelos próprios técnicos.

“Essa mudança, de aumentar o limite, foi absurda. O futebol brasileiro precisa se questionar se realmente precisa desse número de estrangeiros, porque isso impacta diretamente na nossa realidade. Prefiro trabalhar com jovens do que ir fora do país buscar atletas que podem não entregar. Não temos garantia”, declarou Autuori.

“Nós temos nove aqui [em 2024]. Quando saí, em 2022, eram cinco, e eu pedi que não contratassem mais, porque isso cai no colo do treinador. Quando tem o limite, ele precisa fazer escolhas, e geralmente quem fica de fora são sempre os mesmos. Isso gera incômodo em alguns e tem impacto no trabalho”, completou.


Pouco menos de um ano e meio depois, aqui nas nossas bandas, nada se aprendeu no Athletico. Da nova legião de estrangeiros, o treinador Odair Hellmann só indicou diretamente os colombianos Kevin Viveros, que era o artilheiro da Libertadores, e Steven Mendoza, que foi seu comandado no Santos.


De resto, foi o presidente Mario Celso Petraglia quem acabou loteando o CT do Caju com gringos. Adotando critérios que não são necessariamente do interesse técnico do Furacão (porque ele mesmo admite que não entende de futebol), só contratou um que, até aqui, se tornou unânime, o zagueiro Carlos Terán.

O volante Juan Portilla acabou de chegar, com alto investimento. Já o zagueiro Felipe Aguirre foi uma oportunidade de mercado do clube, que também apostou em Alejandro García, que mal joga pelos aspirantes. Além destes, também há os argentinos Gastón Benavídez, que é titular frequente, e Bruno Zapelli e Lucas Esquivel, ambos pré-Odair no clube. O uruguaio Gonzalo Mastriani, de alto salário, completa o elenco enquanto não encontra novo clube.

Ocorre que esse excesso de estrangeiros coincide com a revelação de jovens nas categorias de base do Furacão. Há tempo não se colhe uma safra com a qualidade de Riquelme, Chiqueti, Dudu, João Cruz e Bruninho, além do zagueiro Arthur Dias.

Foi João Cruz, por exemplo, quem salvou o time em Araraquara, quando o time lutava para retornar à Série A. Dudu também fez gols importantes da campanha de recuperação no segundo turno da Série B. Já Bruninho e Chiqueti despontam como talentos raros. Vão vingar? Não se sabe, mas precisam de cancha, suporte e paciência.

E aí entra o treinador Odair Hellmann. No jogo do Athletico contra o Santos, o catarinense provou que seu único compromisso é com a instituição Club Athletico Paranaense. Bem por isso, com Bruninho, Dudu e Chiqueti em campo, o Athletico conseguiu vencer mais uma no início do Brasileirão.


Mas se, em algum momento, essa conta de estrangeiros tiver que de ser saldada no Athletico, não será Odair Hellmann obrigado a pagar.


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